[Estação WHIZ: Team up] O visual da Família Marvel

Este texto sobre a Família Marvel é uma tradução e adaptação do artigo “The Human Quality of the Captain Marvel Characters” que foi escrito por C. C. Beck, criador do Capitão Marvel junto com Bill Parker, e publicado no Fawcett Companion.


A Qualidade Humana dos Personagens do Capitão Marvel

Um dos motivos pelos quais as histórias do Capitão Marvel eram tão bem sucedidas durante a Era de Ouro foi porque os personagens nelas contidos eram baseados em pessoas de verdade, em vez de serem só figuras bidimensionais de papelão. Todos eles pareciam ser muito mais humanos do que os personagens super-humanos apresentados em outras revistas em quadrinhos daquele tempo.

O próprio Capitão Marvel teve o rosto baseado em Fred MacMurray. Ele foi um ator estadunidense muito conhecido e estrelou mais de cem filmes, tendo estreado no início dos anos 30. Pra se ter uma noção do sucesso de MacMurray, em 1943 ele era o ator mais bem pago em Hollywood, além de ser o quarto estadunidense mais bem pago. O Capitão Marvel não era um alienígena de outro planeta, vivendo disfarçado entre nós humanos aqui na Terra; ele era somente o sonho de todo garoto de como seria ter 1,80 m e possuir poderes maravilhosos.

Mary Marvel, por sua vez teve sua aparência baseada em Judy Garland, uma atriz e cantora bem premiada daquele período. Pra quem não está ligando o nome à pessoa, ela interpretou a Dorothy no filme O Mágico de Oz, de 1939.

Linda Silvana, a belíssima filha mais velha do Dr. Silvana, teve como inspiração a atriz estadunidense Betty Grable. Ela foi uma das atrizes mais populares de sua época e considerada uma das mais bonitas daquele tempo, além disso, em 1947 ela era a artista mais bem paga dos EUA.

O Sr. Sterling Morris, dono da Rádio WHIZ, onde Billy Batson trabalhava, foi baseado no ator Gene Lockhart. Ele foi um ator muito popular e adorado nos anos 30, 40 e 50.

Esses atores e atrizes eram muito populares durante a época em que foram usados como inspiração para os personagens. Fazendo os personagens de histórias em quadrinhos lembrarem pessoas bem conhecidas (sem que isso fosse dito realmente) tornando-os instantaneamente aceitáveis para os leitores.

Outros personagens, tais como os outros três Billy Batsons que se transformavam nos Tenentes Marvel, foram baseados em pessoas reais também. Os membros da equipe de arte da Fawcett Paul Pack, Ed Hamilton e Frank Taggert serviram de inspiração para personagens simpáticos e interessantes. Pack tinha mais de 1,80m e assim se tornou o Billy Alto; Hamilton era um tipo de sujeito interiorano, rude e boa praça e se tornou o Billy Caipira; Taggert, que era baixo e gorducho se tornou o Billy Balofo.

Pete Costanza apareceu constantemente nas páginas das histórias do Capitão Marvel como si mesmo e outros personagens. Ele foi um desenhista da Fawcett que trabalhou ativamente desde o início nas histórias do Capitão Marvel e posteriormente nas revistas Superman’s Pal, Jimmy Olsen, Adventure Comics, Adventures of Superman e World’s Finest Comics.

Jess Benton, outro desenhista da Fawcett, apareceu como um universitário numa história. Mac Raboy e os outros desenhistas colocavam freqüentemente C. C. Beck nas histórias, e nem sempre num modo elogiável.

O Sr. Malhado, o tigre falante, era na verdade… Quem mais? Otto Binder! Não em aparência, obviamente, mas em personalidade. Otto era o principal roteirista das histórias do Capitão Marvel, que fazia as revistas do queijão vermelho venderem que nem água. Ele se divertia muito rindo de si mesmo nas histórias do Sr. Malhado.

O Dr. Silvana, o cientista mais louco do mundo, também era Otto na alma; contudo, fisicamente, ele lembrava um farmacêutico que C. C. Beck conheceu um dia. É claro, todo homem velho, baixo, completamente careca e com nariz grande e óculos com lentes grossas parecia com o Dr. Silvana. Certa vez contaram a C. C. Beck que ele pareceria com Silvana se ele não tivesse uma cabeça cheia de cabelo e a barba.

O Sr. Cérebro, o grande vilão e o personagem de aparência menos humana dentre todos (já que era uma taturana) devia sua popularidade por ser baseado em todos nós: ele perdia sua paciência, ele tinha momentos de depressão, ria quando estava feliz e chorava quando estava na pior.

Billy Batson não foi baseado numa pessoa real, mas sim no próprio leitor. Billy ser o reflexo do leitor é mais uma forma de passar ao público que qualquer criança com as qualidades dele poderia ser o Capitão Marvel. Ele era um garoto de 14 anos com aparência comum vestido com um agasalho vermelho, calça jeans e tênis. E não usava um uniforme espalhafatoso como os garotos heróis de outras revistas em quadrinhos. Billy não possuía poderes especiais, até que ele dissesse a palavra mágica.

O aleijado vendedor de jornais Freddy Freeman parecia ser mais como o personagem Pequeno Tim de “Um Conto de Natal”, de Charles Dickens. Pois ambos eram garotos pobres que andavam com a ajuda de uma muleta, Freddy Freeman assim como Billy Batson era um garoto que ficou órfão e passou a vender jornais na rua, porém se diferenciava de Billy porque não deu um pulo de sucesso e continuou a vender jornais na rua e morava num quarto numa pensão. Ou talvez parecesse com o Peter Pan quando ele voava por aí como Capitão Marvel Jr. Como resultado, Freddy e Capitão Marvel Jr nunca tiveram a qualidade de serem críveis, como Billy Batson e Capitão Marvel tinham. Os músculos de Freddy, se contraindo por baixo de seu uniforme colado na pele, não pareciam algo muito humano.

A aparência de garota da vizinhança de Mary Marvel não mudava quando ela se transformava, e ela nunca chegou perto do sucesso do Capitão Marvel e do Capitão Marvel Jr.

Menos bem sucedidos foram a Sardenta Marvel e o Tio Marvel, este último foi baseado no desenhista Jack Binder, o irmão mais velho de Otto Binder que trabalhou na Fawcett e na Timely, a editora que mais tarde se tornaria a Marvel Comics.

Hoppy, o coelho Marvel, não era nada mais que uma paródia do Pernalonga. A Fawcett possuía outras linhas de quadrinhos além da de super-heróis e uma delas era a de animais antropomórficos, à semelhança dos Looney Tunes e de Mickey e sua turma. Resolveram fazer uma ponte entre essas duas linhas de revistas em quadrinhos criando o Hoppy, um coelho antropomórfico que morava num mundo de animais antropomórficos e conseguiu poderes como os do Capitão Marvel.

O estilo do traço do Capitão Marvel e a maneira despreocupada com que os roteiristas apresentavam suas histórias parecem esquisitos, antiquados e deslocados nas revistas em quadrinhos de hoje em dia.

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Esses são os artistas da Editora Fawcett durante a Era de Ouro, esta foto foi tirada em 1941. Na primeira fileira e mais a frente, da esquerda pra direita: Cary Parshall, Frank Taggert, C. C. Beck, Bob Kingett e Mac Raboy. Na segunda fileira, da esquerda pra direita: Russ Peterson, Al Pauly, Al Allard, Ralph Mattison, Harold Noyes, Andy Anderson e Harry Taskey. Na terceira fileira e ao fundo, da esquerda pra direita: Paul Pack, Fred Ripperda, Ed Hamilton, Pete Costanza, Bob Laughlin, George Dupree, Ed Richscheid e Jack Rindner.

 

 

Achei muito legal e interessante, e a questão do Billy ser baseado no leitor é mais uma prova de como ele é um bom exemplo para todos nós. Assim sendo como ele, podemos nos tornar heróis.

Diego Bachini Lima

Interessante. Utilizar astros do cinema e artistas famosos e populares da época na aparência dos personagens já os dava carisma desde o princípio, pois os leitores faziam a conexão inconscientemente entre os personagens e os atores. E ainda foi uma bela homenagem a certos roteiristas e desenhistas da Fawcett.

Ruy, o Renegado

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