Direto do Front – O fim da Convergência

Meu nome é Johnny Dan Carter, mas você já sabe disso. Hoje a Convergência acabou. Descobri quem sou, qual foi o meu papel aqui e, principalmente, fui o único não super-herói a presenciar o maior evento cósmico da história do Multiverso.

Sim, do Multiverso.

Agora me acostumei com tais termos e entendo por que sei tanto, por que tantas memórias vieram à tona nestas últimas semanas. O leitor também já deve estar familiarizado com tantos conceitos, nomes e acontecimentos inexplicáveis aos olhos de um mortal. De qualquer forma, como disse, hoje sei quem sou.

Você, leitor, conheceu Johnny Dan Carter. A partir deste momento, você está conhecendo quem eu sou de verdade.

Estive em todas as linhas cronológicas que foram liberadas hoje por Telos, Brainiac e grandes super-heróis que se sacrificaram para salvar todas as realidades que existiram, existem e ainda virão a existir. Quando o Multiverso é liberto, observo uma Terra muito peculiar, uma que não visitei nas semanas anteriores e que é o segredo deste relato. Entenda, leitor, que relatar, me corresponder e registrar é meu trabalho. Sempre foi. Mas algo me obrigava a escrever tudo que vi na Convergência desde que ela começou. De repente, tudo ficou claro.

Estou falando com você. Você mesmo, aí do outro lado do monitor. Na Terra-33. Você que observa todas as realidades de fora, que tem o poder de moldá-las, de matá-las e de expandi-las. Não sei o seu nome, se você é homem ou mulher, mas sei que você está nessa Terra e que cabe a você decidir nosso futuro. Em nosso Multiverso, visto por sua realidade como ficção, estamos à mercê de pessoas como você, tenham elas um bom ou um mau coração.

Earth_33_001Telos se redimiu, Brainiac também. Assim como Parallax. Você também pode se redimir das escolhas que fez para nossas realidades. Seja bom com você e com aqueles estão acima dos Monitores, dos Novos Deuses. Sua bondade será refletida aqui e o Multiverso viverá. Não precisamos de uma nova Crise, do fim de todas as nossas realidades. Precisamos nos manter unidos. Outras guerras virão (o estranho homem da Poltrona Mobius me confidenciou que Darkseid e o Anti-Monitor estão chegando), mas o Multiverso pode resistir.

darkseid_vs_anti_monitor_by_ansem3-d8s9x9aBrainiac remoldou toda a realidade. Desfez a Crise, a primeira de todas a levar este nome. Alguns heróis, não apenas os mesmos de antes, se sacrificaram para garantir que o Multiverso não iria novamente ser colapsado em uma realidade. Tempus ajudou. Mas não o mesmo de antes, não aquele que um dia foi Matthew Ryder. Eu reconheci as cores de seu uniforme. O Azul e o Dourado. Graças a ele, que um dia foi o maior herói que o mundo jamais conheceu, e ao maior vilão multiversal de todas as realidades, tudo está salvo. Tudo agora existe novamente. Tudo foi remoldado.

Um Multiverso ainda maior existe. Um que talvez não possa ser catalogado com números. Um… Megaverso.

A última coisa que vejo é Telos destruindo todas as cidades que restavam. E abandonando a Lua de Sangue, juntamente com os heróis da Terra-2. Eu penso que este é o meu fim.

Mas Telos me traz junto com ele. Ele me vê. Talvez tenha sempre me visto.

O que relato agora é a minha conversa com Telos. Provavelmente nunca mais nos encontraremos, mas foi graças a ele que tanta coisa mudou para melhor – e eu pude me lembrar de quem sou e de todo meu papel na história desta meta ficção.

Telos: E agora, o que vou fazer com você, Johnny?

Johnny: Você me vê?

Telos: Sempre vi. Você era importante. As pessoas precisavam saber o que acontecia. Você informou as pessoas. Cumpriu o seu papel nesta Convergência.

Johnny: Mas quem sou eu? E que poderes são esses que eu nunca tive?

Telos: Você sempre os teve. Mas as mudanças na realidade sempre misturaram versões alternativas suas. Como aconteceu com Brainiac.

Johnny: E você sabe quem sou eu?

Telos: Eu sei de tudo agora. Lembro do meu verdadeiro nome. E lembro exatamente quem é você, Johnny D.C.

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Foi então que um filme passou pela minha mente. Johnny D.C., o correspondente de décadas de cronologias perdidas, agora de volta para observar e relatar a grande Convergência. É um choque perceber tudo isso, meu corpo e minha mente quase entram em colapso. Ao mesmo tempo estou diante de algo lindo e assustador. Estou chocado.

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Esta é minha conexão com Michael Carter, o Gladiador Dourado e pai de Rip Hunter, os grandes viajantes do tempo. Estou presente em todas as linhas temporais. Existo desde sempre!

Johnny: Eu pertenço a todas as realidades!

Telos: Sim. Você é fundamental. Apenas não sabia disso.

Johnny: E agora, o que vai acontecer comigo?

Telos: O que você gostaria que acontecesse?

Johnny: Engraçado…. Tudo isso explica a natureza da minha própria vida. Sempre fui solitário, com poucos amigos, sem amores, dedicado totalmente ao meu trabalho. No fundo sempre soube o que queria. Ter uma vida. Uma de verdade. Não importa onde. Não importa como. Você pode me dar isso, Telos?

Telos: Sua vida ainda terá muitas surpresas, Johnny D.C.

Nosso diálogo acabou. Telos se foi.

Eu também estou indo embora, leitores. Meu corpo está desaparecendo novamente, sugado por um vórtex temporal. Há tempo apenas para enviar esta mensagem. Mas, desta vez, não serei levado a um domo, a uma batalha. Estou indo para minha própria realidade. Na Terra-0? Em alguma Terra desconhecida? Estou prestes a descobrir. E fique tranquilo, leitor. Agora poderei viver de verdade.

Terei uma vida, como você.

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