[Resenha] Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos

Inevitavelmente, a Panini Comics tem dado continuidade aos lançamentos do Lanterna Verde. Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos está chegando agora às bancas do país e mantém acesa a chama esmeralda de uma das mais elogiadas fases da Tropa: a comandada pelo escritor Geoff Johns, iniciada em 2004. Este volume reúne as histórias publicadas originalmente nas edições revista Green Lantern Vol.4 #26-28, #36-38 e no especial Final Crisis: Rage of the Red Lanterns #1. Todas estas histórias foram lançadas entre 2008 e 2009 nos Estados Unidos, e reúnem desenhistas como Mike McKone, Ivan Reis e Shane Davis.

Estas histórias sucedem os eventos da Guerra dos Anéis, republicadas recentemente pela Panini no mesmo formato deste encadernado. Elas mostram o surgimento dos Lanternas Alfa (a corregedoria da Tropa dos Lanternas Verdes), o encontro do monstro Atrócitus com o lado vermelho do espectro emocional e as formações das Tropas dos Lanternas Vermelhos e dos Lanternas Azuis. Vermelho e azul são cores comumente usadas como contrapartes, e a história de Johns explora bem esta ideia ao caracterizar a tropa rubra motivada pelo ódio e os azuis motivados pela esperança.

Capa original de Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos, por Shane Davis, Sandra Hope e Nei Ruffino.
Capa original de Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos, por Shane Davis, Sandra Hope e Nei Ruffino.

O escritor estava no auge da sua criatividade nesta época, expandindo a mitologia dos Lanternas Verdes a cada mês, com ideias novas e refrescantes para a franquia, que passou a ser uma das mais vendidas da DC Comics nos anos 2000. Se fazendo utilizar de alguns conceitos que o britânico Alan Moore criou na famosa história “Tygers, Johns abriu um leque imenso de possibilidades ao evoluir a mitologia da polícia espacial esmeralda depois dos trágicos eventos da Guerra dos Anéis: a criação de tropas com as cores do arco-íris representando emoções diferentes; o triunfo de Sinestro – convencer os Guardiões do Universo de que os Lanternas Verdes podem usar de força letal contra seus adversários; os lados bom e mau dos Guardiões, representados respectivamente por Ganthet (o criador da Tropa Azul) e Scar (emissária da ausência de luz após ser tocada pelo Antimonitor); criação dos alicerces para a vindoura Noite Mais Densa, consumando a profecia criada por Moore em “Tygers”.

Geoff Johns caracteriza as novas tropas com maestria. Baseando-se em conceitos de religiões orientais, como budismo e hinduísmo, o autor dá ares místicos à Tropa dos Lanternas Azuis, misturando seu significado (esperança) com a paz interior oferecida por estas crenças. Os Lanternas Vermelhos, contraparte dos Azuis, são puro ódio a adicionam um elemento diferenciado à mitologia esmeralda.

Capa de Final Crisis: Rage of the Red Lanterns, por Shane Davis, Sandra Hope e Nei Ruffino.
Capa de Final Crisis: Rage of the Red Lanterns, por Shane Davis, Sandra Hope e Nei Ruffino.

A edição especial Final Crisis: Rage of the Red Lanterns, que está no encadernado, fez parte do evento Crise Final, e já foi resenhada no Terra Zero quando foi lançada no Brasil. Em Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos, ela serve como ponte entre o surgimento dos Lanternas Alfa e das Tropas Vermelha e Azul.

Os destaques do encadernado ficam para a equipe artística e para a caracterização das novas tropas. Apesar de seus estilos diferentes, Mike McKone, Ivan Reis e Shane Davis fazem um trabalho coeso e acima da média para os quadrinhos de super-heróis. Os três narram visualmente as histórias com fluidez e naturalidade, se utilizando de composições de páginas clássicas, mesclando influências de Neal Adams, George Pérez e Jim Lee. O trio funciona bem para as histórias que assumiram e dão colaborações ímpares às histórias que compõem o volume Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos.

Editorialmente a Panini continua acertando. Tida como a melhor época dos Lanternas Verdes, a fase que esteve sob a batuta de Geoff Johns é fundamental para o estabelecimento da DC no século XXI, e a editora está fazendo bem em relançar estas histórias na cronologia correta em volumes especiais e luxuosos.

Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos é indispensável para fãs destes personagens e do Universo DC pré-Novos 52.

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