Apagão, de Raphael Fernandes e Camaleão, ganha novo volume

Em 2014, por meio do Catarse, o roteirista Raphael Fernandes, que tem em seu currículo a excelente HQ Ditadura No Ar, e o desenhista Camaleão, que trabalha nas edições brasileiras da Revista MAD, financiaram a HQ Apagão. Uma história sobre uma São Paulo sem luz, com duelos de gangues e brigas por territórios.

A dupla está lançando a continuação da série chamada Apagão: Cidade Sem Luz/Lei, agora, pela Editora Draco. Essa edição vai continuar a acompanhar a história de mestre de capoeira Apoema e seus Macacos Urbanos, que estão vivendo em uma cidade sem energia elétrica, dominada pela lei do mais forte. Neste ínterim, o protagonista e sua equipe tentam reconstruir a cidade e oferecer resistência a essa loucura que está dominando as ruas.

São Paulo terá dois lançamentos da HQ: no dia 25 de abril, às 16h, na loja Geek.etc.br da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, e no dia 02 de maio, na loja Comix, às 15h.

No fim do ano passado, a Draco também lançou o one-shot Apagão Extra: Ligação Direta, que se passa também dentro do universo que estamos acompanhando na série principal, porém com foco em outros personagens, ainda fica confirmado que vai haver um investimento na expansão deste universo por meio de jogos de RPG, trilhas sonoras, miniaturas e outros produtos.

apagão rc

Conversamos com Camaleão, que contou algumas das ideias, influências e sobre a parceira com Raphael Fernandes.

TZ: Vamos falar sobre essa nova edição de Apagão. Qual é a ideia geral da sua arte para essa edição da série?

Camaleão: Tudo começou com o convite do Raphael para fazermos 20 páginas para a [revista] Imaginários em Quadrinhos 1. Como o trabalho foi bem aceito, resolvemos encarar algo um pouco maior, 80 páginas em uma HQ, que mostrasse um pouco mais do que já havia sido apresentado nos Imaginários. A minha principal preocupação era fazer uma HQ que fosse bem detalhada, mas sem deixar engessadas as cenas. Queria fazer a cidade de São Paulo de forma que os paulistas pudessem reconhecê-la. Foi muito exaustivo, mas gratificante de fazer. Gostei muito do resultado, ele foi além das minhas expectativas, sinto-me orgulhoso. O que vocês verão no Apagão é o que realmente a minha arte é.

Apagão fala sobre briga de gangues, São Paulo sem luz e um mundo de caos. Quais as suas influências como desenhista que você insere na HQ?

As minhas influências para fazer o Apagão não se dão apenas através dos quadrinhos, tive muita influência de filmes como Mad Max, Highlander, O Exterminador do Futuro e outros clássicos das décadas de 80 e 90. Nos quadrinhos, minhas principais influências foram Frank Miller, principalmente o Cavaleiro das Trevas e 300, e é claro que não podia faltar uma pitada de Jack Davis e Mort Drucker. Juntar Frank Miller com MAD dá um resultado muito louco. (Risos)

Você e Raphael Fernandes trabalham junto há algum tempo. Como tem acontecido essa sinergia entre vocês dois?

É muito bom trabalhar com o Raphael, ele é um cara antenado, tem umas sacadas super bacanas e uma mente que trabalha no 220v o tempo todo. É bem tranquilo trabalhar com ele, pois a gente pensa muito parecido, nossa preocupação é contribuir para a nona arte, fazer um trabalho legal mostrando o potencial que há dentro do país. A gente não se preocupa com muita grana, só com grana. (risos) Afinal, fazer quadrinhos no Brasil é bem difícil, mas a gente conseguiu algo para fazê-lo, coragem. (risos)

Apagão está se tornando um mundo vasto, sendo explorado em RPGs, músicas e miniaturas, indo bem além das HQs. Como você vê sua obra chegando a outros meios?

Acho muito interessante isso tudo, é uma forma de levar Apagão a um número maior de pessoas. É muito bom ver a minha arte sendo representada em formas diferentes das tradicionais. Essa é a vantagem de se trabalhar com o Raphael, ele pensa grande e correu atrás para preparar essas coisas bacanas para o pessoal. Todo o material está muito legal.

Deixe um recado para os leitores do Terra Zero e nos diga por que devemos acompanhar Apagão.

Acredito que as pessoas devem acompanhar o Apagão, primeiro, porque o roteiro é incrível, depois porque tem muitas cenas de ação e trama muito interessante. Foram dois anos de trabalho intenso para preparar o primeiro volume dessa trilogia, ela foi lapidada para preparar o leitor para tudo o que está por vir. Então, recomendo fortemente que acompanhem, coisas boas estão a caminho.

Apagão: Cidade sem Luz/Lei terá 96 páginas coloridas com capa cartonada.

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