Boatos levantam suspeitas de nova interferência editorial na DC

No começo desta semana, três artigos do Bleeding Cool chamaram a atenção dos demais sites especializados por suas especulações e rumores a respeito dos resultados financeiros da DC Comics em 2015. Ambos escritos por Rich Johnston, blogueiro conhecido por acertar várias previsões sobre o mercado e as narrativas dos comics estadunidenses – e errar outras tantas, naturalmente.

O primeiro texto trouxe um número: dois milhões de dólares. Esta seria a atual subtração na estimativa de venda líquida de títulos da empresa em 2015, devido a motivos como as fracas vendas do evento Convergence, o aumento de vendas aquém do esperando após esse mesmo evento etc.

Algumas horas depois, em outro artigo, o mesmo autor alega que funcionários com mais tempo de casa mencionaram a ele que a equipe editorial (hoje chefiada pelos copublishers Dan DiDio e Jim Lee) deu a ordem para que se acabe com a “Batgirlização” do DCYou. Isso implicaria em um retorno mais breve do Superman ao uniforme e poderes que o consagraram, em sua versão Novos 52, entre outras mudanças mais drásticas. O Batman de Scott Snyder nem é levado em consideração, dado o fato de que a mudança que envolve Jim Gordon e Bruce Wayne tem mesmo a intenção de ser temporária.

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Ficha de personagem da nova Batgirl, por Cameron Stewart e Babs Tarr.

O conceito de Batgirlização não é distante de ninguém que acompanhe a DC nos últimos meses – ou, caso você seja leitor da Marvel, refira-se a isso como a Hawkeyezação. O conceito implica em dar um pouco mais de liberdade para os autores se arriscarem em narrativas experimentais e caracterizações um pouco diferentes, como as “aventuras fora dos Vingadores” de Clint Barton no título do Gavião Arqueiro escrito por Matt Fraction e David Aja – fase que, inclusive, rendeu prêmios Eisner à dupla, além do óbvio sucesso comercial em relação a qualquer outra fase do personagem.

Na DC Comics, esse fenômeno gerou polêmicas, como o novo uniforme da Batgirl e a direção da personagem, com arte de Babs Tarr e roteiros de Brendan Fletcher e Cameron Stewart. Especialmente pelo direcionamento ao público ter mudado, que agora é vendido como uma revista para meninas adolescentes, o que levou a uma intensa rejeição a uma capa alternativa que fazia referência à Piada Mortal, história na qual o Coringa aleija Barbara Gordon.

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Capa de Harley Quinn #0. Arte por Amanda Conner.

Um terceiro texto, lançado agora há pouco nesta quarta (26), lembrou, com as palavras da ex-editora Heidi MacDonald, que Dan DiDio não desejava a mudança do quartel-general da editora para a Costa Oeste dos EUA, em Burbank, na Califórnia. Sendo assim, ele pode ter sido forçado a isso por executivos da Warner, dona da DC Comics. Ela afirmou também que “o tom das revistas do DCYou definitivamente não foi decisão dele”.

Johnston, a partir daí, trouxe novos rumores: um plano de austeridade estaria por vir, com queda no pagamento por página aos criativos (o que é, até agora, um grande atrativo, já que a DC paga mais do que a concorrência) e o fim das cláusulas de 12 edições mínimas de trabalho – os títulos voltam a ser canceláveis a qualquer momento.

O DCYou, a partir das vendas de Batgirl com a nova equipe criativa e o sucesso de títulos como Harley Quinn, com roteiros de Amanda Conner e Jimmy Palmiotti (que instituiu-se, pelo menos por algum tempo, como uma das mais vendáveis, juntamente com a revista principal do Batman), deixou que as histórias tivessem prevalência sobre a cronologia, e então surgiram novas revistas com conceitos como We Are Robin, de Lee Bermejo, e caracterizações como o Superman de camiseta e jeans, quase sem poderes.

Esses rumores, verdadeiros ou não, provavelmente são baseados nos últimos números de vendas no varejo dos EUA. Marvel e DC, que permaneceram praticamente empatadas nos últimos anos, tiveram uma recente mudança de posicionamento no ranking. A Casa das Ideias foi a 41.59% das unidades vendidas, e 38.43% da arrecadação total, segundo os números de julho da distribuidora Diamond. A DC amargou uma distante segunda colocação, com apenas 24.30% das unidades e 23.94% do dinheiro. Como esse quadro se arrasta há pelo menos três meses, a queda na previsão de lucro não chega a ser fantasiosa, apesar de não ser confirmada.

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Capa variante de Darth Vader #1. Arte de Alex Ross

Agora, em relação ao possível recuo da DC de posições mais progressistas e experimentais em sua linha de super-heróis, caso isso seja um fato, pode ser baseado numa verdade parcial. Isso porque, apesar de ser verdade que Convergence vendeu aquém do esperado – especialmente nas minisséries tie-ina verdadeira diferença entre as duas grandes está no fator Star Wars. As histórias publicadas a partir do começo do ano pela Marvel tem vendas assombrosas, como as 300 mil unidades de Darth Vader #1. Isso é provocado pela propriedade em si e pela convocação de talentos do primeiro time  da editora para atrair também os fãs de meta-humanos, tais como John Cassaday, Mark Waid e companhia.

Todos estes pontos não necessariamente garantem que o DCYou voltará a ser como os Novos 52, mas acendem um sinal de alerta sobre os relatos de Rich Johnston. Caso tudo se confirme, será mais um caso de interferência editorial mais intensa, que deve gerar atritos internos, como os que ocorreram na fase imediatamente anterior de suas narrativas.

Porém, caso a avalanche de rumores não se confirme, tudo será transformado apenas em mais uma pedra no imenso muro que já se torna a discussão sobre a validade e a relevância dos rumores no jornalismo relativo à cultura pop no mundo.

Imagem de divulgação de DKIII: The Master Race
Imagem de divulgação de DKIII: The Master Race

Ou será que todos eles podem ser salvos pelo último volume do Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, em novembro?

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