[Terra Zero F.C.] Parallel Man + Entrevista com Christopher Jones!

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A Terra Zero F.C. deste mês é muito especial, porque recebemos uma edição exclusiva de Parallel Man, novo quadrinho independente de ficção científica, que será publicado pela Future Dude, com roteiros de Jeffrey Morris e Frederick Haugen, e arte de Christopher Jones (Young Justice, Batman ’66).

Em Parallel Man temos uma versão alternativa dos EUA que descobre, no fim da Segunda Guerra Mundial, a habilidade de viajar entre o multiverso. Assim, o governo começa a conquistar e a escravizar diversas Terras paralelas sob a bandeira da Ascensão. É aí que entra nosso herói, o neto do antigo líder de um grupo rebelde chamado “Futuristas”, que pretende dar fim à Ascensão.

A primeira edição de Parallel Man, conforme prometido, nos leva a diversos universos paralelos, todos imaginativos como, por exemplo, uma Terra em que a extinção dos dinossauros nunca aconteceu. A melhor parte? Dinossauros humanoides montados em dinossauros comuns. Isso mesmo.

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Apesar dos conceitos, como viagens através de Terras paralelas e de um herói “escolhido” tentando derrubar um modelo tirânico de governo, não serem tão originais assim, Parallel Man consegue conquistar. Principalmente por seu ritmo, o quadrinho já começa jogando você dentro da ação e isso não para por um segundo. A primeira edição tem 30 páginas de pura ação e perseguições, mas os roteiristas fazem um belo trabalho ao construir o mundo ao mesmo tempo em que explicam toda a situação ao longo da narrativa.

Visualmente o quadrinho está fantástico. A arte de Christopher Jones tem uma pegada de animação e as cores casam perfeitamente. Todos os mundos parecem diferentes, até os que não são tão diferentes assim. Vale citar que alguns designs que vemos aqui foram criados por Eric Chu, responsável por vários designs de Battlestar Galactica.

Apesar de não trazer conceitos extremamente inovadores, a HQ consegue dar um ar fresco para eles, combinando-os com um excelente ritmo narrativo.

Recomendo muito que vocês apoiem esse projeto e comprem no Comixology no dia 1 de Outubro, quando será lançada oficialmente!

[vimeo width=”630″ height=”300″]http://vimeo.com/105701046[/vimeo]

Para terminar, tivemos uma chance de conversar com o desenhista da série, Christopher Jones, que já desenhou algumas edições para DC Comics, principalmente na linha baseada em seus desenhos animados.

TZFC: Olá Chris, estamos muito felizes de podermos conversar com você. Eu li a primeira edição de Parallel Man e gostei bastante. Então, eu gostaria de incluir algumas perguntas no meu review.

Christopher Jones: Olá, Matheus, ficarei feliz de responder as perguntas de vocês.

TZFC: Acho que primeiro seria interessante você se apresentar aos nossos leitores. Eu sei que você desenhou algumas HQs baseadas em Young Justice, assim como alguns outros trabalhos para a DC e a Marvel. Você pode falar um pouco sobre seus trabalhos favoritos e/ou mais memoráveis?

CJ: Depois de desenhar vários fill-ins e histórias curtas para antologias, minha primeira série regular para a DC Comics foi Batman Strikes, baseada na série animada The Batman. Dado que o Batman é meu herói favorito, eu fiquei bastante feliz de poder desenhar os habitantes de Gotham todo mês. Acho que desenhei 46 edições das 50 que teve, então foi bastante trabalho. Minha próxima série acabou sendo Young Justice, novamente baseada na série de TV. Dentre os personagens e histórias que eu pude desenhar, assim como trabalhar com escritores como Greg Weisman que era o co-produtor da série, Young Justice se tornou provavelmente o trabalho favorito da minha carreira até o momento. Eu também amo os personagens da Marvel, mas a metade dos trabalhos que fiz para eles nunca foi vista! Fiz mais coisas baseadas em animações, incluindo algumas edições de Avengers: Earth’s Mightiest Heroes e algumas artes para o Marvel Superhero Squad – tanto pra HQ quanto pra série de TV. Eu também desenhei uma história do Homem Aranha, uma história personalizada do Homem de Ferro pro Departamento de Energia, e um livro de colorir de 80 páginas dos Vingadores, mas eu não acho que algum desses tenha visto a luz do dia fora de alguns pequenos círculos. Antes do meu projeto atual com Parallel Man eu tive a oportunidade de desenhar uma história para Batman ’66 da DC, baseado na série do Adam West. Foi muito divertido e eu espero desenhar mais dessas se minha agenda permitir.

TZFC: Ok, eu gostei bastante da sua arte nessa edição, ela tem uma vibe meio “Jack Kirby Desenho Animado”. Quais são suas maiores influências? Não só como desenhista, mas como um fã de ficção científica em geral.

CJ: Eu sou um grande fã de ficção cientifica, e eu cresci com várias coisas dos anos 60 e 70. Star Trek, claro, mas também coisas mais bobas como Viagem ao Fundo do Mar. Eu amo os designs de Andrew Probet para Star Trek e designers como Syd Mead, que consegue criar mundos ficcionais que são visualmente atrativos, mas também parecem reais e funcionais.

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TZFC: Você pode falar um pouco sobre a origem de Parallel Man? Como vocês chegaram no conceito do “Multiverso”?

CJ: Parallel Man foi criado por Jeffrey Morris e desenvolvido por seu co-escritor Frederick Haugen. Quando fui chamado para desenhar eles já tinham algumas artes conceituais do Eric Chu de Battlestar Galactica e alguns excelentes designs de veículos, mas eu ainda tive vários designs para trabalhar – desde personagens e uniformes até vários dos cenários que vemos durante a história. A ideia de multiverso não é nada nova, mas espero que estejamos trazendo algo novo com nossa história. A ideia de Parallel Man é ser uma aventura com um ritmo bastante rápido – jogando você num universo complexo, onde os eventos já estão acontecendo e confiando que o leitor é inteligente o suficiente para juntar as peças a partir do que tem. No primeiro capítulo temos uma perseguição que toma quase todas as páginas iniciais, e aí podemos visitar várias Terras paralelas. Trabalhando nesse quadrinho nós conversamos sobre como “O Império Contra-Ataca” usava as Hoth, a Cidade das Nuvens e Dagobah como panos de fundo para sua ação. Nós estamos fazendo a mesma coisa, só que com Terras paralelas ao invés de planetas alienígenas. Nosso conceito de Mundos Paralelos segue a teoria de Linhas do Tempo divergentes, quanto mais longe o ponto de divergência, mais diferente o lugar será. Alguns mundos só são diferentes num nível sócio-politico, enquanto em outras Terras o asteroide nunca causou a extinção dos dinossauros. Temos muito para explorar.

TZFC: Por último, mas não menos importante, eu vi na fanpage da série que tem um jogo e uma animação de Parallel Man em produção. Você pode nos explicar como isso vai funcionar, e como tem sido a experiência de ter seu trabalho adaptado para outras mídias?

CJ: Além das 7 edições inicias do quadrinho, FutureDude vai lançar um jogo de cartas colecionáveis e um jogo para celulares. A coisa que eu mais tenho estado envolvido, além do quadrinho, tem sido os storyboards para a animação de 12 minutos, que está sendo produzida meio que como um piloto para uma série animada de Parallel Man. O quadrinho é onde estamos definindo o visual que será usado nessas outras encarnações. É bem bacana! Vocês podem encontrar mais informações sobre todas as diferentes formas de Parallel Man no site: http://www.futuredude.com/titles/parallel-man

TZFC: Bem, Chris, é isso. Obrigado pelo seu tempo, e ficamos no aguardo do lançamento e torcendo pelo futuro do projeto!

CJ: Espero ter conseguido responder suas perguntas. Obrigado novamente por nos ajudar a trazer mais visibilidade para esse projeto!

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  • Khalil

    Parabéns Kajima,muito boa a coluna.Fiquei curioso para ler o projeto.

  • Excelente matéria!
    A série parece bem interessante, e o Christopher Jones é um bom desenhista, que merecia mais espaço no mercado.