CCRS 2015: Entrevista com Émerson Vasconcelos

Uma semana se passou desde do acontecimento da ComicCON RS. O Terra Zero vem trazendo várias matérias sobre o evento. Passamos por uma análise sobre o evento; um texto sobre leituras indicadas; um artigo sobre pais e filhos que amam quadrinhos; e um especial contando algumas curiosidades sobre a passagem do grande convidado internacional do evento, Peter Milligan.

A convenção, que ocorreu nos dias 22 e 23 de agosto, chamou atenção pelo crescimento e melhoras significativas nas estruturas do evento. Itens como esses levaram a CCRS 2015 a ser considerada por vários veículos jornalísticos locais o maior evento de cultura pop dentro do Rio Grande do Sul.

Émerson Vasconcelos - Diretor da Produtora Multiverso
Émerson Vasconcelos – Diretor da Produtora Multiverso

O Terra Zero conversou com o diretor da Produtora Multiverso, Émerson Vasconcelos, que é o idealizador e principal pessoa à frente da ComicCON RS, para contar algumas informações pós-evento e, também informar sobre o que reserva a CCRS 2016.

Terra Zero: No fim da Multiverso ComicCON, em 2014, seus planos para o quinto ano do evento eram um pouco diferentes. O que motivou essa nova fase da ComicCON RS?

Émerson Vasconcelos: Os planos já eram esses no final da edição de 2014. Já sabíamos que iríamos para outro local e que teríamos mais convidados internacionais. Isso era uma necessidade, dada a nossa meta de nos tornarmos um dos melhores eventos de quadrinhos no país. Ainda durante a edição do ano passado, fomos contatados pela Ulbra, que ofereceu um espaço que se encaixava perfeitamente nos nossos planos.

O ano de 2015 parece ser um marco para a CCRS. Conte um pouco dessa trajetória para chegar a esse novo nível do evento?

Bom, creio que tudo se resume ao tipo de meta que estabeleci para o evento. Em nenhum momento busquei transformar meu evento em um dos maiores do país. O objetivo sempre foi torná-lo um dos melhores. O crescimento acaba sendo consequência quando se foca na qualidade. O que o público viu neste ano nada mais foi do que a consequência desta busca constante por qualidade.

Em questão de organização o evento cresceu. Dentro da Ulbratech, as coisas correram como planejado?

Sim, o espaço de eventos da Ulbratech é totalmente adequado. Mas muito mais do que isso, a organização do evento desta vez envolveu diversos setores da Ulbra, que nos auxiliaram em todas as etapas da produção do evento. A Ulbra, hoje, não é apenas a casa da ComicCON RS: é a principal parceira do evento.

Vocês têm uma avaliação de público pagante nesta edição da CCRS? Houve um aumento do público, mesmo com o evento saindo da capital?

Sim, tivemos um crescimento significativo. O público total da edição 2014 foi de cerca de 4.300 pessoas. Em 2015, apenas o público pagante chegou a 5 mil pessoas. Estimamos que o evento tenha chegado a 5.400 ou 5.500 pessoas, contando as gratuidades e funcionários da Ulbra que circularam pelo local.

Como você acha que a CCRS incentiva o mercado de quadrinhos no Brasil? Já conseguiu mensurar isso alguma vez?

Sinceramente? Ainda me assusta que um projeto tão pessoal meu, pensado para ser um elo entre o público gaúcho e o mercado de quadrinhos, tenha uma relevância crescente no cenário nacional. Não sou hipócrita de dizer que não vejo esta importância, já são três indicações ao troféu HQ Mix. Mas, sobre esse incentivo, eu preciso sempre citar que foi na ComicCON RS que o Gustavo Borges conheceu a Cris Peter. Ou seja, a dupla que hoje lança Pétalas como o maior sucesso de arrecadação no Catarse se uniu aqui. Acho que esse exemplo define o meu sentimento de orgulho.

Como tem sido o retorno do público, artistas e parceiros após o evento?

Tem sido extremamente positivo. Por conta disso, teremos que abrir a venda das mesas do Artists Alley muito antes do previsto. É possível que sejam abertas logo no começo de 2016.

Ideias para o ano de 2016?

Muitas, já temos até o nome dos homenageados. No entanto, a divulgação só ocorrerá no último trimestre deste ano.

Algum convidado internacional em vista?

Sim, pelo menos dois. Ambos inéditos.

Você teve uma perda bem grande na sua vida. Seu pai acabou falecendo durante um momento-chave da organização e acabou sendo homenageado na CCRS 2015. Queria muito que você falasse de como foi levar o evento deste ano, especificamente, na ponta do coração. Certamente não foi fácil.

Foi um evento bem complicado de levar em frente. Meu pai era muito envolvido com a organização do evento. Sempre foi um negócio familiar, desde o começo. Com a morte dele, eu não nego que pensei em cancelar a edição deste ano. Ele cuidava da venda de patrocínios, era a pessoa que entendia, de fato, do comercial. Então, além do fator emocional, que me derrubou por algumas semanas, eu teria que enfrentar também uma edição com caixa mais apertado do que o previsto, não tendo nosso principal articulador comercial. Só que, em respeito à memória dele, nós tocamos em frente, fizemos o melhor que pudemos e economizamos ao máximo. Pessoalmente falando, os dias anteriores ao evento foram especialmente duros para mim. Eu sempre estava muito junto do meu pai durante a montagem da estrutura, buscando os convidados e recebendo os patrocinadores.

E como foi pra você, pessoalmente, quando acabou o evento? Saiu a carga emocional?

Ainda não saiu, por não ter acabado. O mais difícil foi o pré-evento. E, na verdade, o evento para mim ainda não acabou, pois tem várias questões de fechamento da edição 2015 que ainda estão em andamento.

Neste ano, presenciamos várias interações entre pais e filhos presentes ao evento. Você considera, no fim das contas, que essa é a ideia de todos esses encontros: a de possibilitar uma diversão em família?

Sem dúvida alguma. A ComicCON RS foi pensada desde a gênese como um evento para fãs e não fãs de quadrinhos terem contato com o mercado e com a magia das HQs. Os quadrinhos tem o poder de cativar pessoas das mais diversas idades. É uma mídia multifacetada. Portanto, o evento tem como característica básica ser voltado para todas as idades. A classificação da CCRS sempre será livre e o espaço para crianças deve aumentar cada vez mais.

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