Autores avaliam importância do Dia Mundial do Desenhista

O Dia Mundial do Desenhista, comemorado hoje, 15 de maio, é motivo de comemoração entre os profissionais da área? O Terra Zero conversou com quatro artistas brasileiros ligados aos quadrinhos, que publicam de forma constante, para saber o que eles pensam sobre o significado da data e da valorização do desenhista no Brasil.

Para Daniel HDR, que atualmente presta serviços para a DC Comics, a data deve ser um momento de mobilização: “Em meio a comemoração, talvez a melhor maneira de tornar esta data realmente significativa (legalmente falando) seria mobilizar os profissionais da área para que mais pessoas possam trabalhar neste segmento sem que isso seja encarado como um ´bico´ ou algo que para muito sequer é trabalho”.

Marcio Fiorito, artista da Dynamite Entertainment, ressalta que a valorização do desenhista não é uma realidade mundial, mas pontua também que o mercado nacional está em expansão: ‘Não sei bem se desenhista é valorizado em algum lugar do mundo. Acho que não. As pessoas tendem a achar que o trabalho feito com prazer é menos valioso que o trabalho feito com sacrifício (como se desenhar por 12 horas na prancheta diariamente não fosse sacrificante). De qualquer forma, ninguém entra nessa carreira buscando fama ou fortuna. Jogador de futebol ou advogado são opções melhores pra isso. 99% de quem desenha como profissão faz isso por prazer. O que não quer dizer que a gente não goste de ganhar dinheiro. Dia do desenhista é boa data pra gente parabenizar os amigos e colegas de profissão. Felizmente, o mercado nacional vem crescendo nos últimos anos e cada vez mais desenhistas são respeitados pelas suas próprias obras, e não por serviços prestados de forma anônima”.

Confucio

Enquanto isso, na visão do autor da tira Quadrinhos Ácidos, Pedro Leite, pontou a grande pressão por prazos que os profissionais da área sofrem: “O Dia do Desenhista pra mim também poderia ser chamado de Dia do “Faz Um Desenhinho Pra Mim”. Ser desenhista (designer, ilustrador ou cartunista) é fazer algo que você gosta, mesmo sabendo que os obstáculos para atingir o “sucesso” são gigantescos. É muitas vezes ter que virar as noites desenhando porque o cliente quer tudo pra ontem. Alias, não deve ser à toa que o Dia do Desenhista vem 24h depois do Dia Internacional do Café.

Na visão do desenhista Gustavo Borges, autor das tiras A Entediante Vida de Morte Crens e Edgar, a data serve como um passo importante para que a sociedade reconheça a profissão: “O Dia do Desenhista, é só mais um dia comum, que devemos nos orgulhar, pensar e repensar sobre o motivo de estamos trabalhando com isso. Mas o fato de ser um dia específico no calendário, serve mais uma vez pra tentarmos conquistar cada dia mais reconhecimento da sociedade. Não posso falar como isso é fora de Porto Alegre, porque eu estaria mentindo se for afirmar algo, porque não sei. Mas o cenário na minha cidade, está melhorando a cada dia, dentro do nicho. Sim, ainda é algo que chega no ouvido de poucos, só dos que estão envolvidos de alguma maneira com isso. Quem trabalha na área, hoje está mais unido que nunca e se ajudando a espalhar a imagem que um desenhista necessita. Imagem de um trabalho digno, de um mercado vivo e real. Mas infelizmente ainda carece muito quando falamos da grande mídia. Dificilmente veremos alguma matéria espontânea num jornal, ou uma reportagem divulgando mais o meio. Mas não dá para reclamar. Aos poucos a mídia está olhando mais para alguns artistas, alguns trabalhos, alguns eventos, uma possibilidade de mercado. Antes tarde do que nunca. Vamos juntos, de forma gradativa, levantando o reconhecimento dos desenhistas, e o deixando que esse dia se torne uma verdadeira vitória da nossa luta diária”.

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