[Resenha] Liga da Justiça – Origem

Não foi exatamente uma grande surpresa quando a DC anunciou que Geoff Johns e Jim Lee tomariam conta da revista mensal da Liga da Justiça. Os boatos sobre isso corriam há meses nos sites jornalísticos de entretenimento e tudo que a editora fez foi confirmar o que já era tido como fato por alguns fãs. Na verdade, a indústria e os consumidores foram tomados de assalto quando a editora confirmou que reiniciaria toda sua cronologia. Isso foi em 2011. Pela primeira vez em quase 80 anos de vida, a DC estava reformulando sua linha editorial e renumerando suas revistas mais históricas: Action Comics, Superman, Batman, Detective Comics etc. Assim nasceram Os Novos 52.

O carro-chefe desta iniciativa foi a Liga da Justiça de Johns e Lee, a revista que deu início a um novo universo. A fim de explicar o que começava a acontecer a partir de setembro daquele ano, os primeiros capítulos da nova revista da Liga da Justiça mostravam como aqueles heróis, sete ícones do Universo DC, se conheceram, mostrando ainda o que os levou a se unir pela primeira vez e quais grandes ameaças este novo universo teria.

O começo de tudo, por Jim Lee, Scott Williams e Alex Sinclair.
O começo de tudo, por Jim Lee, Scott Williams e Alex Sinclair.

Com aventuras bombásticas, roteiros simples e caracterizações novas, Johns e Lee puseram no mercado uma revista estranha, mas atraente para leitores de uma nova geração. Argumentos diretos, diálogos superficiais e ação desenfreada moldaram o início desta nova publicação. Todavia, estes adjetivos não duraram muito tempo pois, se o primeiro arco de histórias deixou um pouco a desejar – principalmente por caracterizar o vilão Darkseid como um brutamontes genérico –, na história seguinte o time criativo mostrou mais familiaridade com os personagens e com o novo conceito. Portanto, mais interessante que ver o nascimento de um universo, os leitores puderam acompanhar o amadurecimento de seus super-heróis favoritos.

As histórias são enriquecidas pela criação de novos personagens e sub-tramas intrigantes, criadas por Johns. O destaque vai para Pandora e o Vingador Fantasma, dois personagens que guardaram grandes segredos dos Novos 52 por muito tempo, até que o autor criasse a saga A Guerra da Trindade (que provavelmente também será relançada de forma encadernada no futuro pela Panini) com os artistas brasileiros Ivan Reis, Oclair Albert, Joe Prado, Éber Ferreira e Rod Reis. Misteriosos, estes dois personagens são tão ou mais interessantes que os medalhões.

Todo este material é completado por belos extras compostos de estudos dos personagens, criação de designs e material que enriquece as duas histórias contidas no encadernado. Destaque para os visuais dos sete heróis principais criados por Cully Hamner, acompanhados de seus comentários sobre como cada personagem deveria aparecer nas páginas.

Capa do encadernado lançado pela Panini.
Capa do encadernado lançado pela Panini.

Editorialmente, a Panini acertou em lançar o material. Ainda que haja controvérsia sobre sua qualidade, era inevitável que estes arcos fossem publicados; todo o início dos Novos 52 está sendo republicado aos poucos pela editora em encadernados como Batman – A Corte da Corujas, Superman – À Prova de Balas, Flash – Seguindo em Frente etc. A Liga da Justiça foi o alicerce para a criação deste universo. Logo, era obrigatório que a Panini publicasse este volume no mesmo formato em que ele foi lançado lá fora.

A grande ressalva vai para a lombada. Por ser um produto luxuoso (capa dura com 360 páginas ao preço de R$ 95,00), o cuidado editorial deveria ser extra. Minucioso. Não foi o caso. Na lombada, item de livro que já derrubou grandes revisores, o fã encontrará um volume da “Liga da Jusiça”, não da Liga da Justiça. Colecionadores que gostam de deixar seus exemplares à mostra em prateleiras ficarão incomodados – com razão – ao saberem que pagaram tão caro por um produto com esta falha.

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