[Avaliação] Social Comics chega com boa proposta e conteúdo progressivo

A Social Comics foi anunciada há alguns meses atrás como uma espécie de Netflix de quadrinhos brasileira: um serviço de streaming de HQs com preço modesto, oferecendo conteúdo dos mais diversos gêneros e autores. O serviço estreou há cerca de quinze dias e, agora, é possível traçar um panorama do sistema, que o Terra Zero procurou acompanhar em seus primeiros dias de funcionamento.

Untitled 3No princípio, não havia tantos títulos – o que fazia com que, entre os destaques, ainda no primeiro dia, estivesse até a coleção de Velta, de Emir Ribeiro, em um momento no qual o recente de discussão da objetificação e da representação feminina na cultura quadrinística e/ou nerd brasileira, incluindo o caso da campanha do HQMix, está em voga. Mesmo enquanto esta matéria está sendo escrita, um dos itens em destaque na aba Principal é uma coletânea de obras da Era de Ouro de domínio público. Entretanto, novos títulos estão sendo incluídos na biblioteca do serviço quase todos os dias. Um dos mais recentes é o primeiro número de X-O Manowar, publicado no Brasil pela HQM Editora, e que cuja parceria já havia sido noticiada por aqui.

X-O Manowar #1. Arte de Cary Nord.
X-O Manowar #1. Arte de Cary Nord.

Falando em conteúdo, há alguns destaques importantes na Social Comics. A Juiz Dredd Magazine, com material da revista inglesa 2000AD publicado pela Mythos, apesar de cancelada, está no serviço; a revista Mundo dos Super-Heróis, principal publicação impressa sobre quadrinhos do país; obras independentes mais antigas, como 3000 Anos Depois, de Deodato Borges e Mike Deodato, assim como outras mais recentes, como o primeiro volume de QUAD ou Quem Matou João Ninguém?; e ainda uma surpreendente quantidade de mangás nacionais, de diferentes selos e qualidades, incluindo os títulos da Dracomics, selo da Editora Draco especializado no traço de origem oriental.

Para o Mestre em Comunicação e especialista em quadrinhos digitais Émerson Vasconcelos, as profundas similaridades da Social Comics com o Netflix fazem com que os quadrinhos pareçam, como em outras situações, subordinados a outros produtos audiovisuais, em vez de procurarem estética e apresentação próprios:

A navegação atual do sistema não explora os recursos do meio digital. Os balões surgem todos de uma vez, as páginas não têm adaptação para o formato horizontal e não há nem mesmo uma HQ com opção de leitura em várias línguas. A multilinguagem é um dos recursos mais básicos da disponibilização de conteúdo digital, pois independe de discussões sobre estética ou forma. Alguém pode ainda não ter entendido que um quadrinho digital pode sim ter recursos de animação e efeitos sonoros sem precisar deixar de ser uma HQ. Mas ninguém ousaria dizer que uma opção de leitura de Juiz Dredd em inglês faria a revista deixar de ser um gibi.

O especialista ainda aponta para o fato de que o Netflix se difere de outros serviços de streaming audiovisual por produzir muito conteúdo com a sua própria marca – o que ainda falta ao Social Comics:

O catálogo ainda é 100% calcado em produções de terceiros. Para uma comparação com a Netflix ser justa, precisamos ainda esperar por publicações lançadas pelo próprio selo Social Comics, que sejam pensadas diretamente para o formato digital.

Arte de Davi Calil
Arte de Davi Calil

Não custa dar uma boa chance e conferir a Social Comics. Na verdade custa, mas os benefícios estão valendo bastante a pena para pagar por uma plataforma tão nova. Há ótimas opções de leitura, e vários álbuns nacionais de expressão, além de coisas que você provavelmente ainda não ouviu – este redator ainda não havia lido Surubotron, de Davi Calil, também autor de Quasqualigudum, por exemplo.

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