[Momento do Renegado] Aquaman – Trono da Atlântida (1ª Parte)

Por o grandíssimo, renovado, revigorado, atlântico e titânico Renegado Primeiro e Único!  

Olá, voltei pra fazer mais uma resenha das histórias do Aquaman nos Novos 52. Desta vez a resenha será sobre a saga Trono da Atlântida que ocorrerá num crossover entre as histórias do Aquaman com as da Liga da Justiça.

Trono da Atlântida – Prólogo (Liga da Justiça #14)

A história começa nos mostrando um acontecimento em 1820, no Oceano Atlântico. Um navio tenta matar uma criatura que está na água, os marinheiros dizem que é um monstro. A tripulação consegue capturar a criatura com uma rede de pesca e é um homem muito parecido com o Aquaman, ele é loiro e barbudo e até seus trajes lembram o uniforme do Aquaman, só que a camisa dele é prateada. O Capitão do navio conta que uma mulher que ele se refere como “bruxa do mar” tinha brânquias e inspecionando o homem capturado viram que ele também tinha brânquias atrás das orelhas.

A tal “bruxa do mar” foi salva pela tripulação, ela tinha sido ferida gravemente por um tubarão branco. E ela “não quis agradecer aos marinheiros como uma mulher deveria”, ou seja, tendo relações sexuais com eles, e por causa da insistência ou porque estava sendo forçada a mulher se defendeu e matou dois marujos. Então a tripulação matou a mulher, aí esse homem parecido com o Aquaman foi ao navio e arrancou um olho do Capitão.

O Capitão falou que iria matar o tal homem e vender os olhos dele para médicos por uma fortuna, e crianças pagariam muito para ver o resto do cadáver. Infelizmente para o Capitão, o navio foi cercado por vários homens na água antes que ele pudesse matar o homem que ele tinha capturado. Isso me lembrou bastante do livro Moby Dick, esse Capitão queria se vingar do homem parecido com o Aquaman porque ele o fez perder um olho tal como a Moby Dick fez o Capitão Ahab perder uma perna.

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De volta ao presente, o Aquaman usa seu poder de controle da vida aquática nos peixes. E vemos a sala do trono na Atlântida, o rei conversa com uma mulher, só conseguimos ver suas silhuetas. Os peixes na sala do trono começam a encarar o rei e ele deduz que seu irmão, o Aquaman, quer falar com ele. Numa edição futura saberemos quem é essa mulher conversando com o Rei Orm, se preparem porque é de fazer o queixo cair.

Aí, a história pula para Belle Reve, uma das prisões para supervilões no Universo DC. Um guarda está com a papelada pra chamar o Arraia Negra para o Esquadrão Suicida, Amanda Waller passou ordens de que tem que se esperar por ela para discutir o assunto com o inimigo do Aquaman, porém o guarda decide resolver isso logo com o Arraia Negra para poder ir embora mais cedo pra casa. O guarda entra sozinho numa sala com o Arraia Negra e faz deboches do vilão, o Arraia mesmo algemado mata o guarda de maneira violenta. E Amanda Waller chega em seguida.

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Vamos então para o fundo do mar, Aquaman aguarda ao lado de um navio afundado e chega o atual rei da Atlântida, o meio-irmão do Aquaman. O Rei Orm e Aquaman conversam, o herói quer saber sobre os atlantes que atacaram a base da marinha e roubaram aquele artefato em forma de “A” na história “Perdido” publicada em Universo DC #5 e também sobre aqueles atlantes que contrataram o Arraia Negra para obter o cetro dourado que era a sétima relíquia atlante conforme vimos na conclusão do arco “Os Outros” em Universo DC #13. Orm afirma não ter nada a ver com isso e garante não pretender atacar a superfície.

Agora a história nos leva a aldeia de pescadores na Noruega onde Vulko mora. Ele estava conversando com alguns pescadores e é encontrado na praia o cadáver de um atlante com armadura semelhante à usada pelos atlantes nos incidentes na base da marinha e na entrega do cetro dourado, aparentemente o mar trouxe o cadáver pra praia. Vulko mergulha no mar e some.

Aquaman e Orm conversam, o rei conta ao irmão sobre uma vez que foi até a superfície pedir a ele que assumisse o trono e o Aquaman recusou, para Orm aquele era um lugar terrível. O rei da Atlântida conta a história desse navio afundado. Era o navio daquela tripulação que capturou o homem parecido com o Aquaman no começo da história. O tal homem era o bisavô do Aquaman e do Orm, os marinheiros daquele navio mataram a bisavó deles, a rainha da Atlântida, e então caçaram o bisavô e rei. Como punição, atlantes afundaram o navio e deixaram a tripulação viva, contudo os marinheiros ficaram a deriva no mar e foram se afogando um a um até só sobrar o capitão e quando ele não tinha mais forças pra nadar e ia se afogar os atlantes o levaram até a costa, porém o capitão exigiu que os atlantes o levassem ao navio porque um capitão sempre afunda com o navio. O esqueleto do tal capitão estava dentro do navio afundado, Orm fala que se quisesse poderia afundar todo barco e navio e que ninguém poderia impedir isso. O rei se despede e parte.

Enquanto isso alguém vai no fundo do mar, onde aquela fossa das criaturas abissais foi fechada e usa o cetro para abrir a fossa novamente libertando as criaturas.

Engraçado que nessa história só vemos a silhueta de Orm ou parte dele visível em meio a sombras, só que na revista estadunidense o vemos completamente na capa. Por que esconder sua aparência na história para causar suspense se foi revelada na capa?

Trono da Atlântida – Capítulo 1 (Liga da Justiça #14)

No Oceano Atlântico, um navio porta-aviões da marinha dos EUA se prepara para disparar mísseis num teste, de repente acontece algum mal funcionamento que altera as coordenadas dos alvos e a inicia a contagem regressiva para o lançamento. Os mísseis são lançados e mergulham no mar e se dirigem ao fundo do oceano, eles vão cair ao lado da Atlântida.

A história corta para a fazenda dos Kents em Smallville, Superman ensina à Mulher-Maravilha como se disfarçar numa identidade secreta usando óculos.

Partimos para a Torre de Vigilância, o satélite orbitando a Terra que é o QG da Liga da Justiça. Silas Stone, o cientista que trabalha nos Laboratórios STAR e é pai do Cyborg, entra em contato com o filho a pedido de um almirante. Ele informa sobre o teste de mísseis que deu errado naquele porta-aviões e que a marinha não consegue contatar o navio. Repentinamente, tudo dentro da satélite se desliga.

Em Gotham City, o Batman pilota a bat-lancha e persegue uma lancha com alguns capangas do Espantalho e reféns. O Cyborg contata o morcego e o informa do que aconteceu no porta-aviões e com o satélite. Batman pula na lancha dos bandidos e o Aquaman chega pra ajudar.

Depois, a polícia de Gotham City leva os bandidos presos e faz piadas em relação ao Aquaman. Nosso herói marinho foi pedir auxílio ao cavaleiro das trevas para chamar a Liga da Justiça porque percebeu que os peixes estão fugindo pra longe da costa desde Boston até Gotham City e não obedecem aos comandos telepáticos do Aquaman. Isso aconteceu antes quando aquelas criaturas da fossa foram até Beachrock e atacaram a população no arco “Abissais”, todavia agora como os peixes fogem de uma área bem maior indica que deve ter um número muito maior daquelas criaturas. Mera chega e confirma que os peixes estão fugindo.

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A Mulher-Maravilha está disfarçada e jantando com o Clark Kent num restaurante de frutos do mar a beira do mar em Metropolis, falta luz no local e em seguida uma onda gigantesca vem pra cima da cidade. A tsunami traz alguns navios pesqueiros e um porta-aviões.

O Superman e a Mulher-Maravilha detêm o porta-aviões. Lois Lane e Jimmy Olsen estão perto dali e Vulko surge e salva Lois de se afogar.

O satélite da Liga da Justiça volta a funcionar e o Cyborg contata o Batman, Cyborg informa que a maré subiu absurdamente e inundou Boston e Metropolis. E isso vai acontecer com Gotham City também.

O Aquaman informa que isso faz parte de planos de guerra da Atlântida contra a superfície. Primeiro os atlantes causam inundação nas áreas costeiras mais densamente populosas e em seguida o exército atlante invade essas áreas inundadas. E foi o próprio Aquaman que formulou esse plano de guerra.

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Na última página vemos o exército atlante rumando por baixo d’água para atacar a superfície. Têm vários tipos diferentes de soldados, com veículos esquisitos e cavaleiros montando cavalos-marinhos gigantes. E o Orm está ali no meio da bagunça.

Trono da Atlântida – Capítulo 2 (Liga da Justiça #15)

Gotham City é inundada e o bat-sinal vai parar embaixo d’água, assim como o Comissário Gordon e o Detetive Bullock, porém o Aquaman aparece e salva os dois e os leva para o terraço de um arranha-céu. Os terraços dos outros arranha-céus ao redor estão cheios de gente salva da inundação. Mera tenta diminuir a inundação com seus poderes de controle sobre a água, contudo ela falha e diz que sentiu vários corpos embaixo d’água.

Em Metropolis, Superman, Mulher-Maravilha, Lois Lane e Vulko estão em cima de um edifício. O homem de aço usa sua visão de raio-X pra ver se tem algo errado com Vulko porque ele está desmaiado e percebe que a anatomia do atlante é diferente, Superman não tem certeza se ele tem pulmões. Vulko acorda nervoso e o azulão tenta segurá-lo deitado, porém o ex-conselheiro da Atlântida lhe dá um soco que joga o herói longe. Vulko conta que isso é um ataque da Atlântida contra a superfície.

Em Gotham City, Mera fica na cidade usando seus poderes pra diminuir a inundação e ajudando a população local. Batman e Aquaman partem para Metropolis numa batnave. Durante a viagem os dois conversam, o Aquaman tenta explicar a ação da Atlântida, que os moradores da cidade submersa não vêem com bons olhos o mundo da superfície por causa da poluição no meio ambiente, os testes nucleares, etc. No meio do percurso essa bat-nave é atacada e derrubada, o herói aquático supõe que foram os atlantes porque nos planos de guerra o Batman é tido como uma ameaça.

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O Superman e a Mulher-Maravilha levam o Vulko pra Torre de Vigilância e o Cyborg avisa isso ao Batman e ao Aquaman. Os heróis se reúnem no satélite e Vulko e Aquaman conversam que o ataque do porta-aviões foi um acidente e que tem alguém tentando jogar a Atlântida contra a superfície.

Vemos de novo uma cena daquelas criaturas abissais saindo da fossa no fundo do Oceano Atlântico.

No QG da Liga, Vulko diz a Aquaman que ele precisa ir falar com Orm para parar essa guerra, o Superman exige que o irmão do Aquaman seja trazido em custódia para responder por seus crimes. Ocorre uma discussão e o Batman dá um tempo para que Aquaman converse com o irmão e resolva o problema, o herói marinho pede ao Cyborg para ir buscar o Dr. Shin porque os atlantes vão tentar matar ele porque o vêem como uma ameaça assim como o Batman.

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Em Boston, Orm surge nas docas da cidade e ataca um marinheiro, ele interroga o marinheiro e decide matá-lo cruelmente, todavia é impedido pelo Aquaman que chega na ora. Os dois irmãos discutem agressivamente, Orm não aceita levar o exército atlante embora e abre-se um tubo de explosão de onde saem o Superman, o Batman e a Mulher-Maravilha.

A trindade não quer mais deixar o Aquaman lidar com a situação, eles escutaram a conversa dos dois irmãos e sabem que o Orm não pretende parar o ataque, a trindade sabe que o exército atlante está avançando pra Boston e decide capturar o Orm ela mesma. Então o Aquaman ataca o Batman.

Trono da Atlântida – Capítulo 3 (Liga da Justiça #15)

Vulko está na Torre de Vigilância com o Cyborg, o herói não consegue localizar os atlantes, porém descobre onde está o Dr. Shin. Vulko conta que o Dr. Shin é um dos humanos com mais conhecimento sobre a Atlântida e por isso os atlantes o vêem como uma grande ameaça.

O Dr. Shin está dirigindo um carro por uma estrada de terra ao lado do mar, o Cyborg vai até lá por meio de um tubo de explosão e aparece na frente do carro do biólogo que freia bruscamente e é segurado por Victor Stone. Cyborg pede ao velho asiático para que venha com ele, um atlante com traje estranho pula pra fora do mar para atacar o Dr. Shin.

Em Boston, o Aquaman segura o Batman pelo pescoço e diz que se a trindade atacar o Orm, todo o exército atlante vai vir do mar. Os heróis discutem sobre o que fazer, o Batman aproveita e joga pó de potássio no Orm, o pó reage com a água e gera uma explosão.

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Aquaman parte pra cima do Superman e lhe dá um soco que manda o homem de aço pra longe, aí o herói aquático se atraca com a Mulher-Maravilha e a briga dos dois causa muita destruição nas docas de Boston. Orm tenta matar o Batman e é impedido pelo irmão, em seguida a Mulher-Maravilha tenta capturar o Rei Orm e o exército atlante surge do mar.

De volta àquela estrada com Cyborg e o Dr. Shin, os dois são atacados por alguns soldados atlantes. Cyborg pega o Dr. Shin, abre um tubo de explosão e foge levando o biólogo marinho.

Retornando a Boston, os heróis enfrentam o exército atlante, inclusive o Aquaman que tenta dar ordens aos atlantes que não o obedecem. Orm usa sua coroa, que parece um elmo, e movimenta a água do mar criando um tornado de água que prende a Mulhe-Maravilha em seu interior, todavia isso não dura muito porque o Superman a salva. Em seguida o homem de aço joga sua visão de calor na água do mar fazendo-a evaporar e manda os atlantes se retirarem.

Orm não se intimida e usa o poder do seu tridente de controlar as tempestades e faz cair raios em cima do Superman, da Mulher-Maravilha e do Aquaman. Então Orm usa o poder da coroa pra criar outra vez tornados feitos de água do mar que prendem os heróis inconscientes e avisa que foram todos sentenciados às “águas sombrias”.

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O Cyborg chega ao satélite com o Dr. Shin e Vulko avisa que Aquaman e a trindade foram levados pelos atlantes para o fundo do mar. E vemos uma cena dos heróis em Boston, cada um preso num casulo que parece ser feito de alguma pedra semitransparente sendo levados pra uma nave atlante e em seguida a nave submerge no oceano.

Enquanto isso, nos Laboratórios STAR na cidade de Detroit no estado de Michigan, o F.U.Turo conta a Silas Stone que eles poderiam usar um robô que o Dr. Turo estava desenvolvendo que é capaz de controlar o clima contra os atlantes porque eles estavam criando tempestades. Silas Stone não concorda e prefere que eles peçam ajuda ao Dr. Magnus que criou alguns robôs. Abre um tubo de explosão no meio da sala e chega o Cybrog que pede ao pai para instalar nele um módulo ambiental que o permitirá agir embaixo d’água.

Aquela nave atlante levando os heróis vai até uma fossa no fundo do mar e joga os casulos com os heróis lá dentro.

Enquanto isso nos Laboratórios STAR de Detroit, Cyborg e o pai conversam sobre como será o procedimento para instalar o módulo ambiental e Victor Stone se conecta ao QG da Liga da Justiça e convoca ouros heróis para ajudar: Gavião Negro, Canário Negro, Arqueiro Verde, Nuclear, Vixen, Zatanna, Raio Negro, uma heroína completamente nova chamada Fúria Dourada, uma tal de Mulher-Elemento e o Capitão Marvel que nos Novos 52 é chamado de Shazam.

Considerações:

Um menino com olhos púrpuras e chamado Garth?

No Prólogo, na parte em que o Orm está na sala do trono conversando com uma mulher, eles falam que atlantes estavam fazendo ameaças contra um menino de olhos púrpuras chamado Garth. Ora, só podem estar falando sobre o Garth que antes dos Novos 52 foi o primeiro Aqualad, membro fundador dos titãs e depois se tornou Tempest. Pois é, agora nessa realidade nova depois de Ponto de Ignição o Garth foi reintroduzido como uma criança a julgar pelo que o Orm fala de que ele deve ser devolvido à mãe. E aparentemente Garth e Aquaman nunca se encontraram, ou seja, Garth nunca se tornou Aqualad e nunca foi um titã.

A superstição dos olhos púrpuras do Garth se devia a uma profecia dos idilistas. Conforme já comentei nas considerações da primeira parte do arco anterior, os idilistas foram uma facção de Poseidonis que se separou por crerem no pacifismo e criaram uma cidade para eles no Vale Escondido. Assim como na história da Atlântida, em Shayeris também teve um conflito de dois irmãos brigando pelo trono da cidade dos idilistas. Slizzath era o mais velho e Thar o mais novo, Slizzath que deveria herdar o trono e acesso às energias místicas ancestrais, mas ele teve esses direitos negados porque lidava com necromancia, magia de evocação dos mortos, e foi banido do Vale Escondido para sempre, então Thar se tornou rei de Shayeris e recebeu o acesso às energias místicas.

Slizzath retornou ao Vale Escondido vinte anos depois com um exército de mortos-vivos sob seu comando para tomar o trono de Shayeris. Os idilistas eram um povo contra a violência e por isso não tinham armas, contudo o rei mandou construírem um arsenal com armas especialmente desenvolvidas para destruir os mortos-vivos do exército de Slizzath. O exército de mortos-vivos foi derrotado e Slizzath foi aprisionado numa outra dimensão.

Slizzath tinha uma chance de escapar dessa dimensão. O direito ao acesso das energias místicas ancestrais era de quem tivesse olhos púrpuras e tanto Thar quanto Slizzath tinham olhos dessa cor. Se nascesse um bebê com olhos púrpuras ele herdaria esse acesso às energias místicas ancestrais assim como Thar herdara, pra ter o acesso o herdeiro teria que realizar um ritual em determinada idade e Slizzath poderia de algum modo roubar esse acesso durante o ritual, assim teria poder o suficiente para fugir de sua prisão extra-dimensional.

Por isso, idilistas radicais mataram o Rei Thar e baniram a esposa dele. Ocorre que a esposa de Thar estava grávida e foi pedir abrigo em Poseidonis. Berra era o nome dela, ela deu a luz a um menino de olhos púrpuras e o chamou de Garth. Os atlantes em Poseidonis souberam da profecia e o largaram num local ermo para morrer, semelhante ao que fizeram com o Aquaman na fase de Peter David, que foi deixado para morrer por ter cabelos loiros. Só que Garth sobreviveu e acabou por conhecer o Aquaman.

Geoff Johns introduziu o Garth nos Novos 52 como uma criança pequena ou um bebê, seguindo a origem do Garth de que os atlantes o baniram por uma superstição. Agora, não sei se ele deu continuidade a essa origem de que o Garth era um príncipe de uma colônia atlante de pacifistas ou se simplesmente nasceu na cidade submersa da Atlântida. Bom, tendo em vista que o Geoff Johns apagou quase tudo da mitologia do Aquaman que foi criado após Crise nas Infinitas Terras retornando à Era de Prata e criando a partir dali, eu creio na segunda opção porque esse lance de idilistas e o resto foram criados após Crise nas Infinitas Terras. Como já falei antes, é uma pena porque a mitologia do Aquaman foi muito enriquecida depois de Crise nas Infinitas Terras.

E mais, acho que isso é uma tentativa do Geoff Johns de bloquear o uso do Garth nos Novos 52. O pensamento dele seria algo como “eu já coloquei o Garth os Novos 52 e ele é uma criança pequena”, assim o roteirista que assumir depois dele não poderá introduzir o Garth como Tempest ou mesmo Aqualad. Claro que isso não impede algum roteirista de fazer um retcon, ignorar essa conversa entre Orm e a mulher no Prólogo e introduzir o Garth mesmo assim, contudo é uma tentativa. Eu acho isso porque o Geoff Johns assumiu numa entrevista ou algo assim que não sabia como usar o Tempest nas histórias e aí “coincidentemente” o Garth acabou sendo morto na saga Noite Mais Densa, que foi escrita por… Geoff Johns! Antes mesmo do reboot o Johns já pretendia escrever histórias do Aquaman e se livrou do Tempest. E agora nos Novos 52 Geoff Johns faz uso de outro subterfúgio para se livrar do Garth.

O Aquaman de Geoff Johns e A Pequena Sereia da Disney

À medida que eu fui lendo as histórias do Aquaman nos Novos 52 eu fui percebendo que existiam similaridades com a animação em longa-metragem A Pequena Sereia de 1989. É óbvio que tem similaridades: cidades submersas, o personagem principal vive um dilema entre o fundo do mar e terra firme, o regente da cidade submersa tem um tridente mágico… Porém eu quero dizer que tem certas pequenas semelhanças que são coincidências demais. Por exemplo, no Prólogo vemos a sala do trono com o Orm.

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Eu a acho muito parecida com a sala do trono do Rei Tritão em A Pequena Sereia.

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 Reparem que são quatro pilastras ao redor do trono nas duas salas. E as duas salas são redondas e delimitadas não por paredes e sim por colunas.

No futuro eu vou indicar mais semelhanças entre as histórias do Aquaman escritas pelo Geoff Johns e o longa-metragem A Pequena Sereia. Aguarde e confira!

A Costa Leste dos EUA no Universo DC

Aquaman foi até Gotham City falar com o Batman porque ele percebeu que os peixes fugiram para longe da costa numa área desde Boston até Gotham City e achou que fosse por causa das criaturas daquela fossa do arco “Abissais”. Pra quem quiser compreender a extensão dessa área de onde os peixes fugiram, Boston é uma cidade costeira e a capital do estado Massachusetts e no Universo DC a cidade fictícia de Gotham City fica na costa do estado Nova Jersey. O Maine, onde fica a fictícia Amnesty Bay, é o último estado na costa leste dos EUA antes do Canadá. Descendo pela costa desde o Maine tem New Hampshire e depois Massachusetts, então Rhode Island, Connecticut, Nova York e finalmente Nova Jersey.

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Antes dos Novos 52 em Rhode Island ficava Happy Harbor, uma cidadezinha costeira fictícia que tinha em seus arredores o Monte da Justiça, uma montanha em que no seu interior a Liga da Justiça construiu o seu primeiro QG, e que serviu de base pra Justiça Jovem tanto nos quadrinhos quanto no desenho animado. É também em Rhode Island a cidade fictícia de Quahog, onde se passa a maioria das aventuras no desenho Uma Família da Pesada.

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Antes dos Novos 52 em Connecticut ficavam Ivy Town e Calvin City. Ivy Town era a cidade fictícia protegida pelo Eléktron e onde ficava a Universidade Ivy que tinha Ray Palmer como professor. Calvin City é a cidade natal de Al Pratt, o Átomo da Era de Ouro, quando ele começou sua carreira de herói ele era estudante da Universidade de Calvin. Ivy Town e Calvin City eram cidades universitárias, enchiam durante o ano letivo das universidades e esvaziavam durante as férias. Além disso, as duas cidades eram separadas por um rio, semelhante a como acontece com Central City e Keystone City que são separadas pelo Rio Mississipi.

E Nova Jersey era o estado que era o território da família mafiosa que protagonizava o seriado Família Soprano. Se continuar seguindo mais um pouco pra baixo, fica Delaware, o estado onde se localiza Metropolis, a cidade do Superman. Caso se lembre de Sete Soldados da Vitória escrito por Grant Morrison, lá as cidades Nova York (no estado Nova York), Gotham City (em Nova Jersey) e Metropolis (em Delaware) eram chamadas de as 3 irmãs.

E depois de Delaware fica o estado Maryland que é onde fica a capital dos EUA: Washington, DC. É também em Maryland que se localiza Opal City, a cidade protegida pelo Starman da Era de Ouro Ted Knight, depois brevemente pelo seu filho mais velho David Knight e finalmente pelo filho caçula Jack Knight na série “Starman” escrita por James Robinson.

Na animação Liga da Justiça Guerra, o Batman e o Lanterna Verde estão em Metropolis com o Superman e de repente o homem do amanhã escuta com sua super-audição que Washington, DC estava sob ataque e vai lá ajudar, justamente porque a capital do país é relativamente próxima de Metropolis. No filme “Batman Forever” de 1995, no começo do filme o Batman embarca num helicóptero que o Duas Caras e seus capangas usam pra fugir depois de um assalto a um banco em Gotham City, o herói briga com os bandidos dentro do helicóptero e depois de um tempo o veículo chega na Estátua da Liberdade. Obviamente a Estátua da Liberdade não fica em Gotham City, é que o helicóptero foi até a cidade de Nova York, a cidade do morcegão e a “grande maçã” ficam relativamente próximas.

O Plano de Guerra da Atlântida contra a Superfície

Segundo o que foi dito e mostrado nas histórias, os atlantes inundam as maiores cidades a beira mar na costa leste dos EUA e em seguida invadem essas cidades inundadas. Pelo que vimos o Orm usa seu tridente para criar tempestades e dessa forma dificultando o acesso por ar, terra e água.

Eu achei estranho os atlantes não inundarem a cidade de Nova York porque ela é litorânea, fica na costa leste dos EUA e é a cidade mais populosa daquele país. Se o intuito deles era inundar as cidades costeiras mais densamente populosas, Nova York deveria ser o alvo principal. Faria mais sentido se tivessem inundado Nova York, Gotham City e Metropolis, as “três irmãs” segundo Morrison. E a batalha dos heróis com Orm e o exército Atlante aconteceria em Nova York. Mas parece que o Johns está dando certa importância a Boston, também foi lá que começou a primeira história do Aquaman nos Novos 52 e onde ele foi num restaurante de frutos do mar, entretanto mesmo assim não faz sentido porque Boston fica a dois estados de distância do Maine, que é onde fica Amnesty Bay, a cidadezinha com o farol que o Aquaman toma conta. Faria sentido se o Johns desse importância a uma cidade costeira do Maine, pois seria perto de Amnesty Bay.

É possível que os atlantes não tenham invadido a cidade Nova York porque há muito tempo atrás na Marvel, os atlantes invadiram Nova York. E foi uma situação bastante parecida, eles inundaram a cidade e depois invadiram com seu exército. Na Marvel, os heróis não protegem uma cidade diferente cada um como na DC, a maioria deles se concentra na cidade de Nova York, então os atlantes invadirem Nova York serviu à história mais ainda porque teriam vários heróis pra defendê-la. Já na DC veio bem a calhar eles atacarem cidades da costa leste dos EUA, porque além da Atlântida ficar no Oceano Atlântico e a costa leste dos EUA ser a mais próxima, também é onde ficam Gotham City e Metropolis, as duas cidades mais importantes do DCU. Acho que Geoff Johns evitou colocar Nova York na história justamente porque iria parecer plágio da invasão atlante da Marvel. Não acho que esta saga tenha copiado elementos desse evento na Marvel, até porque como os atlantes são seres que vivem no fundo do mar, então inundar a cidade antes de invadir é uma coisa óbvia.

E por que os Atlantes não tentaram invadir logo Washington, DC? É a capital dos EUA e seria um alvo bem melhor, é onde fica a Casa Branca e o Congresso, mas acontece que Washington, DC fica na região da costa leste, contudo não é uma cidade costeira, fica a quase 50 km continente adentro.

Outra coisa que não faz sentido é no plano de guerra dos atlantes não ter medidas contra personagens poderosos como Superman e Mulher-Maravilha. Se eles viam o Batman como uma ameaça, por que não o Superman e a Mulher-Maravilha?

O que dá pra entender é que o Aquaman criou esses planos de ataque junto com o Orm antes da formação da Liga da Justiça. Podemos pensar que foi antes do surgimento do Superman, que foi o primeiro super-herói a aparecer em público. Assim, o plano não levou em conta o Superman e a Mulher-Maravilha. O Batman está no plano de guerra como uma ameaça porque nos Novos 52 ele já atuava antes do surgimento do homem de aço, o furo é que o Batman era tido como uma lenda urbana antes do Superman estrear. O morcego constar no plano como uma grande ameaça e criarem medidas contra ele seria o mesmo que os atlantes estarem preparados para o bicho-papão, a fada do dente e o coelhinho da Páscoa.

Mas eu acho estranho que a Atlântida não esteja a par do que acontece no “mundo da superfície”. Sendo uma civilização bem mais avançada que a humana, os atlantes poderiam acessar a internet, pegar transmissões dos satélites humanos, monitorar nossos meios de comunicação, mandar espiões se infiltrarem em pontos estratégicos, etc. O que não falta são modos de vigiar e espionar a superfície. E isso seria algo de se esperar já que a Atlântida enxerga a superfície como uma ameaça, acho difícil que algum líder militar ou conselheiro da Atlântida não tenha pensado em ficar de olho na humanidade. No tempo da guerra fria e até atualmente, os EUA estão sempre vigiando o que outras nações fazem que possam lhes ameaçar. E deste modo a Atlântida estaria preparada para o Superman, a Mulher Maravilha e outros seres que pudessem se intrometer numa guerra contra a superfície.

O Mestre dos Oceanos

Gostei muito do Orm, a.k.a. Mestre dos Oceanos, nos Novos 52. A começar pelo traje, aquele emblema de arraia no peito dele não tinha nada a ver e agora esse ficou mais elegante e imponente. E gostei dele ter um tridente prateado e o cinto e os detalhes no traje serem prateados em contraste ao tridente e o cinto do Aquaman que são dourados. Seria legal se essas cores dos trajes do Aquaman e do Orm fossem as cores deles, como o brasão de um nobre. Na era das trevas, uma família nobre tinha um brasão que era uma imagem de algo com certas cores, seu exército usava traje e armadura com as cores do brasão do nobre a quem servia e a morada do nobre era decorada com as cores do seu brasão.

Eu não achei que a escolha do poder de controlar o clima para o tridente do Orm foi bem pensado, realmente é algo extraordinário e capaz de causar um bom estrago, mas é limitado a locais abertos e será raramente usado por alguém que atua principalmente no fundo do mar. O poder do elmo dele, ou coroa, condiz bastante com o ambiente em que ele vive, porém é muito semelhante ao poder da Mera. Aliás, é mais um personagem na mitologia do Aquaman com poder sobre a água, Mera controla a água e consegue endurecê-la, o Tempest controlava a água por meio de magia, o Koryak conseguia criar uma “lança d’água”. Um pouco de originalidade seria bom.

Sobre a personalidade do Orm, adorei ele amar o povo atlante e realmente se importar com ele enquanto que despreza e pouco se importa com os habitantes da superfície, chegando ao ponto de matá-los com crueldade como se fosse algo banal. Gostei dele não se deter pelos pedidos do Aquaman, ocorreram mortes na Atlântida e Orm pensa que os humanos são os responsáveis, por isso ele vai retaliar e nada vai impedi-lo, o genocídio que ele causou até agora em Boston, Gotham City e Metropolis é pouco, é necessário que muito mais humanos morram para que os atlantes mortos sejam vingados. Só não gostei é dele e da Atlântida dos Novos 52 terem um pensamento medieval, filosoficamente eles não evoluíram tanto quanto a superfície.

Eu comentei na última resenha que todos os indícios apontavam para o Orm como sendo a pessoa que contratou o Arraia Negra para conseguir o cetro dourado que era a sétima relíquia atlante no arco “Os Outros”. Pois bem, agora surgiu mais um indício, estava tendo uma tempestade quando o Arraia Negra foi entregar o cetro dourado para aqueles atlantes naquelas naves na conclusão do arco, os atlantes aumentaram a tempestade de algum modo enquanto fugiam para matar os aliados do Aquaman, e o tridente do Orm controla tempestades. Vamos ver na resenha da segunda parte de “Trono da Atlântida” se era o Orm quem estava realmente envolvido com o Arraia Negra.

Aquaman Mais Poderoso Ainda

E o Aquaman dá sinais de estar mais poderoso ainda do que antes. Ele recebe a explosão causada pelo pó de potássio lançado pelo Batman e fica numa boa, não sofre um arranhão sequer.

Agora o Aquaman resolve brigar com a trindade. Ele dá um soco no Superman que lança o homem de aço a vários metros de distância, depois se atraca de igual pra igual com a Mulher-Maravilha causando muito estrago nas docas de Boston. Os golpes da Mulher Maravilha só causam um leve sangramento na boca do Aquaman.

Se ficaram espantados com isso, aviso que no futuro o Aquaman vai fazer demonstrações de poder ainda maiores. Esperem e verão.

De Resto

No meio do exército atlante tem um tipo de soldados que usam uma armadura no tórax que parece de um gladiador romano, que protege somente o braço direito e lado direito do tórax, muito parecido com a armadura torácica que o Aquaman usava na fase de Peter David. E os soldados ainda usam no braço esquerdo uma espécie de arma que parece ser feita de recife, é como se fosse um escudo com duas pontas que assemelham ao arpão que o Aquaman usou no lugar da mão perdida. Deve ser uma homenagem.

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No meio daqueles atlantes que atacaram o Dr. Shin e o Cyborg estava uma mulher que um dos soldados chamou de Tula. Bem, Tula era o nome da primeira Aquagirl, uma filha de nobres atlantes que era namorada do Garth quando ele era Aqualad. Essa Aquagirl pereceu durante Crise nas Infinitas Terras, ela foi intoxicada por químicos tóxicos que o vilão Químio, inimigo dos Homens Metálicos, jogou na água do mar quando o Aqualad e a Aquagirl combatiam outros vilões embaixo d’água e perto dali. O Aqualad a levou para a Atlântida, todavia ela não resistiu e acabou morrendo.

Essa Mulher-Elemento convocada pelo Cyborg para ajudar apareceu em Ponto de Ignição também, será mostrado em histórias futuras que ela tem alguma relação com Rex Mason, o Metamorpho, e seu nome é Emily Sung. Existiu uma Moça-Elemento antes do relaunch, seu nome era Urania “Rainie” Blackwell, ela ganhou os poderes do mesmo modo que o Metamorpho e participou de algumas aventuras com ele. Sua aparência era bem parecida com a do Metamorpho, com uma perna marrom que parecia ser de madeira, outra perna prateada que parecia ser de metal, metade do tronco e um braço alaranjados e a outra metade do tronco e o outro braço arroxeados, o pescoço e cabeça brancos e ela ainda tinha um cabelo longo e verde. Ela morreu numa história publicada em Sandman #20 da Vertigo em 1998, ela queria morrer e foi ajudada pela Morte dos Perpétuos.

Por último, não gosto muito da Liga da Justiça ter acesso a tubos de explosão e usarem eles pra irem aonde precisam na Terra. Antes dos Novos 52, dava pra ir de um extremo ao outro do universo com um tubo de explosão, inclusive dava pra alcançar outras dimensões por meio de um tubo de explosão, ainda era possível usá-lo para viajar no tempo. Poxa, é um meio de locomoção dos Novos Deuses. Por isso eu acho que a Liga não deveria ter acesso a tubos de explosão, eles poderiam utilizar uma nave que nem no desenho Liga da Justiça Sem Limites ou algum método de teleporte que nem na fase de Meltzer na revista da Liga que o QG da equipe tinha uma tecnologia capaz de criar portais entre dois locais diferentes.

No próximo mês a resenha da segunda parte da saga Trono da Atlântida. Fiquem ligados!

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