[Emulador de Críticas] Planeta dos Macacos de Pierre Boulle

E aí pessoal! Maio está terminando, período bem muito atribulado, novidades nos quadrinhos, várias polêmicas envolvendo minorias e royalties e mais um mês do “All New Terra Zero” se finaliza. Uma vez mais volto para escrever o Emulador e botar em pauta algo extraordinário que tive acesso durante os últimas 30 dias. Esta coluna vai abordar um tema que gosto bastante, macacos e viagens interplanetárias, graças ao épico literário Planeta dos Macacos.

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A Editora Aleph nos enviou um exemplar do livro Planeta Dos Macacos, do autor francês Pierre Boulle. Esta obra do autor de A Ponte do Rio Kwai,  escrita originalmente 1963, ficou mundialmente reconhecida pelo filme de título homônimo, lançado em 1968. Este feito acabou sendo parte decisiva para trazer os macacos para dentro da cultura pop de forma poderosa (os quadrinhos, graças ao visionário Julius Schwartz, já passavam por esse processo) e, até hoje, é uma franquia bastante explorada no cinema, tendo sua última película lançada no ano passado e um reconhecimento altíssimo por conta da crítica e do público.

Eu ainda não havia lido o livro, que apenas recentemente tinha chegado ao Brasil (por meio de uma edição de bolso mal divulgada da BestBolso), e apenas visto o filme clássico. Mas, no prefácio da ótima edição feita pela Aleph, há um alerta de que o romance tem um desfecho muito diferente da película de 1968 e, de fato, isso foi um grande chamariz para que me prendesse a leitura desta obra.

Dentro das páginas da obra, vamos conhecer o diário de bordo do astronauta Ulysse Mérou, que é encontrado à deriva em uma garrafa no espaço por um casal chamado Jinn e Phillys. Nessas páginas, Ulysse relata sua viagem a um sistema espacial que tinha como estrela maior um sol vermelho chamado Betelgeuse. Neste local desconhecido, ele encontra um planeta que se assemelha com a Terra. Porém, quem domina o local são os macacos e os humanos são seres bestiais e usados em tarefas de menor prestigio para aqueles primatas.

O livro tem uma narrativa envolvente, explora as camadas da sociedade humana, utilizando os primatas para criticar algumas práticas dos homens. Enquanto o astronauta se questiona sobre as diferenças entre humanos e macacos, ele vai encontrando cada vez mais similaridades entre os dois povos. A escrita de Boulle é arrojada e de fácil acesso, sabendo trabalhar muito bem o contexto de ficção científica, explicando acontecimentos sem muito didatismo e fazendo que a história ter um andamento impressionante e com um desfecho incrível.

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Vale ressaltar que a Aleph teve a ótima ideia de trazer vários extras no livro. Além da história do Planeta dos Macacos, temos uma entrevista com Pierre Boulle que explora a opinião do autor quanto às diferenças do livro e do filme, um ensaio jornalístico que foi publicado pela BBC em 2014, contando a história do escritor do livro quando trabalhava para o serviço secreto da França, durante a Segunda Guerra, além de um texto feito pelo estudioso Bráulio Tavares sobre particularidades da escrita de ficção cientifica na França e questões fundamentais da trama do romance.

Para não falar que estou apenas analisando um livro, vale ressaltar que Planeta dos Macacos é uma franquia tão forte que, durante os anos 1970 no Brasil, a Editora Bloch lançou dezessete edições da HQ do mundo dos primatas.

Capa de Planeta dos Macacos #1 (Bloch). Arte de Rich Buckler.
Capa de Planeta dos Macacos #1 (Bloch). Arte de Rich Buckler.

O título em questão era licenciado pela Marvel Comics e com roteiros do veterano Doug Moench, escritor que se tornou conhecido por longos anos ao escrever o Batman para DC Comics, além de ser o criador do Cavaleiro da Lua para a Casa das Ideias. O título explorava o universo criado pelos filmes lançados durante os anos 1960/1970. Atualmente, a dona dos direitos para adaptações de Planeta dos Macacos para as HQs é a editora estadunidense Boom Studios, que vem retratando e explorando o universo cinematográfico do primatas falantes.

Está dada a dica literária do mês!

Até a próxima! E a pergunta pra vocês é: Existe coisa mais legal que macacos e viagens no tempo, tudo junto e misturado?

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