QUAD 3: um gênero, quatro artistas

Aluísio C. Santos, Diego Sanches, Eduardo Ferigato e Eduardo Schaal estão, pela terceira vez em três anos, financiando um volume de QUAD no Catarse. O álbum QUAD 3 está com o financiamento coletivo disponível até 21 de agosto, já tendo quase uma vez e meia o valor pedido incialmente – precisava-se de R$ 17 mil, e o coletivo já arrecadou quase R$ 25 mil.

As histórias dos quatro autores giram em torno de um universo de ficção científica, em quatro núcleos distintos, mas que aos poucos estão se unindo para contar histórias compartilhadas. Neste volume, temos o retorno do Capitão Lucas, de QUAD 1, por Eduardo Ferigato; o robô ESP-Trent, um Exorcista de Softwares, por Aluísio C. Santos; o Chefe, em mais uma aventura comandando os Lixeiros, por Diego Sanches; e Elvis, o gato da mecânica Terah, mostrando o que aconteceu a ele depois da aventura junto de sua dona em QUAD 1, por Eduardo Schaal.

O livro terá 144 páginas, tamanho A4, miolo em papel couché fosco, preto e branco, com capa cartonada colorida e lombada quadrada. As contribuições começam em R$ 40 – um pouco mais altas que a média – mas já diretamente oferecendo a versão impressa da obra, sem intermediários em formato PDF. Em pacotes de R$ 75 ou R$ 110, o apoiador pode pedir os primeiros volumes, caso esteja conhecendo QUAD somente em 2015, facilitando a chegada de novos leitores. Além disso, os extras podem elevar o preço a até R$ 400, com itens como camisetas, sketches e páginas originais.

Caso a arrecadação chegue a até R$ 32 mil, todos os apoiadores também receberão um pôster A4, colorido, impresso em couché fosco de alta gramatura. Caso esse valor atinja R$ 40 mil, o livro será expandido para 160 páginas; as outras 16 servirão para mostrar o processo de criação de Aluísio, Diego, Ferigato e Schaal.

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Eduardo Ferigato (E), Diego Sanches, Edaurdo Schaal e Aluísio C. Santos (D) produzem o universo de ficção científica em conjunto desde 2013.

O Terra Zero conversou brevemente com os quatro autores. Confira:

Terra Zero: Na primeira edição de QUAD, 172% da meta. Em QUAD 2, 233%. Agora, com ainda quatro semanas, já temos 150%. Vocês acham que é natural do que vem sendo apresentado como resultado antes ou tem um trabalho de chamar o público cada vez melhor?

Diego: Esse crescimento é o que mais nos anima a continuar a fazer o QUAD. Ele mostra que já conquistamos algum público e que as pessoas estão dispostas a continuar lendo nosso trabalho, mas claro que não é só isso. Existe um trabalho constante de divulgação que nós fazemos, ou tentamos fazer pelo menos, com base em coisas que aprendemos nas campanhas anteriores.

Aluísio: Sem dúvida, como disse o Diego, com o passar dos anos vamos aprendendo mais sobre a divulgação e isso sem dúvida nos ajuda a atingir mais leitores. Muitas pessoas que apoiaram o 3 até o momento ainda não possuíam nenhum dos outros volumes, o que é um dado curioso e bem legal pra gente.

Ferigato: O que me deixa muito feliz é que, quando começamos, não pensamos em estratégias para o sucesso, nossa ideia era fazer algo que nós mesmos gostaríamos de ler. Foi uma maneira de extravasar nossa arte, sem limitações ou pessoas nos dizendo o que fazer. Gosto de pensar que o sucesso vem disso também, do nosso entusiasmo com esses personagens e como tudo fica cada vez mais interligado e maior.

Ao mesmo tempo que temos quatro bons artistas/roteiristas, o estilo parece ficar sempre próximo. Essa troca de vocês é constante? Do tipo: ah, esse meu colega aqui tem uma solução boa, vou lembrar disso, etc. Rola isso?

Diego: A gente não perde a oportunidade de dar pitaco um no trabalho do outro. Principalmente no roteiro e design dos personagens. Roteiro temos que ter tudo muito bem combinado, já que estamos cada vez mais entrelaçando os personagens e aprofundando o universo. Não podemos correr o risco de o que acontece em uma história contradizer ou entrar em conflito com outra.

Visualmente, o traço de cada um é bem diferente, mas criamos uma escala de três tons de cinza que podemos usar. Isso, junto com o projeto gráfico, faz com que o livro tenha uma unidade [visual], mesmo com o estilo particular de cada um de nós.

Schaal: Nós pensamos o QUAD como um grupo e fazemos a analogia a uma banda de rock, quase o tempo todo, ou seja, mesmo produzindo o material separadamente, ele tem que “soar” uniforme.

Temos estilos de desenho e roteiros diferentes, mas influências e um processo de produção parecidos. E mesmo as diferenças de traço não são gritantes, não pensamos em uma antologia que teria, por exemplo, um Robert Crumb ao lado do Hal Foster, por mais curioso que fosse, seria uma salada russa demais.

No final, mesmo o meu trabalho sendo mais realista e o Aluísio mais cartoon, Diego e Ferigato ficam na transição das duas pontas. Os quatro “tons” de QUAD.

Aluísio: Além disso também trocamos muitas “figurinhas” com referências visuais e de leitura. Uma coisa legal que passamos a fazer em QUAD 2 foi uma pastinha de Pinterest, onde temos referências que todos os quatro podem ver, contribuir e tal. Acho que isso também ajuda a manter uma certa consistência visual.

O que vocês fariam com os personagens além de HQs? Me lembro da estátua do Capitão Lucas, mas falo de expandir isso narrativamente, na verdade.

Diego: Vixe, temos um milhão de ideias. Apesar do QUAD ser primordialmente uma HQ, temos muita vontade de levar o QUAD para outras mídias.

Aluísio: O Diego já fez umas artes em Pixel brincando como se fosse um jogo, apelidamos na época de “QUADventure” mas por enquanto não é um plano – mas as ideias fluem muito.

Schaal: Como temos experiência em outras áreas além dos quadrinhos, tendo trabalhado com cinema e games, pensamos sim em levar o universo do QUAD para outras mídias.

Um curta-metragem em live action que mostre o potencial do material para o audiovisual está nos planos.

Ferigato: Além da expansão para outras mídias, gostamos de pensar no QUAD não só como um universo de histórias. Cada vez mais pensamos como uma empresa, então temos que lidar com logística, fluxo de caixa, planos para merchandising e tudo mais. Mas estamos indo aos poucos. A ideia é manter a qualidade, sempre.

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