Direto do Front: Um mês de luta e resistência

Meu é Johnny Dan Carter e falo direto do front da convergência. Mas você já sabe disso, não é mesmo? Nesta última semana comecei a entender o plano de Telos e porque Dick Grayson tem importância pra ele. Mais que isso, pude testemunhar a resistência de heróis esquecidos, superseres ou simples humanos dotados de perseverança e muita força de vontade. Tive a oportunidade de visitar, nestes últimos sete dias, diferentes versões de Metrópolis e outras cidades e mais uma vez vi de perto a Crise que aconteceu antes de eu nascer. Na verdade, de acordo com Deimos, houve uma Crise ainda mais antiga que essa, mas comentarei isto mais adiante.

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Primeiramente, quero falar sobre o Besouro Azul e sua equipe, leitor. Estive pela primeira vez em Hub City – “uma” Hub City seria mais correto — e vi de perto o que heróis marginalizados podem fazer pelo bem das pessoas. Na verdade, pude presenciar também atitudes que beiraram o limite da ética, especialmente quando se trata de vigilantes e protetores. Nathaniel Adam, outrora Capitão Átomo (e eu não ouvia falar dele desde que ele impediu que um meteoro de kryptonita atingisse a Terra, mesmo que esta versão seja um pouco diferente da que conheci), cuida da criminalidade da cidade com mão de ferro, graças à sua filiação às forças armadas. Percebo que estes ex-heróis mantêm contato, mas há grande conflito entre eles. Vigilantes como o Questão e o Besouro Azul estão na ativa, mas por motivos diferentes: o enigmático detetive continua a caçar o crime como repórter e como o homem sem resto; Ted Kord, por outro lado (e este era o Besouro que vi morrer em minha Terra anos atrás), busca uma forma de derrubar o domo de Telos.

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O Questão é, sem sombra de dúvidas, o herói mais inteligente que vi até agora. Ele sacou que Telos é apenas um narrador, que há uma força maior em ação: “Suspeito que Telos seja apenas um narrador não confiável. Será que podemos acreditar em uma palavra que ele diz?”, afirmou o herói sem rosto. Ele está certo. Se eu pudesse avisá-los, diria que um monstro chamado Brainiac está por trás de tudo isso. Felizmente, Ted Kord tem um gênio inventivo acima do normal e consegue abrir uma fresta no domo com uma arma de laser que criou. Assim, o Capitão Átomo volta a ter poderes, assim como seu grande inimigo, o Doutor Espectro. Porém, sou surpreendido pela visão do homem dourado novamente e então descubro, junto com os heróis, que a fresta no domo foi aberta por ele, não pela arma de Ted. O misterioso homem dourado está começando a se parecer com alguém que já vi, mas ele está rodeado por uma luz amarela muito brilhante, é difícil identificá-lo. De qualquer forma, ele desaparecer da mesma forma que apareceu e os poderes dados ao Capitão e ao Doutor desaparecem. O Inseto, a nave do Besouro, consegue salvar os rapazes e entre estranho trio se prepara para a batalha que Telos preparou para eles após a queda do domo.

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Diante de uma Crise, notei que os céus ficam vermelhos. Em Hub City notei um fenômeno diferente. O céu está verde-musgo. O que virá por aí? Sou sugado para uma Terra de inocência e valores antes que receba a resposta. Noto, mais uma vez, que o domo bloqueia a magia, e os pobres Billy e Mary Batson e Freddy Freeman não podem se tornar a Família Marvel (não me pergunte como sei disso, leitor, quanto mais tempo sou arrastado e sugado pela convergência, mais descubro memórias que talvez não sejam realmente minhas). Fico muito surpreso e nostálgico com o desenrolar da história desta Terra. Ainda que a Família Marvel tenha que enfrentar um plano maligno do salafrário Dr. Silvana e da Sociedade dos Monstros, há um certo ar de inocência aqui. Seus poderes são obviamente recuperados após a queda do domo, mas seus inimigos sabem suas identidades e tudo acontece em uma caverna. E mais: os vilões não são realmente mortais e os heróis triunfam com uma justiça tão pura…. é de tocar o coração. Será que Telos teria coragem de eliminar uma Terra em que nem o mal é tão ameaçador assim?

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Antes que eu possa saber, navego novamente para uma outra realidade. Percebo que há fragmentos do espaço-tempo que estão se confundindo e chego a conclusão de que, após um mês falando direto do front, estou em uma espécie de loop temporal. Enquanto me sugam para uma Metrópolis protegida por um novo Batman e uma versão que não conhecia da Caçadora, vislumbro fragmentos do futuro: os dois Eléktron juntos, Lois Lane tentando dar a luz ao filho do Superman…. Isso só pode significar que nos próximos dias estarei diante das Terras que visitei no começo de minha aventura e poderei presenciar a continuação de suas histórias.

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Fico estupefato ao descobrir que o Batman morreu na Terra que visito. Mais que isso, Helena, sua filha, carrega grande fúria no coração. Como se não fosse o bastante, eu os acompanho até o local que Telos estipulou para a batalha e dou de frente com algo inimaginável: um Superman russo! Soviético, pra ser mais exato, pois, pelo que percebi, neste mundo a União Soviética ainda existe. Há tensão no ar. Heróis das duas maiores potências do mundo estão frente a frente e, antes que eu possa pensar no que vai acontecer, Dick Grayson ataca o Superman de dentro do Batmóvel com mísseis. A tensão aumenta e as pessoas à nossa volta arregalam os olhos. A troco de nada, aparentemente, o que surpreende ainda mais.

Esqueçam o que os filmes mostraram sobre “a ameaça comunista”. O Superman desta Terra é tão valoroso e dotado de princípios e integridade quanto qualquer um que já vi. Isto prova, leitor, por “a” mais “b” que fazer o bem quebra as barreiras da nacionalidade. Superman e Batman se entendem e se saúdam, como sempre deve ser. Dick, que em outras Terras era apenas um agente secreto ou o Asa Noturna, leva adiante o manto do Batman com orgulho. Ele é um grande herói, segue bem os passos de seu mentor. Mais que isso, os dois notam que a luta entre eles é desnecessária. A batalha de verdade deve ser engajada contra a força que deixou todos presos nos domos.

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Infelizmente, Helena e sua impulsividade não pensam da mesma forma, e ela prefere atacar os soviéticos na esperança de que isso impeça sua cidade de morrer. O Superman a impede, mas ela…. Ela se mata! Usa uma espécie de dispositivo de explosão do Batmóvel e tira sua própria vida! Não acredito no que vejo, leitor. Por que uma heroína faria isso? Por que alguém que jura proteger inocentes e lutar ao lado de seus iguais não pensou duas vezes antes de fazer isso?! Antes que minha resposta chegue, sou arrastado para outra Terra. E, mais uma vez, vejo um Superman soviético, diferente do anterior.

Aqui, nestas duas realidades, as coisas parecem mais calmas. Estou chocado com o que houve com Helena, mas não tenho tempo para me recuperar. Este mundo soviético é mais amplo. Há versões do Lex Luthor e da Mulher-Maravilha aqui, mas totalmente diferente de tudo que eu – e você, leitor – já viu. Lex é americano e parece não gostar nem um pouco de estar na companhia dos russos. Superman está sem poderes, pousando então sobre o intelecto de Luthor dar um jeito de tirar a cidade do domo. Ao olhar mais adiante, vejo uma outra Terra, também protagonizada por um Superman em Metrópolis. Todavia, sendo mais velho, mais experiente e agora sem suas capacidades kryptonianas, ele revelou sua identidade ao mundo. Todos sabem que Superman e Clark Kent são a mesma pessoa e que ele e Lois Lane são casados. Foi corajoso da parte deles. O melhor de tudo é ver que eles estão levando vidas normais e não são rechaçados por um segredo mantido há tanto tempo. As pessoas realmente o amam, como amam sua prima, Kara, que um dia já foi conhecida como Poderosa.

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A normalidade das vidas dos super-heróis é algo que poucos têm o prazer de presenciar. Nunca pensei nisso antes, mas eles são celebridades em seus mundos. Algumas questionáveis, algumas inspiradoras, como toda celebridade é. E, assim como neste mundo de famosos, há os heróis icônicos e há os marginalizados. Prova disso foi minha visita a Hub City minutos (horas? dias?) atrás. A capacidade e dedicação daqueles vigilantes é imensa, mas eles não são tão reconhecidos como a Mulher-Maravilha ou o Batman, por exemplo. Por quê? Uma questão de abordagem quanto ao heroísmo, talvez? Pensarei nisso depois. Mal tenho tempo de ver o domo cair e os Supermen recuperarem seus poderes e logo sou levado a duas novas realidades, aparentemente conectadas de alguma forma.

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Estou diante de um paradoxo.

As duas realidades que cujos eventos testemunho agora estão no mesmo tempo, são mostradas pela mesma Terra (a Terra 2, uma diferente da que aterrizou no planeta de Telos no começo da batalha) e acontecem na mesma cidade. Metrópolis. Ainda há outras semelhanças aqui: a velha Sociedade da Justiça, cujos membros possuem filhos que formaram a antiga Corporação Infinito, se dividem entre as duas realidades, mas parece que elas não se encontram em nenhum momento. Se Telos tinha algum padrão cronológico para colecionar cidades, aqui ele prova ter um poder ainda maior: embaralhar realidades. Em uma, a antiga SJA envelhece amargurada com a vida. O peso da idade finalmente chega a cada um deles quando seus poderes somem graças ao domo. Todavia, quando ele está prestes a cair, Kent Nelson, o Sr. Destino, que estava em coma, acorda e revela que esta é a última chance da SJA. É a batalha final. A Sociedade renasce e eles estão prontos para darem suas vidas pelo mundo!

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Seus filhos, no entanto, estão na outra Metrópolis. Estão aqui Nuklon, Jade, Manto Negro e tantos outros tentando levar suas vidas. Sideral precisa que a Corporação Infinito volte, e ela retorna quando o domo cai. Porém, uma batalha estranha está diante deles e esta é a coisa mais insana que já vi. Um pistoleiro que se autodenomina Jonah Hex tem ares de pertencer ao velho oeste, ao passado longínquo de alguns destes universos. Porém, ele veio do futuro! E está acompanhado! Seus companheiros estão armados até os dentes e esta não será uma luta comum: ela é literalmente de vida ou morte! Mas você sabe o que vai acontecer, leitor. Antes que eu veja o resultado disso, sou levado novamente para um lugar novo. Um lugar onde os Combatentes da Liberdade, presos pelos nazistas – que aqui ganharam a Segunda Guerra Mundial – tentam descobrir um jeito de sair da prisão e trazerem paz ao mundo.

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Quando era jovem, li O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick. Ficção científica nunca foi meu forte, mas este livro me contagiou. Como seria o mundo se a Alemanha ganhasse a guerra? Mas o que via aqui não era ficção. Era realidade, dura, rigorosa e recheada de preconceitos e intolerância. Até agora este foi o pior mundo que visitei, leitor. É triste dizer isso, mas só quero este lugar sobreviva se os nazistas forem derrotados. Caso contrário, é melhor que este lugar seja eliminado pelo poder de Telos.

Felizmente, minha esperança se torna realidade e os Combatentes libertam-se da prisão quando o domo cai. Ray, Tio Sam, Condor Negro, Lady Fantasma, Homem-Borracha…. verdadeiras lendas do mundo super-heróis travam uma guerra de verdade, a primeira que vi até agora. É a libertação de um mundo dominado por nazistas em plena Nova York! Eles precisam vencer! Não importa se o Homem-Borracha precisou chegar ao ponto de roubar comida para sobreviver. Nada é mais terrível do que os nazistas fizeram e continuam fazendo. Torço pela vitória deles enquanto sou teletransportado para uma nova Metrópolis, uma bem antiga.

Heróis chamados de Os Sete Soldados da Vitória, verdadeiras maravilhas do início do século XX protegem a cidade com unhas e dentes. Curiosamente, uma pessoa neste mundo consegue me ver. Seria ele uma anomalia também? Ele se chama Jibbet e é cartunista de um jornal. Juntos testemunhamos as mortes do Arqueiro Verde e de seu fiel companheiro, chamado aqui de Ricardito (nome bem peculiar, eu diria). Quando o domo toma conta da cidade, o fantástico Cavaleiro Silencioso perde seus poderes e sua idade secular cobra o preço. Seu lindo cavalo alado perde as asas. Eu e Jibbet ficamos chocados por testemunharmos um mundo de heróis tão diferenciados definhar.

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Metrópolis luta duramente até a queda do domo e Sir Justin retorna com tudo. Engraçado notar que, antes disso, o herói arturiano tinha falado o seguinte para Jibbet: “Você arriscar sua vida…. por um cartum?”. É pra isso que estamos aqui, Sir Justin. Arriscar nossas vidas eternizar a verdade.

Ainda não sei o motivo, mas assim que o status quo da cidade muda, eu e Jibbet não conseguimos mais nos comunicar. É uma pena. Estava aprendendo muito com ele. Jibbet me disse que se este mundo fosse uma ficção escrita por alguém, esta pessoa seria uma verdadeira enciclopédia super-heroica. Não duvido. Cada membro dos Sete Soldados representava algo diferente – o arqueiro, o vigilante, o cavaleiro e seu cavalo alado – e todos unidos representavam um grande legado. Como tem acontecido com todas outras realidades, o domo aqui também cai, mas algo interessante acontece: vejo uma Crise chegando. Céus vermelhos e a chegada do próprio Telos, intervindo no que está prestes a acontecer. Jibbet acompanha Sir Justin e não consigo me despedir do meu colega de profissão.

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Sou levado ao centro de tudo novamente. Ao longe vejo o Sindicato do Crime de uma tal Terra-3. Este lugar parece ser a antítese do mundo de onde vim. Heróis na verdade são vilões; vilões na verdade são heróis. Lois Lane é a Superwoman e ela está prestes a ser executada por crimes contra a humanidade. O Sindicato tenta impedir, mas algo maior está em sua direção. Enquanto Telos está ao lado de Dick Grayson e Deimos revela sua verdadeira natureza (culpar Warlord – que acabei de conhecer – pelos problemas de Skartaris quando, na verdade, ele é o mal), observo uma Liga da Justiça do futuro aterrizar na Terra 3. As duas equipes possuem contrapartes e uma luta inédita está prestes a acontecer. Não consigo calcular exatamente do quão longe no futuro vem esta Liga da Justiça, mas certamente é de muito longe. Telos, como eu já imaginava, não tem controle apenas sobre as realidades, mas também sobre diferentes tempos de cada uma.

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A grande revelação aqui, na luta principal, é que Deimos parece ter um conhecimento muito maior do que parecia ter no começo. Enquanto Grayson tenta convencer Telos de que ele é muito mais que a soma de suas partes – e o ser cósmico racionaliza que este não é o caso – Shakira e Deimos revelam todos os viajantes do tempo aprisionados por eles. É então que o vislumbre da primeira Crise surge, uma da qual nunca tinha ouvido falar. Aparentemente ela aconteceu em outro universo, um dos que visitei, mas nos anos 1960. Deimos diz ao Flash que ele consegue enxergar todas as realidades, sabendo quais foram os super-heróis do passado e quais serão os do futuro. Foram os poderes de homens como Chronos, Besouro Negro, Homem-Hora e Monarca que o ajudaram – contra suas vontades – a ter esta visão de todas as linhas do tempo. Estou tão assustado quanto os heróis à minha volta. E quando tudo parecia estar horrível, a situação ainda piora: Deimos invoca Brainiac, o monstro que vi no começo desta cobertura direto do front. Uma barganha entre eles tem início.

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Temo muito pelo que vai acontecer, leitor! Espero sobreviver para relatar como serão os próximos dias.

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Está tudo escuro. Não sei se desacordei ou se morri no meio da barganha entre Deimos e Brainiac. Há duas linhas do tempo diferentes passando por minha mente, como se fossem um único filme, confuso e mal editado. Percebo que há pessoas que conseguem navegar pelos domos. Consigo ouvir alguns de seus nomes…. Michelle, Rip Hunter (sério?) e…. Michael? Michael CARTER? Estaríamos conectados de alguma forma? Sinto minha espinha congelar e o suor descer pelo meu rosto. Não sei onde estou – parece o fim dos tempos – e vejo dois Michael Carter diferentes. Começo a me lembrar de um herói que surgiu em Metrópolis logo depois da Crise, quando o Superman sumiu da cidade. Gladiador Dourado. Era ele que estava aparecendo este tempo todo pra mim!

Mas qual é a nossa relação?

Agora percebo que sou uma anomalia tanto quanto eles. Está claro que independente do que Deimos e Brainiac decidirem, estes viajantes do tempo possuem a chave para acertar tudo. E farão tudo no anonimato, apenas pelo bem de todos os universos existentes.

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As coisas estão muito complicadas em minha mente. Em poucos minutos lembro quem é o misterioso homem dourado e estou diante de duas versões deles. Mais que isso: eles conseguem me ver! O Michael mais novo não se sente à vontade comigo, mas o mais velho sim e me convida para participar da aventura. Com eles, sou levado até uma Metrópolis do século XXXI e logo os Legionários tentam enfrentá-los. O domo aqui ainda está para cair e a entrada destes viajantes através dele deixa todo o povo da cidade assustado. Rip, Michelle e os Gladiadores são acusados de serem os responsáveis por isso, mas não é verdade! Eu sei que não é. Sinto algo dentro de mim que me faz confiar nestas pessoas, principalmente nos Michaels. Mas, como um raio, o Michael mais velho é teletransportado para outro local e sou sugado por ele por esta estranha força temporal.

Estamos em Metrópolis, mas no meu século. É a MINHA Metrópolis! E é o Besouro Azul que conheci que estende a mão para o Gladiador. Os grandes amigos estão de volta. E, se eu não estiver sonhando, leitor, farei questão de contar tudo pra vocês! Junto destes homens, poderei relatar como o Multiverso vai sobreviver à ameaça de Brainiac!

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