As diversas formas de amar de Habibi

Quando vi Habibi a primeira vez, foi amor à primeira vista. Um calhamaço de folhas protuberante com uma capa vermelha. Durante minha cruzada para adquirir o livro, acabei descobrindo coisas interessantes e que me levaram a admirar ainda mais o trabalho impresso nas páginas destas obra tão singular de Craig Thompson.

A graphic novel Habibi, que contém 658 páginas, foi escrita e desenhada pelo talentosíssimo Thompson e chegou ao Brasil pelo selo da Quadrinhos na Cia e teve recepção positiva pelo público e crítica especializada. É possível afirmar que esse é trabalho é um investimento com 100% de apreciação.

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O autor de Habibi demorou cerca de oito anos para escrever e desenhar toda a história. Existiram vários motivos: as viagens ao oriente médio para estudo de paisagens, entrevistas, o estudo do Corão e toda a parte árdua de desenhar a história encantadora, além do grave problema de tendinite que o obrigou a parar sua produção. A busca inicial de Thompson por exta história pode ser lida em Carnet de Voyage, publicado pela Top Shelf.

Em Habibi, vamos conhecer Dodola e Zam, dois ex-escravos que vão passar por todos os empecilhos para buscar o amor e encontrar-se. A temática da história parece muito simples: um casal que se separa e luta para se reencontrar. A forma delicada e cheia de tato do criador é o ponto máximo da narrativa. Vamos conhecer durante a saga dos apaixonados várias lendas do Oriente Médio, ao estilo de As Mil e Uma Noites, e passar por preceitos religiosos, tudo isso com a arte minuciosa e linda do artista.

A história transcorre na contemporaneidade, mas em momento algum se fala qual é o local. Só sabemos que estamos no Oriente Médio graças à cultura. O autor ilustra pontos importantes da sociedade do lugar, mostrando a despreocupação com o saneamento da cidade, a diferença das classes sociais e problemas característicos da região.

A história pode levar o mais duro leitor a marejar os olhos em várias partes da história. Alguns exemplos que ocorreram enquanto este texto era preparado: quando Dodola passa por um arem de um sultão onde é presa, estuprada e quase morta, ou quando o menino Zam parte em uma busca espiritual para tentar se conectar com seu grande amor.

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Essa HQ tem um ar especial a cada página, pois a cruzada dos personagens é intensa e demonstra como ambos ficam perdidos, um sem o outro. Quando fala de amor, Thompson tem esmero para produzir uma narrativa que expõe os vários jeitos de amar uma pessoa. Dodola começa como uma garota que protege Zam e após um tempo a situação tende a se inverter e, enquando a roda da história gira, novas reviravoltas nesse amor ocorrem.

É preciso ressaltar que Thompson conseguiu criar personagens muito humanos, com medos, receios e vontades reais. Isso ajuda ainda mais o leitor a se ambientar no universo narrativo proposto. A arte do álbum é cirúrgica, existe um cuidado em cada página, dando movimento e fluidez ao trabalho.

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Talvez alguns leitores tenham receio de ler algo tão extenso, mas não se preocupem: a narrativa gráfica de Thompson é perfeita e ele é um mestre na ilustração em preto e branco: o trabalho com nanquim e sombreamento é esplêndido. Não é à toa que o artista ganhou o Eisner de 2012 por seu trabalho em Habibi.

Particularmente, considero o impacto desta obra um divisor de àguas, pois aprendi que não devemos deixar o preconceito te afastar das coisas. Habibi é profundo, romântico, triste e, certmente, você irá torcer pelo casal

Pois, no final, a vida é um curso e é preciso segui-la, aproveitando as chances que surgem para que se seja feliz.

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