[Momento do Renegado] O que é Banned Books Week?

Por o irreverente, inimigo do bigode, senhor de todas as certezas e cronologias. O primerio. O Grande. O Único. Renegado!

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Banned Books Week (Semana dos Livros Banidos) é uma campanha estadunidense anual de conscientização que comemora a liberdade de ler, chama atenção para livros banidos e contestados, e coloca em evidência indivíduos perseguidos. Essa campanha “enfatiza a importância de garantir a disponibilidade daqueles pontos de vista que não são ortodoxos ou populares para todos aqueles que desejam ler sobre eles” e a garantia de manter esse material disponível publicamente para que as pessoas possam desenvolver suas próprias conclusões e opiniões. Embora ocorra nos EUA, ela é internacional e apontam indivíduos “perseguidos por causa de escritos que eles produziram, fizeram circular ou leram”.

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A Banned Books Week, como o próprio nome já diz, dura uma semana. As datas variam de ano pra ano que nem o que acontece com nosso Carnaval, entretanto a Banned Books Week não é um feriado. Normalmente essa campanha ocorre no final e/ou início de outubro e assim tem sido desde sua criação em 1982, por exemplo: em 2011 foi de 24 de setembro a 1º de outubro, em 2012 foi de 30 de setembro a 6 de outubro e em 2013 foi de 22 a 28 de setembro. Este ano a Banned Books Week ocorrerá de 21 a 27 de setembro.

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A Banned Books Week foi fundada em 1982 por Judith Krug, uma proeminente ativista pela Primeira Emenda e literária. A campanha é patrocinada por: American Library Association (ALA), American Booksellers Association, American Booksellers Foundation for Free Expression (ABFFE), American Society of Journalists and Authors, Association of American Publishers, National Association of College Stores, Comic Book Legal Defense Fund, Freedom to Read Foundation, National Coalition against Censorship, National Council of Teachers of English; e apoiada pelo Center for the Book in Library of Congress. Respectivamente: Associação da Biblioteca Americana, Associação das Editoras Americanas de Livros, Fundação das Editoras Americanas de Livros pela Liberdade de Expressão, Sociedade Americana de Jornalistas e Autores, Associação de Editoras Americanas, Associação Nacional de Lojas Universitárias, Fundo para Defesa Legal das Revistas em Quadrinhos, Fundação Liberdade de Leitura, Coalizão Nacional contra a Censura, Conselho Nacional de Professores de Inglês e Centro pelo Livro na Biblioteca do Congresso.

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A Banned Book Week não só encoraja os leitores a examinar os trabalhos literários banidos e contestados, mas também promove liberdade intelectual em bibliotecas, escolas e livrarias. Sua meta é “ensinar a importância dos direitos da nossa Primeira Emenda e o poder da literatura, e chamar a atenção para os perigos que existem quando restrições são impostas na disponibilidade de informação numa sociedade livre”.

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Durante a Banned Books Week a ALA vende pôsteres, botons, e marca-páginas para comemorar o evento. Muitas instalações educacionais também comemoram os livros banidos e contestados durante essa semana, quase sempre criando exposições e programas sobre a campanha de conscientização. Adicionalmente, várias editoras de livros patrocinam atividades e eventos em apoio à Banned Books Week. Algumas livrarias criam exibições nas vitrines, enquanto outras vão mais longe, convidando autores de material banido e contestado para vir falar em suas lojas, assim como fazer gincanas tendo como tema a liberdade de expressão. Editoras de livros e instalações educacionais também patrocinam “leituras”, permitindo que participantes leiam em voz alta passagens de seus livros banidos favoritos.

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Embora o evento ocorra somente nos EUA, a Anistia Internacional também comemora essa campanha de conscientização direcionando a atenção para indivíduos “perseguidos por causa de escritos que eles produzem, fazem circular ou leem”. O seu site documenta anualmente casos exemplares que mostram indivíduos que foram reportadamente mortos, encarcerados ou até atormentados por autoridades nacionais pelo mundo, e pedem às pessoas para tomar algum tipo de atitude para ajudar em parceria com sua “Urgent Action Network” (Rede de Ação Urgente) por contatar autoridades por causa da violação dos direitos humanos. Ele também provém informações sobre novidades de casos de anos anteriores, dando história e o status atual de pessoas que alegadamente foram perseguidas pelos seus escritos. Os casos incluem indivíduos do Azerbaijão, China, Cuba, Egito, Gâmbia, Irã, Rússia e Sri Lanka.

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O que seriam livros banidos?

Livros banidos são livros aos quais não é permitido o livre acesso. A prática de banir livros é uma forma de censura e frequentemente têm motivações políticas, religiosas ou morais.

Alguns livros que foram banidos por governos:

  • Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll é um livro banido na província de Hunan na China desde 1931. Sua censura se deve ao General Ho Chien que acreditava que pelo livro mostrar animais com características antropomórficas poderia ensinar às crianças que humanos e animais são iguais, o que seria desastroso.
  • A Bíblia já foi censurada em dúzias de países, tanto no passado quanto no presente. A Coréia do Norte é um dos países em que a Bíblia é banida atualmente, inclusive uma mulher foi executada em 2009 naquele país por distribuir Bíblias de graça.
  • O Código Da Vinci de Dan Brown foi banido em setembro de 2004 no Líbano após líderes católicos considerarem o livro ofensivo ao Cristianismo.
  • O Dicionário da Linguagem Servo-Croata Moderna foi banido na Iugoslávia por ordem judicial em 1966 porque “algumas definições podem causar distúrbio entre os cidadãos”.
  • Frankenstein de Mary Shelley foi banido na África do Sul durante o regime de Apartheid em 1955 por conter material “obsceno” ou “indecente”.

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O que seriam livros contestados?

Livros contestados (challenged books” em inglês), são obras que uma pessoa ou grupo tentam remover de alguma biblioteca ou currículo de alguma escola, ou pelo menos restringi-los. Sendo que revistas em quadrinhos também podem ser contestadas.

Alguns livros contestados nos EUA:

  • As Aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain
  • Carrie, a Estranha de Stephen King
  • A série Goosebumps de R. L. Stine
  • A série de Harry Potter de J. K. Howling

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O que é Primeira Emenda?

A Constituição dos EUA tem dez emendas que constituem a Carta de Direitos, a Primeira Emenda proíbe a criação de qualquer lei que desrespeite o estabelecimento de religião, impeça o exercício livre de uma religião, abrevie a liberdade de expressão, cause infração na liberdade de imprensa, interfira com o direito de se reunir pacificamente ou proíba a petição de redirecionamento governamental de queixas. Isso foi adotado em 15 de dezembro de 1791, como uma das dez emendas.

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E revistas em quadrinhos banidas e/ou contestadas

  • Batman: A Piada Mortal foi removida da biblioteca pública de Columbus em Nebraska em 2013 porque um de seus patronos pediu isso porque achava que incitava o estupro e a violência.
  • Batman: O Cavaleiro das Trevas 2 teve contestada sua inclusão numa Biblioteca Distrital do Condado de Stark em Canton, Ohio, por um patrono em 2010. A razão foi que um patrono desconhecido reclamou que a revista continha sexismo e linguagem ofensiva e “não era própria para a faixa etária”.
  • A Liga de Extraordinária: Dossiê Negro teve sua cópia tirada de circulação por dois empregados na Biblioteca Pública do Condado de Jessamine no Kentucky para impedir que pessoas a lessem, eles acabaram despedidos por isso em 2009.
  • Watchmen teve sua inclusão em bibliotecas escolares contestada por pais em pelo menos duas ocasiões. Uma em 2001 numa escola de Harrisonburg na Virginia e outra em 2004 numa escola da Florida.
  • Sandman tem sua série em quadrinhos e Graphic Novel dentre as revistas em quadrinhos mais contestadas e banidas de livrarias nos EUA desde a sua publicação. Alguns dos motivos têm sido: “temas anti-família”, “linguagem ofensiva” e “não cabível para a faixa etária”.
  • Algumas outras revistas em quadrinhos que foram banidas e/ou contestadas nos EUA: Bone, Maus, Neonomicon, Tank Girl, Homem-Aranha: Revelações e até mangás de Dragon Ball.

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Essa Banned Books Week é uma campanha bacana, quem sabe um dia não seja adotada no Brasil? Ou será que tem alguém que crê que aqui não é necessário?

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