Triunfo, o membro fundador da Liga que o tempo esqueceu

William MacIntyre, o Triunfo. Membro fundador da Liga da Justiça da América. Seu maior triunfo? Ter sido esquecido por todos.

Os quadrinhos da década de 1990 traziam como marcas violência gratuita, sensualismo e músculos exagerados. Marvel e DC passavam por crises criativas, mostrando mortes, enlouquecimentos e tragédias pessoais de seus principais personagens. A Liga Internacional cômica já era passado. Os maiores heróis do mundo passavam por maus bocados. Seus principais membros passavam por tragédias enquanto as fileiras da equipe cresciam cada vez mais com os mais variados tipos de personagens. Na maioria, todos eles descartáveis. Neste ínterim a DC apresentou “Zero Hora: Crise no Tempo“, conseqüência direta dos efeitos mostrados em “Morte e Retorno do Superman”, “Crepúsculo Esmeralda” e “Holocausto Esmeralda”. A saga foi concebida como uma oportunidade de consertar algumas inconsistências na cronologia do Universo DC que surgiram com a unificação dos diversos mundos do Multiverso em um único Universo durante a “Crise nas Infinitas Terras” e claro, mostrar o destino de Parallax e seu anseio de mudar a realidade.

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Como conseqüência das ações de Parallax e Extemporâneo na saga, diversas anomalias e distúrbios temporais foram ocasionados, causando encontro de personagens com suas versões passadas e de outras realidades. Tudo isso era mostrado na mini principal e em edições regulares da editora que serviam como tie-ins. Foi assim que em “Justice League America Vol.1 #92” (Setembro de 1994) fomos apresentados a Triunfo. Criado por Brian Augustyn, Mark Waid e Howard Porter, o personagem sempre foi associado ao seu escritor em tempos de “Justice League Task Force“, Christopher Priest (Priest mais tarde revelaria que Triunfo foi parcialmente baseado em Neal Pozner, Diretor de Serviços Criativos da DC).

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Na trama mostrada em “Justice League America Vol.1 #92“, “Justice League Task Force Vol.1 #16” e “Justice League International Vol. 2 #68“, foi revelado que William foi membro fundador da Liga da Justiça da América ao lado de Hal Jordan, Barry Allen, Aquaman, Canário Negro e Caçador de Marte (equipe esta que foi estabelecida como a primeira formação da Liga após Crise nas Infinitas Terras) e foi varrido da existência devido a uma fenda do tempo, enquanto se sacrificava para salvar o mundo. Como resultado da autocorreção do fluxo do tempo, foi apagado da memória de todos, para nunca mais ser visto ou ouvido de novo, até que as anomalias temporais causadas pela crise o trouxessem de volta do limbo interdimensional onde estava aprisionado. Mais tarde, o passado do herói esquecido foi mostrado: O pai de William MacIntyre trabalhava para o cientista Dr. Cobalt. Quando o patrão de seu pai lutou contra o Homem-Hora original, William salvou o herói de uma explosão magnética. O herói disse ao jovem William para aprender com os erros de seu pai. Então William decidiu se tornar um herói: Triunfo.

Os leitores inicialmente não gostaram do personagem. Christopher Priest e o editor Brian Augustyn decidiram brincar com tal fato para mostrar que não só os fãs, como também os personagens não gostavam dele.

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Quando ele voltou do limbo dimensional para a era moderna, seu encontro com a Liga da Justiça Internacional rapidamente transformou-se em um violento confronto. Arrogante e triste por ninguém se lembrar dele e de seus atos heróicos, William buscava encontrar seu espaço. Um dos personagens salvos por Parallax para presenciar a reconstrução de todo Universo DC, ele se viu indeciso em qual lado escolher durante a batalha final de “Zero Hora” que resultou no reinício de todo o Universo e sua linha do tempo, mas nem assim Triunfo e sua história foram reinseridos corretamente a cronologia. Após a derrota de Parallax, ele acabou entrando para a Liga da Justiça Força-Tarefa ao lado de Ray e Cigana. Além de desenvolver um forte relacionamento de amizade com Ray, salvou a vida de Cigana, embora mais tarde ele afirmou que quase a deixou morrer com medo dele morrer no processo e “ficar mal” aos olhos dos outros membros por não salvar sua colega. Insatisfeito com suas poucas missões na equipe, ele também fundou paralelamente um segundo grupo para atingir os criminosos violentos e desmantelar completamente suas organizações. Sua atitude acabaria por resultar na sua expulsão da Força-Tarefa. Alternativamente, foi mostrado que J’onn J’onzz o demitiu por ele não ser regularmente consultado por Triunfo.

Durante “Vingança do Submundo“, Triunfo recebeu uma tentadora proposta de Neron: recuperar a década que perdeu de volta em troca da sua alma. Para tal, era só acender a vela que o demônio lhe ofereceu. Após inúmeras reviravoltas, como não conseguir fazer as pases com J’onn e ser impedido de voltar a equipe, ele chegou a consideror acender a vela, graças ao fracasso de sua carreira, mas graças ao apoio de Cigana, queo lembrou de todos os seus atos heróicos, como ter salvado a vida dela, William decidiu que sua vida poderia ter significado e voltou a falar com J’onn, mas Ray e Cigana acabaram involuntariamente acendendo a vela para um memorial. Com isso, Triunfo ganhou sua década perdida depois de tudo o que passou,apenas para descobrir que a Liga era o mesma e que Cigana ainda estava viva, mesmo sem a sua presença. E mais uma vez o herói se via esquecido e pior, sem alma O escritor Christopher Priest declarou que a alma perdida da Triunfo explicaria suas aparições futuras como um personagem maligno, como foi mostrado nas história da Liga da Justiça de Grant Morrison.

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As repetidas e fracas idéias, reformulações e equipes criativas dos anos 1990 não agradaram aos fãs e os três títulos da Liga, “Extreme Justice“, “Justice League America” e “Task Force“, foram cancelados devido às baixas vendas. O vazio deixado por elas logo foi magistralmente preenchido pela Liga da Justiça defintiva, formada pelos Sete Magníficos da editora. A equipe formada em “Justice League: A Midsummer’s Nightmare” por Mark Waid e Fabian Nicieza, passou por uma fase dourada sob a tutela de Grant Morrison em “JLA Vol.1“. Durante Crise Interdimensional, saga que colocou Sociedade da Justiça e Liga da Justiça juntas novamente desta vez para impedir um ataque maligno da 5ª Dimensão, o destino de Triunfo foi mostrado. Irado, amargo e desesperado, ele vendeu coisas roubadas da Torre de Vigilância para supervilões para poder pagar o aluguel e suas contas. Ao fazer isso, ele acabou se deparando com o gênio LKZ, uma espécie de contraparte maligna do Relâmpago, companheiro de Johnny e Jakeem Trovoada. A influência de LKZ lhe corrompeu ainda mais. Controlando mentalmente seus antigos companheiros Ray e Cigana, Triunfo foi usado nas maquinações de LKZ, que queria simplesmente destruir o mundo, causando uma guerra entra a Terra e a Quinta Dimensão, envolvendo até mesmo Qwsp, um antigo duende que estressava Aquaman.

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Ao longo de seu ataque, Triunfo expressou abertamente seu descontentamento. Alegando o elitismo da Liga, acusou os Sete Magníficos de ignorar sua equipe e outros antigos membros do grupo. Para total surpresa dele, Superman lhe disse que ele foi um ótimo membro da Liga e que ele seria muito bem-vindo de volta a qualquer momento, bastava simplesmente pedir para voltar. Na resolução deste conflito, Triunfo foi transformada em gelo pela Espectro, que estava disposto a matá-lo, mas mudou de ideia por um pedido de compaixão pelo anjo Zauriel. Congelado, foi armazenado na sede da Liga da Justiça, com uma placa com os dizeres “Membro fundador da LJA” como um memorial. Por fim, com as forças conjuntas da Liga, da Sociedade, Jakeem e a fusão de LKZ e Relâmpago, a crise foi resolvida.

Anos mais tarde o Superboy Primordial destruiria a sede da Liga durante Crise Infinita. O que todos esqueceram, principalmente Grant Morrison, é que Triunfo ainda estava lá. O herói, assim, acabou morrendo ao lado de todos os artefatos históricos da equipe.
Vários anos após a morte de Triunfo, foi revelado que ele tinha, sem saber, um filho chamado Jonathan. Durante um protesto universitário contra a construção de um reator nuclear, o perturbado adolescente manifestou habilidades sobre-humanas semelhantes às de seu pai. Depois de ir enlouquecer e matar dezenove pessoas (incluindo sua namorada Christie), Jonathan foi confrontado por Supergirl e Ravena. As duas, usando as habilidades de Ravena, entraram na mente de Jonathan, onde descobriram que ele tinha sido levado à loucura por visões fragmentadas da remoção de Triunfo da cronologia e posterior regresso, bem como as mudanças na continuidade causadas ​​pelos socos desferidos pelo Superboy Primordial contra a parede da realidade. Por fim, Jonathan desapareceu em um flash de luz após Ravena conjurar uma imagem da Triunfo, que convenceu seu filho a parar suas ações assassinas.

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Triunfo foi rapidaemente mostrado durante a batalha final da Liga da Justiça e Vingadores contra Krona, onde alterações na realidade causadas pelas fusões dos dois Universos fizeram com que todos os membros que já passaram pelas duas equipes surgissem do nada durante a batalha.

Durante “A Noite Mais Densa”, Doutor Luz, durante sua batalha com Kimiyo Hoshi, a Doutora Luz, provocava a heroína a comparando com heróis que foram rapidamente esquecidos após a morte, mencionando Triunfo como um deles.

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Entretanto, foi em Trindade que o destino final de Triunfo foi revelado. McIntyre foi mostrado vivo em uma realidade distorcida criada pela extração forçada de Trindade formada por Batman, Superman e Mulher-Maravilha. Lá, ele é membro da Sociedade da Justiça Internacional e tinha como companheira a Mulher do Amanhã, breve membro da Liga de Morrison. Ambos foram informados por Gavião Negro que de acordo com a verdadeira linha do tempo, eles deveriam ser mortos, mas Triunfo ainda lutava para restaurar a linha do tempo. No fim, ele acabou se sacrificando como um verdadeiro herói ao salvar a Mulher do Amanhã. Tendo assim, morrendo finalmente como o herói que sempre quis ser.

Curiosidade: Christopher Priest revelou que Triunfo foi escrito como gay, embora que isso nunca tenha sido oficialmente declarado em quadrinhos porque ele não tinha uma história apropriada para lidar com essa questão sensível. “Triunfo era gay, algo que provavelmente só eu e Brian Augustyn sabíamos e nunca tivemos uma chance de lidar bem com essa situação nas revistas, mas minha ideia central para todo o desenvolvimento dele era: o quão fora do lugar e do universo DC ele era.”

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