Morre Pierluigi Piazzi, fundador da Aleph

O Terra Zero, apesar de ser um site sobre quadrinhos, não pode se furtar a falar, num domingo que começou muito triste, sobre a morte de um dos nomes mais influentes da ficção científica no Brasil: Pierluigi Piazzi, cofundador da Editora Aleph. Na manhã deste domingo (22), a família colocou o texto que se segue na conta dele, no Facebook:

É com muita tristeza que comunicamos que nosso querido Pierluigi Piazzi, o prof. Pier, faleceu esta noite.
O velório será no hospital Albert Einstein, no domingo, 22/03, das 9h00 às 20h00, e no cemitério Horto da Paz (Itapecerica da Serra), na segunda-feira. Ex-alunos, amigos, leitores, ouvintes, fãs e trekkers, serão todos muito bem vindos.

A família

Piazzi nasceu em 29 de janeiro de 1943, na cidade de Bolonha, na Itália, em plena Segunda Guerra Mundial. Mudou-se para o Brasil aos doze anos de idade. Por aqui, formou-se em Química Industrial, pela Escola Técnica Oswaldo Cruz (ETOC) e em Física, pela USP. Em 1980, tornou-se um membro da Mensa.

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Foi no mundo da informática pessoal, quando o ramo ainda era uma novidade, nos anos 1980, que ele se destacou pela primeira vez. Foi o primeiro editor da revista MicroHobby, umas das primeiras publicações especializadas em computação no Brasil, além de ter cofundado, com Elizabeth Fromer, a Aleph, editora que, inicialmente, publicava livros de referência e de formação para programadores de computadores pessoais no Brasil.

Dono de uma didática invejável, ele deu um passo importante no início dos anos 1990, adicionando ao catálogo importantes livros de ficção científica, como Neuromancer, de William Gibson, e O Jogo do Exterminador, de Orson Scott Card, além de diversos romances e livros de referência do universo de Jornada das Estrelas, em um momento editorial no qual a máxima estabelecida por décadas, que ditada que ‘ficção científica não vendia’, ainda era aceita como uma verdade absoluta entre editores brasileiros. Estas publicações serviram como base para que, há cerca de dez anos, a editora paulista, por meio do filho de Piazzi, Adriano Fromer Piazzi, reiniciasse a publicação de ficção científica no Brasil de um modo consistente e planejado, o que tornou a editora a maior casa publicadora do gênero no país.

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Paralelamente a isso, ele foi parte da equipe de radialistas da Jovem Pan AM por cinco anos e também professor de Física no colégio Anglo Vestibulares, no qual lecionou para cerca de cem mil alunos em mais de 30 anos de carreira. Além disso, era um palestrante exímio, algo que se demonstrava claramente nas famosas Convenções de Jornada nas Estrelas, realizadas nos fins de semana no Auditório Elis Regina, no Anhembi, no final do século passado.

Sua última investida foi a neurolinguística, com uma série de livros sobre o assunto escritos de uma forma didática e leve e que lhe conferiu, nos últimos anos, um espaço de destaque entre os oradores e palestrantes nacionais.

Ele era conhecido como Pier pelos amigos, como Prof. Pier por alunos, professores e educadores do país, e como Comodoro Pier pelos fãs das inesquecíveis convenções trekkers.

Em sua biografia mensan, dizia que, pretendia morrer definitivamente somente aos 96 anos, baleado por um marido ciumento, como Bernard Shaw. Não foi, porém, desta forma que Shaw morreu e, como no caso do escritor irlandês, o destino de Pier resolveu tomar um outro caminho.

Pier morreu vítima de complicações decorrentes de um câncer, no mesmo dia do aniversário de William Shatner e no mesmo ano da morte de Leonard Nimoy, os protagonistas do seriado pelo qual era mais apaixonado. Apenas se pode especular se isso é uma grande coincidência cósmica. Mas, neste dia em que ele inicia sua viagem de volta à condição de poeira de estrelas, apenas se pode esperar que este seja o começo de um outro tipo de vida. Que ela seja longa e próspera.

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