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Convergence: no fim, não foi só um tapa-buracos

Cuidado! Spoilers abaixo! Leia por sua conta e risco!


Convergence, no começo, foi chamada de série ‘tapa-buraco’, por ser a série que daria tempo à DC Entertainment de mudar sua base de operações de Nova York para Burbank, no outro extremo dos Estados Unidos. No entanto, a editora afirmava que a saga prometia mudar todo o Universo DC em 2015, mesmo ano em que a clássica Crise nas Infinitas Terras completou 30 anos – sendo ela também uma saga que mudou toda a DC em sua época.

O fato é que a promessa foi cumprida. Mais do que qualquer outro evento já feito pela DC Entertainment anterioremente, Convergence abriu uma porta sem precedentes na história da editora: tudo que já foi feito com seus personagens, desde a criação do Superman em 1938, está dentro da cronologia. As Crises foram desfeitas. A Zero Hora se foi. O futuro de Amargeddon 2001 nunca existirá. Ponto de Ignição mal passa de uma lembrança. Dan DiDio cumpriu sua promessa: todas as portas, a partir de agora, estão abertas.

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Todos os tie-ins ligados a Convergence mostraram versões clássicas de personagens ou suas evoluções para algo diferente e destemido. Praticamente todas as linhas temporais tradicionais – e algumas alternativas – foram tocadas pela saga. Isso propôs aos fãs não apenas o sentimento de nostalgia típico de leitores mais antigos (que compõem a maior fatia do mercado impresso), mas também deixou todas estas versões de personagens restabelecidas dentro da atual DC. Os heróis dos Novos 52 continuam, sim, a ser o centro tudo. Todavia, o Multiverso não foi desfeito. Ao contrário, ele evoluiu, algo que nunca aconteceu antes na história da DC.

Convergence teve muitas funções: tapar, por que não?, o buraco da pausa que as revistas mensais tiveram graças a mudança da DC de Nova York para Burbank; trazer Jeff King, famoso produtor e criador de seriados de ficção científica, para os quadrinhos de super-heróis; mostrar todas as versões possíveis e imagináveis que os personagens da DC já tiveram em um conflito épico no melhor estilo blockbuster; evoluir o conceito de Multiverso ao fazer com que cada uma das 52 Terras existentes amadurecessem, tomando como base The Multiversity de Grant Morrison.

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Como Convergence conseguiu tudo isso? Com as melhores referências possíveis a Zero Hora e a Crise nas Infinitas Terras, dois dos mais importantes eventos que a DC já publicou.

Parallax, Tempus (que é, agora, uma evolução do velho Gladiador Dourado, o que será explicado mais adiante), Flash (o Barry Allen pré-Crise), Superman (pós-Crise, agora pai de primeira viagem) e Supergirl (pré-Crise) unem forças para que o mal perpetrado por Brainiac seja desfeito. E então surge uma reviravolta: Parallax se une a esta equipe. Eles sabem que seus sacrifícios são necessários para que todas as realidades tenham chance de viver e Brainiac os manda ao período da Crise original, para que tudo fique bem.

A própria entidade reconhece que errou ao criar a Lua de Sangue e fazer com que Telos propusesse uma batalha multiversal. Sua escolha de redenção, portanto, foi desfazer tudo e criar abrir múltiplas linhas temporais para que tudo já publicado pela DC possa coexistir harmoniosamente. Este Brainiac de Convergence ainda explica que ele representa uma evolução de todas as suas versões anteriores, seja de que linha temporal fossem. Ele evoluiu, assim como os Monitores, e está acima das linhas temporais, do lado de fora do Multiverso.

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Barry Allen, Supergirl, Parallax, Superman, Lois e seu filho morreram? Sim, ou, pelo menos, é que isso que fica implícito na história. Parallax se redimiu? Sim. Assim como Brainiac, que estava morrendo graças a sua exposição a viagens no tempo e constantes reboots multiversais através das décadas. Foi isso que o levou a decidir dar vida ao Multiverso, tomar Telos para si e retornar à sua forma original na Terra-0.

Uma das chaves mais importantes para que tudo isso acontecesse foi o Gladiador Dourado. O velho Gladiador, de Futures End, que começou a morrer pelo mesmo motivo de Brainiac. Em Metrópolis, no passado, quando Ted Kord ainda estava vivo, ele envelhece a cada minuto, mas seu filho, Rip Hunter, aliado pelo Gladiador da Terra-0 e por sua irmã, o salvam disso ao levá-lo para o ponto de fuga. Esta área, já conhecida dos fãs da DC, estava conectada durante a série ao centro de Skartaris, onde Deimos manteve todos os viajantes do tempo presos para utilizar seu poder.

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Ao sair de uma sala fechada com energia temporal, o Gladiador Dourado também evolui: ele se torna uma nova versão de Tempus, personagem muito importante para a antiga Zero Hora. É ele que ajuda todos os heróis, Brainiac e Telos a manter o Multiverso vivo depois de Convergence.

Por fim, vale destacar que a função secundária da saga foi dar nova vida à nova Terra-2. Sem planeta, os heróis deste mundo ficaram com o planeta de Telos pra si. Quando a conexão entre ele e sua Lua de Sangue foi cortada por Brainiac, o Lanterna Verde (Alan Scott) recuperou sua conexão com o verde e protagonizou um dos maiores feitos de todos os Lanternas: reviver um mundo. A nova Terra-2, povoada por seus novos heróis e pelos sobreviventes do mundo anterior, acaba de se tornar uma das partes mais intrigantes do atual Multiverso DC, principalmente por ter adiante um horizonte infinito de possibilidades – a começar pelo fato de que o novo Batman é Dick Grayson e que o Superman deste mundo é negro.

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E assim acabou este evento. A partir de junho as revistas mensais da DC voltam ao normal. Mas o que será normal, agora? Com a Crise original anulada e todas as linhas multiversais restabelecidade, seria este o tão falado Megaverso a que Rip Hunter se referiu em 52?

A realidade, como a conhecemos, foi alterada para sempre e a editora analisará o que mais deu resultado em Convergence, certamente preparando material futuro protagonizado por suas antigas linhas temporais. Assim, o Multiverso, maior e mais amplo como nunca esteve antes, está mais vivo do que nunca.

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