[Resenha] DC Deluxe: Lanterna Verde – O Agente Laranja

Em 2009, quando o Terra Zero completou um pouco mais de um ano de vida sob o nome de Multiverso DC, a DC Entertainment estava começando a lançar o prólogo para A Noite Mais Densa, a maior saga dos Lanternas Verdes já produzida pela editora. Este prólogo foi composto de histórias publicadas nas revistas esmeraldas (Green Lantern Vol.4, Green Lantern Corps Vol.2) durante o primeiro semestre daquele ano. Enquanto a Tropa dos Lanternas Verdes mostrava os pecados das Safiras Estrelas e as atrocidades da Tropa Sinestro. Na revista principal dos Lanternas, Hal Jordan encabeçava uma jornada pelo espectro emocional. Depois de sentir na pele os poderes dos espectros vermelho (raiva) e azul (esperança), o principal lanterna verde da Terra foi a caminho de Larfleeze, o Agente Laranja.

A fim de dar continuidade ao que vem fazendo com as principais sagas dos Lanternas Verdes desde a Ressurreição de Hal Jordan, a Panini Comics colocará à venda o volume DC Deluxe: Lanterna Verde – O Agente Laranja, um luxuoso encadernado composto por histórias publicadas logo após o embate entre Hal Jordan e Atrócitus, o líder dos Lanternas Vermelhos. Escritas por Geoff Johns e desenhadas por Philip Tan e outros artistas convidados, as histórias que apresentam o Agente Laranja são as penúltimas antes da grande saga A Noite Mais Densa. A última foi publicada em Green Lantern Vol.4 #43, focada no vilão Mão Negra, o arauto do grande vilão do épico.

Capa do encadernado norte-americano. Arte de Philip Tan.
Capa do encadernado norte-americano. Arte de Philip Tan.

Este volume reimprime as histórias publicadas em Green Lantern Vol.4 #39-42 e descrições dos poderes e fraquezas de todos os espectros emocionais conforme publicadas na edição especial Blackest Night #0, de 2009. Portanto, logo de cara o leitor perceberá que Lanterna Verde – O Agente Laranja não é só uma republicação de um famoso arco de histórias; o lançamento é adequado para fãs não muito familiarizados com os encadernados anteriores, pois as fichas técnicas de cada espectro emocional são muito informativas. A do Agente Laranja, por exemplo, que estrela as histórias deste volume, diz:

Emoção: Avareza
Planeta Natal: Okaara, o Sistema Vega

Milênios atrás, os Guardiões do Universo fizeram um pacto com os portadores da Luz Laranja: enquanto eles ficassem enterrados em seus sistemas, eles estariam fora da jurisdição da Tropa dos Lanternas Verdes. O pacto foi recentemente quebrado e Larfleeze, o Agente Laranja, liberou seus Lanternas Laranjas, procurando roubas e consumir todos os outros anéis.

Poderes: Os anéis laranjas são capazes de criarem avatares dos seres que tomarem e matarem, literalmente roubados suas identidades após suas mortes. O anel laranja também é capaz de drenar energias verde, violeta, amarela e vermelha. Além disso, esses anéis também permitem voo, campos de força e comunicação.

Fraquezas: O anel laranja é incapaz de drenar poderes de um anel azul. Suas interações com o espectro índigo ainda é desconhecida. O anel laranja também possui uma série de outros efeitos ainda não descobertos.

Página de apresentação do Agente Laranja. Arte de Doug Mahnke e cores de Nei Ruffino.
Página de apresentação do Agente Laranja. Arte de Doug Mahnke e cores de Nei Ruffino.

Em termos de história, Lanterna Verde – O Agente Laranja mostra uma importante mudança de direcionamento na abordagem de Geoff Johns sobre a franquia. Descobrir que existe um “agente laranja” é surpreendente para as outras tropas mas, mais interessante que isso é ver como os Guardiões do Universo se comportam de forma prejudicial e até sacana; ditadores do cosmos, este grupo de seres imortais vem piorando a vida dos Lanternas Verdes com suas novas leis desde Johns começou a elaborar A Noite Mais Densa, e as coisas só pioram quando chega a hora de enfrentar o agente laranja. Além disso, Larfleeze, o detentor da bateria laranja, é diferente de todos outros líderes de tropas: ele tem bom humor.

Nesta primeira história o leitor percebe que Johns pensava em ter Larfleeze como alívio cômico desde o começo. Através dos anos o sendo de humor do personagem foi esculhambado, o que o transformou em um dos pilares cômicos da DC atual. Mais sério e ganancioso no início, o Larfleeze de Johns já mostrava traços de proposital sarcasmo e humor pastelão, o que alivia, para o leitor, os meses de histórias trágicas e dramáticas que trouxeram os Lanternas Verde até aqui. Divertida e despretensiosa, a história de Lanterna Verde – O Agente Laranja é curta e objetiva, é o respiro necessário para os bombásticos eventos que vêm a seguir.

Foto do encadernado enviado pela Panini.
Foto do encadernado enviado pela Panini.

Algo inovador para a época foi a não existência de uma Tropa Laranja; na verdade, Larfleeze é o único ser vivo deste grupo e ele detém a bateria laranja. Sua “tropa” é formada por construtos sencientes de seres que matou e consumiu com o poder do espectro alaranjado. Isso mudou toda a dinâmica de exploração das tropas emocionais naquele momento, mostrando que Johns estava no ápice de sua criatividade para a contínua expansão da mitologia dos Lanternas Verdes.

Philip Tan desenha de forma irregular, mas seu trabalho funciona. Larfleeze e seus construtos são montuosos, algo familiar para o traço do filipino que desenhou histórias do Spawn no passado. Vale até dizer que o leitor mais exigente pode torcer o nariz para o desenho de Tan no começo; porém, quando chegar no fim da história e se deparar com as páginas de extras mostrando os estudos visuais do artista para cada vilão laranja, o fã entenderá como a escolha do filipino foi perfeita para assumir esta tarefa. Aliás este foi um grande acerto da Panini neste volume: publicar material extra. Alguns dos estudos de personagens que Tan definiu na época como “grotescos e possuídos pela ganância” podem ser vistos abaixo:

Se a Panini chegou até aqui, é de se imaginar que o bem-sucedido épico A Noite Mais Densa, comandado por Johns, pelos brasileiros Ivan Reis, Oclair Albert, Joe Prado e pelo colorista Alex Sinclair será lançado em capa dura muito em breve no Brasil. Nos Estados Unidos, a história foi publicada entre 2009 e 2010, sendo relançada algumas vezes em formato encadernado. Sua versão mais recente, chamada Absolute Blackest Night, engloba as revistas Blackest Night #0, Blackest Night #1-8, (2009/2010) Untold Legends of the Blackest Night #1 (2010) e DC Universe #0 (2008). Ainda não foi anunciado como será este relançamento no Brasil.

De qualquer forma, assim como o volume anterior desta coleção, Lanterna Verde – O Agente Laranja é indispensável para fãs destes personagens e do Universo DC pré-Novos 52.

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