[Emulador de Críticas] O Bom, O Mau e o Quarteto Fantástico

E aí, pessoal! Vivemos uma época de extremos, a internet virou um megacampo de batalha em que vence que tem mais seguidores, mais likes, mais influência dentro desse meio. No ano passado, passamos por um dos momentos mais conturbados que presenciei na internet nos últimos anos e, mesmo que agora estejamos vivendo um momento aparentemente mais apaziguado, ainda vemos coisas bem estranhas nos nossos monitores e smartphones.

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O título do texto tem muito a ver com a atual situação de polarização. As pessoas meio que se desacostumaram que não precisam ser sempre excelentes e que também podem errar. A forma de vermos tudo o que acontece ao nosso redor acaba recebendo um destes julgamentos bipolares: “É a melhor coisa que já vi na minha vida!” ou “Eu não gosto e ninguém deve gostar!“. Do mesmo modo, estamos nos acostumando a ver as coisas e simplesmente desmerecer ou usar uma onda de comentários para provar que o próprio ponto de vista está certo.

Há poucos dias, passamos pelo fenômeno Quarteto Fantástico, um filme que foi odiado pelo grande público (acredito que injustamente) e, além de mim, presenciei algumas outras pessoas sendo massacradas apenas por terem dito que haviam gostado do filme ou, ainda, que não concordavam que ele era o pior filme de heróis já visto, coisa que não é.

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Divulgação 20th Century Fox

Gosto de analisar fatos e elaborar o porquê de, cada vez mais, nos tornamos fiscais das vidas alheias, além de, em grande parte das vezes, não conseguimos aceitar uma visão divergente da nossa.

Creio que a massificação de informação e a grande leva de pessoas que busca seu espaço na internet pode ser levado em conta. Fiz algumas experiências na minha conta pessoal do twitter e percebi que, quando escrevo algo diferente do senso comum, ou ainda digo que não concordo com alguma visão que prevalece como sendo a prevalente, há pessoas tentando me provar o contrário. Acabamos esquecendo que a percepção, aquilo que chamamos comumente de gosto pessoal, depende muito das experiências das pessoas. Pode-se ter o direito de achar algo ruim quando todo mundo acha excelente e vice-versa. Existe um senso comum? Claro. Mas se alguém não quiser fazer coro a ele, é uma opção válida. Tem de ser.

A internet foi criada para ligar as pessoas, levar todas as mídias a serem reconhecidas, falar de tudo e facilitar para encontrar qualquer informação. Lembrem-se de que, se você gosta de um quadrinho de horror tosco da Coreia e não gosta de uma Graphic MSP, o mundo vai ter que entender. Sua posição vale para que os outros encontrem um caminho, tenham uma visão diferente do mesmo prisma. Ainda temos de evoluir muito na forma como nos relacionamos com a opinião alheia, e mais do que tudo, aprender a aceitá-las, sem transformar tudo nas famosas flame wars ou acabar com amizades por conta de ponto de vistas diferentes. Ainda pior: não se pode cercear a liberdade alheia de divergir. Afinal, você pode ter uma opinião diferente do seu colega e isso não precisa se tornar uma guerra.

Turma da Mônica: Laços. Arte Vitor e Lú Caffagi
Turma da Mônica: Laços. Arte Vitor e Lu Caffagi

Talvez este texto não tenha tido muito a ver com HQs e cultura pop. Ele é um pouco mais como um aviso de que algo está acontecendo, algo muito errado num estado democrático como é esse grande país global chamado internet. Não é preciso dar notas: as coisas não precisam ser um 10 ou 0, pois, mesmo nesta escala, ainda há muitas avaliações que podem ser atribuídas. Se você disser que algo é, digamos, nota 7, não quer dizer que ela é ruim, é inclusive acima da média. E se você atribuir uma avaliação mediana, como uma nota 5, não quer dizer que o objeto avaliado seja medíocre, muito menos que é a pior coisa que já existiu.

Não sei se vocês já repararam, mas, nos reviews, jabs e avaliações do Terra Zero, o conceito de notas foi praticamente abolido. Isso tem um motivo: a sentença que uma nota dá acaba valendo mais do que as palavras utilizadas para justificá-la e, no final, podem obscurecer um julgamento. É como acontece tanto em redes sociais: quem nunca leu uma manchete e já partiu para o ataque ou defesa, mesmo sem ter lido o texto a que ela se refere? Impor notas, no passado, quando o mercado pop era pequeno e se expandindo, foi algo muito importante, pois era necessário que existisse uma referência avalizada do que era bom e do que era ruim.

Pôster oficial do novo Quarteto Fantástico.
Pôster oficial do novo Quarteto Fantástico.

O mercado de quadrinhos se orientou desta forma, por exemplo. Hoje, porém, a imposição de notas para obras em um universo tão diversificado como o das HQs se tornou menos importante do que a avaliação das mesmas. No Terra Zero, cada resenhista dá a sua avaliação, a sua opinião, mas não impõe mais o crivo de uma nota, permitindo que o leitor participe do processo e deixando nas mãos dele a avaliação final das obras que lemos.

Acredito que devemos ser mais compreensivos e menos punitivos. O mais importante é não deixar que o Gentry tome conta de você.

Até a próxima! E a pergunta de hoje é: entre o filme novo do Quarteto Fantástico e o do Motoqueiro Fantasma, qual deles o melhor?

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