[Prateleira] Hellraiser, de Clive Barker

Um escritor, um livro, um roteiro e um filme. Exatamente nesta sequência nasceu Hellraiser: Renascido do Inferno, do britânico Clive Barker. Segundo o próprio autor, seu conto The Hellbound Heart, que finalmente chegou ao Brasil com o mesmo título do filme, foi escrito com o pensamento no cinema, ou seja, foi feito com o planejamento de adaptar a obra para as telonas. Foi o próprio Barker que o fez, roteirizado e dirigindo o filme que saiu em 1987 e ganhou nada menos que oito sequências e vários quadrinhos, expandindo este universo.

O ano de 2015 chegou e a Darkside Books, enfim, trouxe The Hellbound Heart ao Brasil. A bela edição da editora é luxuosa, mas, ao mesmo tempo, acessível. Ela pode ser facilmente encontrada em sites de compradas com grandes descontos e, dado ao acabamento do produto, é um ótimo investimento para fãs de terror e/ou do cuidadoso trabalho que a editora vem fazendo no país. Sadomasoquismo, um dos principais temas do livro, serviu como estética para a edição brasileira, cuja capa é de couro sintético.

Hellraiser. Divulgação Darkside Books
Hellraiser. Divulgação Darkside Books

Hellraiser: Renascido do Inferno conta a história do hedonista Frank Cotton, um homem que passou sua vida em busca do prazer absoluto. Envolvido em inúmeros crimes e viagens pelo mundo na busca de todos os prazeres sexuais conhecidos pelo homem, Frank se tornou um niilista e a atividade sexual já não é mais suficiente para lhe dar satisfação. Quando descobre que existe um complexo artefato chamado Caixa de Lemarchand, Frank tenta desfazer o quebra-cabeça para conseguir o que tanta almeja: prazeres desconhecidos. Esta caixa permite a convocação dos cenobitas, seres extradimensionais capazes de oferecer prazeres carnais inimagináveis. Ao entrar em contato com eles, Frank se depara com o inesperado e paga caro por seus desejos.

A trama do livro gira em torno de Frank e das pessoas próximas a ele, como seu irmão Rory e sua cunhada Julia, que sempre gostou mais de Frank que do marido. Ao se mudarem para a mesma casa em que Frank viveu no passado, Rory e Julia descobrem um quarto onde o corpo do “falecido” irmão tenta escapar da dimensão cenobita e voltar à realidade. Ou seja, depois de infinitas perversões em vida, Frank tenta subverter a prisão cenobita e enganá-los, algo no qual ele é especialista.

Concisa e famosa, a trama de Hellraiser é boa e mostrou o poder de Clive Barker como criador. Ainda que o filme que adapta esta história seja um clássico do terror, o livro é mais sinistro e violento. Na verdade, as descrições indicam um exorcismo de demônios internos por parte do autor. Tudo é amargo, soturno e até desagradável às vezes. Mesmo assim, estes elementos são atraentes e sedutores, puxando o leitor para sentir desconhecidos prazeres nas descrições explícitas das cenas mais chocantes da história.

Barker se preocupa com a estética, mas não deixa a mitologia de lado. Assim como H.P. Lovecraft criou seus contos de Cthulhu, o autor britânico faz com que Hellraiser dê vida a um universo imenso de possibilidades, o que explica a quantidade de sequências e adaptações que o primeiro filme teve depois de 1987.

A boa leitura e a boa edição da Darkside fazem deste livro um item obrigatório na coleção de qualquer fã de Barker ou de terror. Que sua boa recepção seja o início da publicação de tantas obras inéditas do autor no país.

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