Paul Levitz fala sobre o novo Senhor Destino universitário

Paul Levitz, clássico autor da Legião dos Super-Heróis, recentemente concedeu entrevista ao Newsarama sobre a nova revista do Senhor Destino em Divergence. Assumindo os roteiros, com arte de Sonny Liew, a revista do ex-presidente da DC será uma das 24 séries que não estará atrelada à cronologia que dá sequência aos Novos 52. Confira alguns dos principais pontos.

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O escritor fez com que os estudante de Medicina Khalid Nassour, descendente de egípcios, fosse o novo detentor do Elmo de Nabu, justamente para que esta conexão com a mitologia dos faraós fosse mais evidente do que nunca:

Então, olhando para os tipos de diversidade que temos hoje, e lembrando-me de várias conversas que tive com egípcios-americanos, eu então pensei, e se a pessoa que pega o elmo desta vez, neste mundo, for um jovem de ascendência egípcia? E depois foi, tá, e onde eles irão morar? Nós temos uma comunidade no Brooklyn, em Bay Ridge, um bairro que eu conheço razoavelmente bem, sendo um velho menino da região. E o que o Brooklyn tem? Ah, certo, lembrei-me que o Museu do Brooklyn tem uma das maiores coleções do mundo de Egiptologia. Tá, nós temos um bocado de ingredientes aqui.

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Levitz ainda diz tentar fazer algo parecido com o que o criador do personagem, Gardner Fox, faria se fosse recriá-lo nos dias de hoje. Mas com suas diferenças, claro:

Bem, quando Gardner escreveu isso em primeiro lugar, você não podia lidar com etnia, não podia lidar com religião – são assuntos que não existiam em quadrinhos 75 anos atrás nos EUA. Então você tem um garoto egípcio-americano cujo pai era um médico no Egito, mas está trabalhando como motorista de táxi porque ele não pode ser re-certificado. Eu conheci motoristas de táxi por todo o país que eram egípcios que tinham problemas com isso, com profissões nas quais eles eram incrivelmente educados em seu próprio país, mas que não podiam praticá-las aqui. Isso não é algo que você poderia ter feito há 75 anos atrás.

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Citando as fábulas e suas reinterpretações, o autor ainda aproveitou para refletir sobre o fato de a DC se tornar menos dependente da cronologia com história como a dele:

Minha geração de fãs de quadrinhos, e certamente eu mesmo como indivíduo, adorava jogar o jogo da continuidade, de como nós fazemos todas as peças se encaixarem precisamente tanto quanto possível. Eles reimprimiram, para minha surpresa, algo que eu fiz – Deus sabe quantos anos atrás, 40? – anos atrás no Amazing World of DC Comics em uma das edições de colecionadores, na qual eu tentei juntar a história de vários personagens e HQs. Primeiramente, eu nunca imaginaria que qualquer um poderia olhar 40 anos depois, mas caras como Mark Gruenwald e Nelson Bridwell se divertiam bastante encaixando tudo junto como peças de um quebra-cabeças.

Este não parece ser o jogo para esta geração. Tudo bem. Sabe, não há nada intrinsecamente melhor ou pior sobre uma abordagem ou outra enquanto você contar boas histórias que entretenham as pessoas. Se o público está feliz com algum nível de ambiguidade no processo mais do que antes, vamos tirar vantagem disso.

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Finalmente, ele se lembra com carinho de Steve Ditko e suas criações, que agora são influências para o novo Senhor Destino:

Eu gosto de pensar que eu estou canalizando um pouquinho da minha experiência com Steve Ditko ao longo dos anos e algumas das visões de mundo que ele expressava a partir do seu trabalho em Homem-Aranha, em termos de desafios de uma pessoa jovem encontrando-se com grandes poderes, e algo disso dos termos da magia que Steve construiu em histórias como o Doutor Estranho dele, ou os trabalhos que nós fizemos juntos em Imagine, de Mike Friedrich, muitos, muitos anos atrás, com sua habilidade de conceber outros mundos. Vamos ver o que eu consegui aprender com ele.

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