[Resenha] Batman ’66 n° 2 – Rei Tut Ataca!

O segundo volume de Batman ’66, intitulado Rei Tut Ataca!, começou a ser vendido há poucos dias em território nacional. Lançado com uma capa de Mike Allred ilustrando o icônico Rei Tut, o segundo volume da série aporta no mercado brasileiro com o público ganho. O revival em quadrinhos da clássica série de TV estrelada por Adam West e Burt Ward tem uma qualidade cada vez mais difícil de encontrar em histórias de super-heróis: conversar com públicos diferentes.

As aventuras continuam de onde o seriado parou, mas não há complicações cronológicas como em um tradicional quadrinho de super-herói. Na verdade, Batman ’66 – Rei Tut Ataca! enfoca simplicidade e consegue fazer muito com pouco.

Capa do encadernado brasileiro com arte de Mike Allred.
Capa do encadernado brasileiro com arte de Mike Allred.

Todas as aventuras são divertidas e desenhadas por talentosos artistas que trazem o espírito psicodélico dos anos 1960 de volta. Mais do que utilizar as feições e expressões corporais dos atores da série para caracterizar os personagens, Ty Templeton, Ted Naifeh, Ruben Procopio e Joelle Jones trazem todos os elementos que compuseram a espalhafatosa atmosfera do seriado.

Rei Tut estrela uma aventura à parte. Criado para o programa de TV, o personagem é a epítome de tudo que Batman ’66 foi: misterioso, mas mirabolante; intrigante, mas engraçado; diabólico, mas dotado de inocência. O que o ator Victor Buono criou condizia com todo o resto daquele universo. Por isso, o retorno do Rei Tut a este universo é, acima de tudo, triunfal. E prepare-se: a história estrelada por ele é dotada de elementos sobrenaturais interessantíssimos. Pela primeira vez a Dupla Dinâmica lida com elementos clássicos dos quadrinhos de super-heróis: viagens no tempo e misticismo.

Batman ’66 nº 2 – Rei Tut Ataca! ainda contém uma curta porém ótima história estrelada por Batgirl e Mulher-Gato. Se na época as personagens já eram consideradas fortes e independentes, neste quadrinho elas provam que são tão icônicas quanto os heróis que dão título ao encadernado.

A combinação ímpar do roteiros descompromissados e bem construídos de Jeff Parker e Tom Peyer consegue agarrar a atenção do leitor com intensidade, deixando-o vidrado no que está à sua frente. Nostalgia, escapismo, carisma e bom humor, somados à excelente e bem sacada tradução dos editores Bernardo Santana e Alexandre Callari fazem de Batman ’66 nº 2 – Rei Tut Ataca! um achado em uma indústria tão desgastada.

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