Arqueiro Verde: Protestando com Dennis O’Neil e Neal Adams

Para comemorar a volta de Arrow nesta semana o Terra Zero trará material do Arqueiro Verde até sexta-feira (10)!

O ano era 1970. Dennis O’Neil, Neal Adams e Dick Giordano estavam a postos enquanto o editor Julius Schwartz apenas aguardava pelo resultado deste trio de renome, cuja proposta era mostrar histórias mais calcadas nas causas sociais da América dos anos 1970, considerada doente pelos cidadãos por tantos problemas. Mesmo que não tivessem esta intenção os criadores da então chamada Green Lantern / Green Arrow acabaram marcando a história transformando uma mídia de arte para as massas em uma forma de protesto e reflexão histórica calcada na vida real. A prova disso veio com a primeira história deste período, O Mal Sucumbirá Ante Minha Presença, publicada originalmente em Green Lantern #76.

A mudança na revista foi tão pesada que logo meios jornalísticos começaram a se interessar por algo que não saía de seu próprio espaço antes e a contra-cultura foi tomando conta de gente que queria saber o que estava acontecendo. Ainda hoje Green Lantern #76 causa reflexões na internet e debates, em especial entre os americanos. Um fã chegou a questionar o quanto Hqs são importantes em pleno século XXI, uma era em que apenas americanos brancos e ricos compram revistas, fazendo assim com que as histórias sejam apenas sobre eles. O motivo deste questionamento, claro, é a cena mais clássica desta fase dos heróis esmeraldas, em que um negro pobre aborda o Lanterna Verde e lhe pergunta por que não ajudar negros quando ele já havia ajudado povos laranjas, azuis e de tantas outras cores. O herói não consegue responder.

Para os leitores que ainda não conhecem a história, vamos situá-los: no contexto deste primeiro conto Hal Jordan ajuda um imobiliário a expulsar supostos arruaceiros de seu prédio, quando na verdade este homem os está mantendo num lugar imundo e asqueroso, sem nenhum saneamento, e ainda quer derrubar o prédio para fazer um estacionamento, despejando assim todos os moradores e aumentando o censo dos sem-teto e desempregados. Claro que quem faz o herói de anel ver isso é nosso amigo Arqueiro Verde, sempre preocupado com as causas sociais e conhecendo a sujeira da própria humanidade. A parir daí a dupla arma planos contra este homem chamado Jubal Slade para então levá-lo à cadeia por crimes sociais e tentativa de assassinato dos nossos heróis.

Nesta história temos chance de ver gente desmoralizada por ter tido as oportunidades arrancadas de si, sendo obrigados a viver como indigentes e escória, jogados ao relento e recebendo cuidados miseráveis de homens como Slade. Isto ainda é uma realidade hoje, não apenas nas grandes – e pequenas também – cidades de nosso país como também nos Estados Unidos que, mesmo sendo a maior potência econômica do mundo, tem problemas sociais ainda mais sérios que os nossos, o que não é de hoje como podemos ver nas histórias.

O’Neil e Adams enxergaram que o leitor de quadrinhos tradicional fica preso ao seu casulo lendo sobre quem está fora. Eles quiseram então tirar os leitores de seus casulos mostrando a verdade do mundo real dentro do mundo fictício. E falando em mundo fictício é claro que os Guardiões do Universo interferiram nas ações do Lanterna que, em teoria, nada têm a ver com as ordens deles e teriam sido vistas como atitudes pessoais utilizando o anel de energia. Entretanto o Arqueiro Verde interfere também e faz com que um dos Guardiões desça à Terra para participar de uma jornada real e humana como nunca um ser cósmico havia feito antes.

Agora são apenas três homens e uma camionete. E milhares de quilômetros para percorrer no coração da América.

> Este artigo foi uma reedição do original publicado em 15 de Dezembro de 2010. Ele é parte do especial do Arqueiro Verde publicado naquele ano que pode ser conferido aqui.

O Arqueiro Verde foi criado em 1941 por Mort Weisinger e George Papp, cuja primeira aparição aconteceu em More Fun Comics #73. Originalmente um milionário e ex-prefeito de Star City, a identidade de Oliver Queen foi sendo moldada aos poucos com os anos, tendo começado como uma versão “Robin Hood” do Batman e passando a ter uma voz própria e politicamente progressiva com o passar do tempo. Foi protagonista dos primeiros quadrinhos com temática séria nos anos 1970 sob as mãos de Dennis O’Neil e Neal Adams, evoluindo ainda mais na década seguinte com o autoral Mike Grell.

Oliver chegou a morrer, tendo seu filho Connor Hawke no seu lugar, mas voltou numa saga surreal e divertida de Kevin Smith chamada O Espírito da Flecha. Teve uma revista quase toda escrita por Judd Winick durante 6 anos, tendo recentemente instaurado-se numa nova fase que relembra um pouco a de Grell. Recentemente o herói tem uma caracterização semelhante à do Homem de Ferro, mas voltou a ser o sombrio arqueiro da fase de Mike Grell sob comando de Jeff Lemire, Andrea Sorrentino e do brasileiro Marcelo Maiolo.

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