Resenha: Secret Wars #1 – Os Últimos Universos

Cuidado! Spoilers abaixo! Leia por sua conta e risco!


Começou a última Incursão do Universo Marvel. As Terras 616 e 1610 aparecem, em rota de colisão, uma contra a outra. Duas populações super-heroicas entram em combate. Ambas perdem.

Para quem está acompanhando Vingadores e Novos Vingadores, esta história é óbvia, mas precisamos passar por ela. Desde que o mapa de Secret Wars foi revelado, sabia-se que não iria restar nenhum outro universo, apenas no Battleworld. Para os mais atentos, portanto, o resultado deste confronto entre o Universo Marvel e Ultimate Marvel do primeiro número já era conhecido.

Mas para quem quis começar agora, recapitulo rapidamente.

Incursões

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As incursões são um fenômeno de contração do multiverso da Marvel Comics: o ponto focal de todos os universos paralelos da editora é o planeta Terra. Sendo assim, duas Terras próximas se chocam, e seus respectivos universos são destruídos junto com elas. A única forma de prevenir isso é se um dos dois planetas for destruído, o que faz com que a realidade oposta sobreviva.

Todo esse processo foi iniciado pelos Beyonders, uma raça que teria criado o universo, e agora quer destruí-lo como parte de um experimento, observável de locais dimensões acima. Dentre eles, o Beyonder original, das primeiras Guerras Secretas, de 1984, seria somente uma criança.

Tudo isso foi descoberto e apresentado a partir da primeira edição de Novos Vingadores de Jonathan Hickman, de janeiro de 2013: T’Challa, o Pantera Negra, acaba entrando sem querer numa área de incursão, quando presencia a destruição de um universo vizinho pela Cisne Negra, uma jovem de olhos negros, pele e cabelos brancos.

A Edição

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Devido a vários fatores, todos os outros universos já foram destruídos – ou pelos Iluminatti da Terra 616; pela Cabala, um grupo liderado por Thanos com o mesmo objetivo, mas métodos mais brutais; e pelo Reed Richards do Universo Ultimate, o vilão chamado Criador.

Mesmo só havendo os dois universos, o tempo de incursão entre eles é mais curto, devido às maquinações do Grande Destruidor, Rabum Alal. Ele, na verdade um Dr. Destino viajando no tempo para impedir a destruição do Multiverso, acidentalmente acelerou esse processo ao confrontar os Beyonders, reduzindo drasticamente o número de Terras – de dezenas de milhares para uma dúzia.

Assim, resta apenas uma última batalha para ver qual universo sobrevive: 616 (o universo regular) ou 1610 (universo Ultimate). A batalha ocorre na Terra 616, com uma invasão de aeroporta-aviões da S.H.I.E.L.D. Ultimate, liderados pela base móvel Triskellion, mais a cidade voadora hiper-desenvolvida do Reed daquela realidade. O Criador chega a enviar tecnologia igual a que ele usou para liquidar outros universos anteriormente – e tem a Cabala, composta de personagens 616, ao seu lado.

Os Vingadores de múltiplos times que sobreviveram até aqui estão reunidos num plano de fuga – Tony e Steve finalmente resolveram suas diferenças e estão aparentemente mortos, soterrados por um aeroporta-avião. Eles estão reunidos no Edifício Baxter e tem um plano de contingência para levar os cientistas mais capazes para um novo universo, e quem sabe recomeçar a raça humana, e são liderados pelo Pantera Negra e pelo Quarteto Fantástico – que deveria estar separado, mas a Marvel nunca deu lá muita atenção para a cronologia, não é verdade? Mas então o ataque começa.

(Edit: em um comentário, Dan nos lembrou que o final da equipe se passa pelo menos meses antes disso na cronologia, e as últimas edições de Vingadores e Novos Vingadores reúnem novamente a família. Talvez a similaridade com Multiversity tenha deixado este redator confuso com os rumos dos acontecimentos – mas falaremos sobre esse outro assunto no One-Shot sobre Multiversity #2)

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Uma nave, que trazia vários dos cientistas (incluindo o Dr. Hank McCoy, o Fera dos X-Men) acabou sendo abatida no fogo cruzado. Vários dos heróis chegam para lutar contra as forças do Universo Ultimate: Homem-Aranha, Capitã Marvel, Inumanos, Thor, Hulk, Mulher-Hulk, e até os Guardiões da Galáxia – estes últimos provavelmente para se relacionarem com novos fãs, vindos dos sucessos do cinema, já que até Drax parece não gostar muito de estar lutando pelos humanos.

Devido aos acontecimentos catastróficos, Dobra, um aborígene capaz de teleportação da mais recente formação dos Vingadores, fica para trás trazendo os substitutos dos cientistas para sair da Terra. Entre eles, muitos dos que estavam em combate, incluindo o atualmente terrorista Scott Summers, que trouxe o Ovo da Fênix para chocar e deixar a entidade cósmica invadí-lo, na esperança de deter as forças invasoras.

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O cenário na Sangria (sim, o termo utilizado é o mesmo que na DC) não permite que a nave multiversal do Quarteto siga sem avarias, o que acaba vitimando o Coisa, Sue, Johnny e os filhos do casal Richards, que se perdem no espaço entre universos.

As últimas páginas praticamente não tem desenhos, contendo somente imagens das duas Terras finalmente se chocando, como previsto, e o monólogo de Reed depois de perder sua família.

A edição é boa. O texto de Hickman parece mais afiado que nunca no começo do fim da história que ele queria contar sobre o Universo Marvel, levando toda a atual continuidade junto com ele. Há um balanço entre a porradaria 616 vs. 1610, o cenário de apocalipse geral, com vários dos heróis ajudando os cidadãos de Nova York, como o Aranha e a dupla Punho de Ferro e Luke Cage, e ainda reflexões pessoais como a do Reed. Tudo amarrado com a ficção científica que o autor coloca desde 2012 sobre as séries.

Pode-se discutir, quem sabe, se foram ou não forçadas essas inclusões – mas Geoff Johns fez coisas semelhantes com o Lanterna Verde na década passada, agregando uma grande quantidade de novos elementos à mitologia de um único personagem em pouco tempo. Para um universo ficcional inteiro, então, esse impacto é ainda mais reduzido.

Visualmente, o trabalho de Esad Ribic (que estará no Brasil na CCXP deste ano) combina bastante com o tom épico e ao mesmo tempo familiar da história. Alguns personagens parecem estranhos, mas fico com a impressão de que o artista não está acostumado com tamanha diversidade de silhuetas heroicas na mesma revista. Ou quem sabe ela foi meio corrida, enfim.

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As cores estão aquém do esperado. Aquém do que a capa promete com uma ilustração de Alex Ross. Apesar de as linhas serem bem executadas, como citado acima, Ive Svorcina não entrega cores dignas da potência do evento para a Marvel Comics. Se era pra ser importante para toda a editora, por que então os tons pastéis? Por que céus que deveriam ser vermelhos quase rosas? Fiquei com a impressão de que, nesse quesito, falta alguma coisa.

Mais difícil de notar é a atenção do letreirista Chris Eliopoulos em relação às falas, utilizando as fontes bases dos dois universos sem erro. Na bagunça que é a batalha entre ambos, seria fácil se perder, ainda mais quando se faz uma megassaga.

Apesar de tudo, Secret Wars #1 é um ótimo começo. Afinal, apesar da conclusão óbvia do surgimento do Battleworld, ainda é uma boa revista que traz as nuances e os detalhes sobre o acontecimento. Mas espero que os próximos números sejam melhores. Talvez por não manter minhas expectativas altas demais é que seja um bom começo.

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