Felipe Cagno em nova campanha no Catarse

O editor e roteirista Felipe Cagno volta ao Catarse com seu projeto de maior sucesso, 321: Fast Comics, buscando via financiamento coletivo. Sua meta é publicar o segundo volume desta obra tão singular no mundo das HQs.

A proposta da antologia de quadrinhos é juntar alguns dos melhores artistas que trabalham com HQs no Brasil com um desafio: 3 páginas, 2 personagens e 1 final surpreendente.

Dentre os 50 colaboradores do projeto têm nomes como: Ivan Reis, Joe Prado, Rod Reis, Bira Dantas, Brão Barbosa, Marcelo Maiolo, Estevão Ribeiro, Daniel Esteves, Raphael Fernandes e Gustavo Borges, entre outros.

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Este projeto tem uma ideia bastante arrojada: o 321 fez uma parceria com o site DeviantArt – rede social onde artistas publicam artes – e está procurando novos talentos, para participar da antologia com histórias e pin-ups. Os artistas melhores colocados receberão prêmios em dinheiro.

Neste ano, Cagno conseguiu viabilizar o primeiro volume de 321: Fast Comics no Kickstarter, tendo uma boa repercussão nos Estados Unidos.

O Terra Zero entrevistou com Felipe Cagno, onde ele revelou como trabalha com uma obra tão cheia de colaboradores, contou sua experiência no EUA lançando o 321: Fast Comics e explicou como está sendo a seleção para o concurso que busca novos talentos junto ao DeviantArt.


 

Terra Zero: Olá, Felipe! Vamos falar de 321: Fast Comics. Como é chegar a um segundo volume desse projeto?

Felipe Cagno: É sensacional. Quando eu pensei no conceito do 321: Fast Comics, nunca foi para lançar uma série, era para ser apenas um livro com alguns artistas com quem eu queria muito trabalhar. Mas a receptividade foi tão boa, em especial entre os artistas brasileiros, que nem tinha como parar em um livro só.

Fui conhecendo mais e mais artistas talentos e percebi que um livro não seria suficiente para colaborar com todo mundo! A ideia agora é lançar mais dois livros da série, um este ano, o Volume 2 atualmente no Catarse e o último, para fechar a trilogia, em 2016, quem sabe com ainda mais artistas internacionais para a diversidade ser maior.

Nesta segunda coletânea você conseguiu agregar mais artistas de alta performance do mercado brasileiro. Como você faz para organizar uma equipe tão qualificada?

Listas, listas e mais listas! (risos) É lista dos ilustradores, dos coloristas, dos roteiros, haja lista! E, claro, tem que ter uma enorme lista geral, com todas as histórias e em que estágio elas estão, para me organizar em meio a tanto conteúdo sendo produzido ao mesmo tempo.

São 31 histórias confirmadas nesse novo livro, com mais de 60 artistas trabalhando nelas, entre ilustradores, coloristas, roteiristas convidados, arte-finalistas e o letrista, que divide o trabalho final dos balões e onomatopéias comigo.

Seria bem fácil se perder na organização, sendo que cada história é produzida em um ritmo diferente. O importante é sempre estar em contato com todo mundo, acompanhando de perto o progresso deles, sabendo quando pressionar um pouco mais e quando deixar mais solto. Eu, como editor, tenho que entender que artistas trabalham no seu ritmo, mas, mesmo assim, tenho sempre que deixar claro que o livro vai para gráfica em tal data.

Agora, todos os artistas do 321 são profissionais, todos entendem a responsabilidade e o compromisso de entregar o seu trabalho, nunca tive muitos problemas com isso. É mais ficar acompanhando mesmo e ter uma senhora organização do meu lado. Eu não posso me perder em meio a tanto material sendo produzido.

Conversamos há alguns meses sobre seu trabalho com Kickstarter com a edição em inglês do 321: Fast Comics Vol 1. Com o lançamento fora do Brasil, o que está aprendendo e o de que forma os estrangeiros receberam o projeto?

O projeto foi bem recebido, ninguém dá muita bola não por ele ser estrangeiro. Se está sendo lançado em inglês e nos EUA, consideram isso uma HQ americana como outra qualquer. A graça do 321: Fast Comics está mais em ser uma antologia, algo pouco usual no mercado, mas sempre muito bem-vinda.

A parte mais legal no entanto é ver a reação do público estrangeiro folheando a HQ e se impressionando com a arte, aí quando digo que é feita toda por brasileiros, rola aquele olhar de “Sério? Puxa vida… o Brasil vai dominar os quadrinhos.” Aí sim, entra essa impressão da HQ ser estrangeira, só num segundo estágio.

E também é aí que percebo o quanto os brasileiros que trabalham com as grandes editoras realmente estão dominando o mercado dos EUA e como temos um potencial enorme dentro do Brasil que está sendo pouco aproveitado, ainda. O talento já existe, a vontade de produzir também, e o quadrinho nacional está fervendo com tantas novidades, pena que ainda falta uma distribuição profissional e um mercado de fato melhor formado.

Indo a alguns eventos e lançando o quadrinho nos EUA, é muito legal ver que a procura pelo público é maior, existe um mercado formalizado, você entra para competir e conquistar um espaço cada vez mais disputado. Ao mesmo tempo que é mais difícil entrar no mercado americano, o retorno também é maior e mais imediato, você consegue chamar a atenção de outros profissionais, de editoras especializadas e pode, de cara, abrir novas possibilidades de trabalho.

O tempo investido nas HQs autorais, de menor circulação, é menor nos EUA se você realizar de forma constante um bom trabalho com quadrinhos, as portas vão se abrindo naturalmente para tiragens maiores, títulos mais famosos, etc. Já no Brasil, até os quadrinistas mais populares ainda pesam se vale a pena lançar por editora ou lançar um volume autoral de forma independente, isso pela falta do mercado formalizado.

Na página do projeto do Catarse você está com várias metas estendidas esperando para serem anunciadas. Você já pode anunciar alguma delas para nós, já que o projeto certamente irá exceder a meta?

Tivemos um começo excepcional com a nossa campanha do Catarse para o próximo volume, superou todas as minhas expectativas e realmente temos algumas metas estendidas programadas, mas eu prefiro ir anunciando aos poucos mesmo.

Como novidade exclusiva ao Terra Zero, vou soltar só a nossa primeira, porque é algo que já estou correndo atrás para dar certo: uma galeria exclusiva de pin-ups feitas especialmente para o livro e material de Making Of. Se chegarmos nos R$32.100 antes do fim da campanha, a contagem de páginas do livro vai girar em torno de 160 páginas, todas coloridas.

Você junto com o DeviantArt estão fazendo um concurso bem interessante para conhecer novos talentos? A receptividade dos novos artistas tem sido boa?

Sim! Estamos oferecendo R$ 1.500 em prêmios, além de publicar no livro as três melhores histórias no formato “321” e as três melhores pin-ups dentro do tema “Restaurantes e Cafés dos anos 1950 e 1960”.

A maior vontade por trás do 321 original era colaborar com diversos artistas de uma vez só e essa vontade só tem crescido mais e mais, toda vez que conheço novos artistas. Foi daí que surgiu a ideia do concurso e espero que muitos novos talentos participem!

Até aqui, já tivemos quase 50 participantes e muita coisa boa, muita mesmo. Já vai ser difícil selecionar os vencedores hoje; espero que, a cada dia que passe, fique cada vez mais e mais difícil, com tantos talentos. E mesmo que uma arte não seja vencedora, vamos no mínimo postar ela na página oficial do “321: Fast Comics” e no DeviantArt, ficando aí um incentivo a mais.

Então, Felipe , deixe uma mensagem para os leitores do Terra Zero e, bem, venda seu peixe!

Eu queria agradecer ao Terra Zero pela oportunidade da entrevista e deixar aí o convite para os leitores virem conhecer o jeito “321” de se contar uma boa história em quadrinhos.

Acho que essa série será sempre a que vai chegar mais perto de agradar a gregos e troianos só pela diversidade das histórias e estilos de arte. Tem de tudo, literalmente, desde robôs, piratas, dinossauros e westerns até lobisomens, vikings, contos de terror e mais. Juntando os dois livros até aqui, com certeza o leitor vai se encantar com alguma história ou alguma arte, se é que não curtir todas.

A nossa lista de artistas para o volume 2 contém desde grandes nomes da Marvel, DC, Image e Dark Horse até grandes talentos das webcomics, quadrinhos nacionais e outros trabalhos mais artísticos. Vale muito a pena conferir e apoiar. Além disso, quanto mais cedo batermos nossa meta, e estamos quase lá, melhor e maior será a versão final do livro.


Para participar do concurso do DeviantArt e ficar por dentro das regras, datas e informações, basta clicar aqui.

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