Distribuição de HQs: A greve dos caminhoneiros afetará as editoras brasileiras?

A greve dos caminhoneiros é um dos assuntos mais comentados no país nos últimos dias. Os motoristas de caminhões pararam os transportes de carga em protesto aos baixos preços dos fretes frente ao aumento do preço dos combustíveis. Todos falam sobre os temas mais preocupantes, como a falta de abastecimento nos postos de gasolina, animais que ficarão sem ração e cargas perecíveis sendo jogadas fora. No entanto, o Terra Zero resolveu abordar um tema que, frente a gravidade dos demais pontos, não vem sendo abordado pela grande mídia. Com os caminhões parados, e com tantas cargas de maior relevância para o país acumulando sem ter quem as transporte, como fica a distribuição de revistas e, especialmente, de quadrinhos no país?

hqs caminhão
Para entender o possível impacto da crise dos transportes na distribuição de HQs, contatamos por email algumas das principais editoras de quadrinhos do país na última sexta-feira, 28. As editoras PaniniHQM e Abril enviaram resposta, já o departamento de distribuição da JBC foi também contatado, mas não enviou resposta até o fechamento desta reportagem.

Além disso, ouvimos também os relatos de atrasos e as opiniões dos leitores do Terra Zero, através de nossa página no Facebook.

Plano de ação
O diretor da HQM, Carlos Costa, admite que podem haver impactos da greve na distribuição de suas HQs. A editora publica, entre outros títulos, The Walking Dead, um dos quadrinhos mais populares no país atualmente. “Ainda não sabemos se a greve afetará nossa distribuição. É provável que sim, caso a situação se agrave. A distribuidora nos deu um alerta e nada mais. Estamos aguardando mais informações. O meio alternativo, de momento, são nossa loja virtual, a Comix e livrarias”, afirmou.

Já Cezar Almeida, responsável pelo departamento de distribuição da editora Abril, informou que a editora não considera a possibilidade de ser afetada pela greve: “Não tivemos impactos em nossa distribuição por conta destas paralisações. Todas as nossas rotas foram fechadas antes e após o ocorrido (que já se resolveu). De qualquer forma, sempre temos em último caso a opção de transporte aéreo de nossas cargas, ficando blindado neste tipo de situação”. A Abril publica uma grande gama de títulos de personagens da Disney e também uma linha de quadrinhos baseados nas animações de personagens da DC Comics.

O setor de distribuição da Panini enviou a seguinte resposta: “Não  tivemos nenhum caso comprovado de atraso que a área de Expedição tenha nos passado. Diria que segue na normalidade”.

Voz dos leitores
Na página do Terra Zero no Facebook, vários leitores se mostraram preocupados com a situação e opinaram sobre a realidade brasileira dos transportes. Além disso, pudemos perceber também relatos de locais onde as bancas já estão sofrendo com os atrasos.

“O impacto é eu ficar em dia com minhas histórias. […] Falando sério, há décadas que o Brasil deveria fazer uma boa malha ferroviária”, afirmou o leitor Rafael Cacau Botelho. Seguindo a mesma linha, Gabriel Oliveira entende o lado dos caminhoneiros: “Tem que ir de atrás outras opções, se nas bancas as edições já atrasam. Mas o que podemos fazer se a sociedade quer mais direitos?”

Já o leitor Alex Damaceno apontou possibilidades que as editoras podem utilizar, caso a greve continue: “A Saraiva e outras livrarias online fazem muitas entregas através de serviços de courrier [mensageiro]. Quem quiser vender, de verdade, vai arranjar um jeito. Ou alguns vão se acomodar e as pessoas vão recorrer à internet – legalmente ou piratamente [sic]”.

Leonardo Alves Martins afirmou que em sua cidade, Campos dos Goytacazes (RJ), o impacto da greve já chegou e nada está sendo entregue às bancas.

O Terra Zero continuará atento às possíveis repercussões desta greve.

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