Exclusivo: Entrevista com Eddy Barrows na 21ª Fest Comix

Além de comercializar literalmente milhares de quadrinhos, a 21ª Fest Comix também deu oportunidade para que sites e outros veículos jornalísticos batessem um papo com os artista presentes. Foi assim que o Terra Zero, mais uma vez, fez uma exclusiva entrevista com Eddy Barrows. Nascido no Pará e cidadão mineiro há anos, Eddy falou com o site sobre seus mais recentes trabalhos em Earth 2: World’s End e Martian Manhunter, easter-eggs nas revistas e até futebol.

Capa de Martian Manhunter Vol.4 #2, por Eddy Barrows, Eber Ferreira e Gabe Eltaeb.
Capa de Martian Manhunter Vol.4 #2, por Eddy Barrows, Eber Ferreira e Gabe Eltaeb.

Terra Zero: Vamos começar pelo trabalho que está saindo agora no Brasil: Earth 2: World’s End. Foi uma revista semanal com diversos personagens. Como foi voltar a este modelo de trabalho que você fez há tantos anos em 52 (2006)?
Eddy Barrows: Foi uma boa experiência, mesmo sendo uma revista semanal. Foi um pouco diferente, eu não desenhava as edições inteiras, apenas algumas partes, principalmente onde aparecia a Liga da Justiça da Terra 2. Admito que não é tão divertido quanto desenhar uma revista mensal. Até recebi convites para desenhar outras revistas semanais, mais prefiro trabalhar em uma a cada nove anos (risos).

Em 2011, no FIQ, conversamos sobre Nightwing Vol.3, a revista que você estava desenhando. Na época você disse que um dos pontos positivos de estar neste título era poder ter uma folga de desenhar equipes, o que resultava em páginas com muitos personagens. Então vieram Superman Vol.3, Justice League Vol.2 e Earth 2: World’s End. Como foi a experiência de voltar a desenhar equipes e por que você voltou a desenhar apenas um personagem, o Caçador de Marte?
Desenhar revistas com muitos personagens é um enorme desafio. É difícil desenvolver tantos heróis ao mesmo tempo, pois o artista tem que se desdobrar para fazê-los funcionar juntos e também separadamente. Um bom exemplo disso foi o próprio Caçador de Marte. Desenhei-o várias vezes na revista da Liga da Justiça, mas aprendi mais sobre ele na primeira edição de sua revista solo do que em todas as edições que fiz da Liga. E não posso reclamar, foi uma excelente experiência voltar aos super grupos. Embora seja cansativo, é válido para desenvolver melhor a narrativa e composição de páginas.

Arte de Martian Manhunter Vol.4 #2, por Eddy Barrows, Eber Ferreira e Gabe Eltaeb.
Arte de Martian Manhunter Vol.4 #2, por Eddy Barrows, Eber Ferreira e Gabe Eltaeb.

Fale um pouco sobre seu novo trabalho, Martian Manhunter. A DC lhe ofereceu a revista ou você teve liberdade de escolher o personagem? Você se identifica com ele? Não que você seja um marciano transmorfo, é claro (risos).
Sou verde como o Caçador de Marte (risos). Brincadeiras a parte, na verdade eu desenharia apenas o preview e as duas primeiras edições. Em seguida iria para outro titulo, mas o roteiro era tão bom e o personagem tão marcante que acabei pedindo para os editores para continuar no titulo. Sabe quando você tem algo nas mãos que pode desenvolver como quiser e testar coisas que jamais conseguiria em outra revista? Martian Manhunter Vol.4 tem sido assim. Cada edição é como assistir a um filme de suspense, nem dá para imaginar o que esperar no próximo numero. Rob Williams [escritor] está fazendo um grande trabalho. Eber Ferreira [arte-finalista] está em sua melhor forma com as tintas e tem o Gabe [colorista] que está fazendo um sistema de cor diferente para a revista. Com essa superequipe é difícil não sair coisa boa.

Martian Manhunter Vol.4 é uma revista mensal, surgida logo depois de você trabalhar em uma publicação semanal, Earth 2: World’s End. O que mudou em termos de prazos e abordagem visual?
Em termos de prazo, não mudou muita coisa. Porém, em termos de abordagem visual a mudança é enorme. Alterei o visual do Caçador de Marte, pude me inspirar no visual dos antigos faraós, criei todos os personagens que estão na revista. Até os vilões. Pude testar um novo tipo de narrativa que tem agradado muito os fãs e os críticos.

Falando em termos visuais, sua composição de página em Martian Manhunter Vol.4 está um pouco mais contida do que na época de Nightwing Vol.3. Rob Williams, autor da revista, deu uma entrevista ao Newsarama dizendo o quanto estava feliz por você cuidar da arte, já que você consegue entregar um material que ao mesmo tempo oferece uma atmosfera às vezes noir e às vezes super-heroica.
As revistas do Asa Noturna e o do Caçador de Marte são muito diferentes. O que funcionou em uma certamente não funcionaria na outra. Por isso sou mas contido e tento fazer algo mais dentro do universo do personagem, mas sem deixar que ela seja tão funcional quanto a narrativa ousada da revista do Asa Noturna. Acredito que a revista do Caçador de Marte é o meu melhor trabalho. Estamos um passo a frente do que foi feito no Asa Noturna. Quanto ao Rob, tem sido fantástico trabalhar com ele.

No mês passado publicamos uma matéria no Terra Zero sobre o jogo do Atlético Mineiro que você desenhou em Martian Manhunter Vol.4 #1. De onde veio a ideia?
Eu tinha que desenhar algo na TV do xeque, então tive a ideia de por uma partida de futebol, de preferência do Atlético Mineiro. Estou longe de ser um torcedor apaixonado, daqueles que vai aos estádios, assiste aos jogos na TV e chora quando o time perde. Nem camiseta do Galo eu tenho (risos), mas sou atleticano.

Página de Martian Manhunter Vol.4 #1, por Eddy Barrows, Eber Ferreira e Gabe Eltaeb.
Página de Martian Manhunter Vol.4 #1, por Eddy Barrows, Eber Ferreira e Gabe Eltaeb.

É inevitável perguntar isso: você jogou futebol? Tentou a carreira no seu time do coração antes de ser artista?
Que nada. Jogava futebol por diversão, nunca tive a pretensão de levar isso profissionalmente. Acredite, eu gosto mas de Fórmula 1 do que de futebol.

No Terra Zero, temos a teoria de que você ainda fará um easter-egg com “Ajax”, como o personagem era chamado no Brasil.
Eddy: Fiz isso na edição #2, é só procurar. Tem mais um easter-egg que ninguém ainda encontrou, nem os críticos. Engraçado que o deixei tão visível e acabou se tornando invisível (risos).

Garoto usa uma camiseta com a palavra "Ajax". Arte de Eddy Barrows, Eber Ferreira e Gabe Eltaeb.
Garoto usa uma camiseta com a palavra “Ajax”. Arte de Eddy Barrows, Eber Ferreira e Gabe Eltaeb.

O trabalho de Eddy Barrows no Brasil por ser conferido mensalmente na antologia Multiverso DC, da Panini Comics, que contém a aclamada The Multiversity, de Grant Morrison.

Além da entrevista com Eddy Barrows, o Terra Zero conversou com outros artistas e marcou presença na 21ª Fest Comix. Fique ligado no site para mais novidades e material exclusivo.

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