[Estação Whiz] DC Recusou Shazam de Alex Ross e Geoff Johns

Estação Whiz - Team-Up 1

[Nota do Editor: Esse é o primeiro Estação Whiz Team-Up. Diego vai de vez em quando receber textos traduzidos pelo Renegado e ao fim de cada texto eles deixarão pareceres sobre o que foi discutido na tradução. Espero que todos gostem do desse primeiro e interessante texto sobre esse personagem amado pelo os dois. É como dizem… SHAZAM!]

Por Diego Bachini Lima & o irreverente, apaixonado e blaster legal Renegado Primeiro e Único!

Este artigo é a tradução de um texto escrito por Alex Ross e editado por P.C. Hamerlinck, então publicado na revista estadunidense Alter Ego #75 de janeiro de 2008.

A Proposta de 2005 para Trazer de Volta o Verdadeiro Capitão Marvel

No início de 2005, muitas coisas estavam mudando no Universo DC, particularmente por causa da minissérie Crise Infinita que estava redefinindo a continuidade. Como parte disso, tinham muitos personagens sendo mortos, rebootados e/ou criados de nada. (Mais cedo nesse ano o Besouro Azul favorito dos fãs foi assassinado só pelo propósito de um reboot.)

Alex Ross

Nesse tempo eu estava trabalhando no meu maior projeto até agora, a minissérie em doze partes chamada Justiça. Manter uma rotina muito concentrada de trabalho em desenhar 14 páginas por mês (uma revista em quadrinhos bimestral) não me dava muito tempo para colaborar em outros projetos. Foi quando estavam para lançar Justiça, e Crise Infinita também, que eu fui contatado sobre Shazam!. A DC estava procurando por uma reformulação do uniforme também me contaram sobre a idéia do Capitão Marvel Jr assumir o papel principal. Movendo os jogadores de lugar, como Jerry Ordway tinha sugerido numa história futurística em que o Capitão Marvel assumiria definitivamente o manto do mago Shazam, foi um caminho imediato que a DC quis seguir. Como qualquer um pode saber agora, o manto do traje vermelho foi para o Júnior (Freddy Freeman), assim como o nome Shazam, pelas razões óbvias de ter a palavra que a maioria das pessoas associam com o personagem finalmente sendo seu nome de verdade. Ao ouvir este plano, eu fiquei aterrorizado com a possibilidade disso acontecer e discuti fervorosamente contra a modificação completa do meu canto favorito da biblioteca da DC Comics. Energizado por aquele amor do personagem e sua mitologia, eu comecei a contemplar um meio de salvar o Capitão Marvel.

Assim como Roy Thomas e vários outros criadores, eu sempre tinha modelos de como eu achava que os personagens da Família Marvel poderiam ser interpretados bem sucedidamente para um público moderno. Assim como Roy, eu tinha minhas mãos num certo número de coisas úteis que eram meio que a extensão de uma série. Quando eu estava trabalhando antes na minissérie em quatro edições Marvels, eu fiz certa quantidade de planejamento e modelos para uma representação de Shazam! para uma série no pós-Crise (a de 1985) para uma coleção de álbuns para guardar na prateleira. A Graphic Novel O Poder de Shazam! de Jerry Ordway e a série eventual que a seguiu tinha acabado com as possibilidade dos meus planos gerarem frutos. A aparição do Capitão Marvel como alguém ameaçador pra contrabalancear o Superman na minissérie Reino do Amanhã foi um uso bem visível do personagem, proporcionando o tipo de impacto que eu desejava causar com ele, assim como uma chance de associar os heróis da Fawcett a mim mesmo. Meu caminho criativo me levou a uma série de Graphic Novels enormes onde o Capitão Marvel aparecia numa lista pequena junto com Superman, Batman e a Mulher Maravilha, indicando seu histórico e igualdade criativa com esses ícones. Em trabalhos posteriores, eu sempre tentei colocá-lo mais fortemente na Liga da Justiça clássica, dando-lhe um papel substancial na minissérie recente Justiça.

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Chegou um momento, que tudo isso parecia ser o suficiente para mim, apesar de que eu tivesse muitas ilusões recorrentes de uma revista em quadrinhos tradicional que eu faria de algum modo com Shazam!. A DC despertou em mim uma paixão que esteve sempre lá, esperando dormente. A DC estava me deixando saber que eles estavam destruindo eficientemente o herói principal Billy Batson com estilo de C.C. Beck inspirado em Fred McMurray que eu sempre amei e isso foi demais para suportar. Eu estava certo que eu poderia de alguma forma fazer algo para salvar o Capitão Marvel.

Bem, eu estava errado. Mas aqui está o que eu fiz para tentar fazê-los mudar de idéia. Primeiro, eu pensei em como alguém poderia alterar o uniforme clássico do Capitão Marvel sem mudá-lo realmente. Previamente, Jerry Ordway e eu canalizamos simultaneamente nosso amor pelo modelo original de jaqueta com botões do uniforme com inspiração mais militar. Eu adicionalmente adotei a faixa e o tecido de aparência dourada mostrada na série em live-action com Tom Tyler de 1940, As Aventuras do Capitão Marvel. Esses detalhes serviram ao propósito de devolver o Capitão Marvel às suas raízes, mas não necessariamente ao meu primeiro contato com ele: Jackson Bostwick, cuja interpretação do Capitão Marvel na série televisiva Shazam! de meados dos anos 70 foi o surgimento do meu amor pelo personagem.

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Eu quase brinquei de fazer um modelo rebootado que o trazia de volta a essa inspiração. Se alguém estivesse tentando deixar um traje mais sexy, duas coisas me vieram à mente: aumentar a forma nua muscular do corpo humano, e mostrar o seu poder. Se os Marvels recebem seus poderes de um raio mágico, então por que não deixar faíscas elétricas dançando em volta deles, acompanhando sua aparência? Deixando as partes classicamente amarelas do uniforme brilharem com uma luz extraterrena que libera energia adicional era a força motriz do meu novo modelo. Por que o Flash deveria ser desenhado com aqueles pequenos raios de poder, e não o Capitão Marvel? Abraçando a era dos anos 70 de deixar seu cabelo pra baixo, eu alonguei o cabelo do Capitão, porém tendo ele arrepiando como se tivesse seu próprio ventilador pessoal que ele sentou em cima, criando uma aparência travessa com cabelo em forma de chifre. Artisticamente eu imaginei o formato do corpo mais magro, contudo com definição muscular mais exagerada, no estilo de Neal Adams. Por ter um emblema brilhante no peito, seu rosto poderia parecer constantemente iluminado de baixo pra cima; e, adicionalmente a isso, poder elétrico é visto dentro dos seus olhos.

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A aparência final de todos esses efeitos combinados numa qualidade de “herói sombrio” bem do tipo Namor. Envelheci Billy Batson para um garoto de uns 16 anos com um cabelo longo moderno (que nem o de Michael Gray, o Billy Batson do live-action na TV) aumentando sua habilidade para se relacionar com os adolescentes modernos, assim como a idade idílica que muitos leitores se lembram com muito carinho. Esses pontos visuais de inspiração abriram as portas para minha linha de história, que pretendia alcançar parte das metas pelas quais várias séries Shazam! da DC lutaram.

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O desejo da DC era (e tem sido) deixar Freddy Freeman enfrentar várias tarefas que pareceriam com os Doze Trabalhos de Hércules para poder receber de volta os poderes de Shazam (daí o nome “Os Desafios de Shazam!”). Minha idéia se concentrava no adolescente Billy Batson, sem poderes a partir da saga Dias de Vingança, relutantemente conduzido a reclamar o poder de Shazam, letra por letra, de indivíduos diferentes que adquiriram esses dons dos deuses. Presumidamente os vários poderes foram espalhados pela Terra seguindo os eventos no plano da DC de estilhaçar todas as forças mágicas. A pegadinha no meu plano era que cada dom de Shazam deu poder a um personagem já completamente desenvolvido, cada um baseado em só um sexto da palavra mágica. Essa ideia providenciou seis novos super-humanos, incluindo:

Para Salomão (sabedoria): Um jovem afro-americano com consciência cósmica que espalhava sua vontade como um vírus.

Para Hércules (força): Um adolescente hispânico desajeitado que se torna um dínamo-humano corpulento e distorcido.

Para Atlas (vigor): Um jovem asiático que consegue se transformar num gigante metálico lustroso.

Para Zeus (poder): O pior cenário, um supervilão já estabelecido do Universo DC (eu estava pensando no Caveira Atômica no tempo), que ganha poder elétrico para adicionar às suas habilidades já existentes.

Para Aquiles (coragem): A mãe em luto de um soldado morto, que ganha uma presença jovem e gladiatorial e uma espada com a qual ela vinga a morte do filho.

Para Mercúrio (velocidade): Um cara zangado e ambicioso numa região européia devastada pela guerra, sobre quem cai o poder para rapidamente transformar essa terra numa sob seu próprio controle.

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A cruzada de Billy o colocaria no caminho do perigo, tendo que se aproximar de cada uma dessas pessoas e tocar com as mãos diretamente nelas para pegar seus dons de volta para si. Durante todo o tempo, ele não recuperará qualquer parte do poder de Shazam até que todas as partes sejam reclamadas. Eu pretendia que Billy se machucasse excepcionalmente, seja preso pela polícia, e passasse por um romance adolescente enquanto estivesse atrás de seu objetivo. Minha esperança era de que tivesse leitores que se apaixonassem pelo conceito de Billy Batson lutando sozinho antes que parecesse que ele tinha a muleta de se tornar o herói adulto uniformizado. Se eu conseguisse fazer você (e a DC) gostar dele, então eu teria realizado um serviço incrível para a lenda dele e do Capitão Marvel. O dilema de Billy estava destinado a ser complexo, onde os abusos de poder de vários personagens mostrassem uma distância do heroísmo confuso para a vilania aberta. Em alguns casos, Billy teria conflitos sobre pegar o seu poder de volta.

Para meu próprio preciosismo de fã, cada personagem era uma versão velada e pálida de heróis modernos cujos conceitos tinham um débito com a invenção do Capitão Marvel (incluindo o Capitão Mar-Vell, Primaz, Ultraman, Motoqueiro Fantasma, Thor e Miracleman). Como resultado dessa cruzada, Billy Batson pode finalmente se tornar a versão eletricamente carregada do Capitão Marvel que meus modelos ilustram. Tendo aparentemente mais poder do que antes, e possivelmente vivendo num Universo DC com a ausência do mago nesse momento, Marvel pode dar os poderes para o resto da Família Marvel, similar a acendê-los como uma árvore de natal. Acima disso tudo, o Capitão procuraria o novo personagem dentre aqueles que receberam os dons de Shazam, em ordem de conferir o status de quarto membro para o grupo da Família Marvel (ignorando Dudley e os Tenentes).

Capitão Mar-VellPrimazUltraman

Motoqueiro FatasmathorMiracleman

Roy Thomas uma vez quis fazer isso, e aqui eu tentei isso de novo: colocar um afro-americano na família número um da Fawcett. Minha intenção é que este jovem – previamente detentor da sabedoria de Salomão, que somente a utilizou para espalhar uma calma pacífica entre a sua comunidade e uni-la – devolveu o dom voluntariamente. Billy foi capaz de retribuir essa gentileza e abandonar sua própria culpa por conferi-lo o poder total de Shazam. Sobre ter o mesmo uniforme como o resto dos Marvels, ele decide alterar magicamente a aparência para algo mais pessoal, com uma máscara, se nomeando igual ao deus romano do fogo – Vulcano! Obviamente eu estava tentando inserir um personagem dos Superamigos da Televisão na mitologia da DC, apesar do Raio Negro. (o run do Ed Brubaker em Uncanny X-Men usou o nome Vulcano para um terceiro irmão Summer que eu nunca ouvi falar, então essa oportunidade já era.) [Nota: O herói dos Superamigos a que ele se refere, se ainda não perceberam, é o Vulcão Negro. A palavra em inglês “Vulcan” significa vulcão e também é o nome do deus romano equivalente ao deus grego Hefesto.]

Vulcão Negro

De qualquer modo, meus planos para fazer a série estavam provavelmente condenados desde o princípio. Pra começar minha tentativa tinha que ser escrita por um bem disposto Geoff Johns, que me encorajou muito durante o processo e conversou bastante com a DC para vender esta idéia de salvar ele mesmo o Marvel principal. Eu teria então só criado os trajes, co-escrito os plots, e feito capas para a série em potencial. Isso me teria permitido começar quase imediatamente, entretanto, suprindo a necessidade da DC para lançar um título pós-Crise Infinita. Geoff estava com um contrato com a DC e poderia insistir só até certo ponto antes de dizerem a ele pra deixar pra lá. Sendo independente, eu poderia chatear qualquer um tanto quanto eu quisesse, continuando com esforços para escrever três páginas fora de linha com uma abundância de ilustrações de modelos. Eu deveria ter deixado pra lá mais facilmente, mas a maneira como a história me prendeu enquanto eu a escrevia dentro de minha cabeça noite após noite exigiu minha atenção. Eu sempre imaginei quando eu poderia simplesmente desenhar uma revista tradicional, e esse conto começou a se organizar como aquele tempo na minha carreira.

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Já foi comum na minha experiência ficar obcecado com o próximo projeto potencial enquanto eu estava preocupado com o meu projeto do presente. Nos estágios iniciais de Justiça, parecia uma possibilidade me imaginar pulando pra outra série, imediatamente seguindo a conclusão da anterior, para que eu escrevesse e desenhasse. Outra do que a experiência superiora de receber nenhuma resposta da DC pela minha tentativa no Shazam! (que eu sei que eles receberam antes mesmo que eles pensassem em outra história, sem falar em achar um desenhista), eu me encontrei completando meus deveres na colaboração de uma longa minissérie que me drenou e consumiu. Definitivamente, a DC talvez tenha me feito um favor por subjugar alguma parte de minha ambição e senso de dever para controlar os brinquedos possuídos corporativamente. Basear tanto de seus desejos criativos em algo que precisa da permissão de outra pessoa é um erro.

Capitão Marvel e companhia ainda estão nos meus pensamentos, e quem sabe o que o futuro nos reserva? Mais do que provável, um Capitão Marvel clássico voltará à continuidade da DC atual relativamente em breve, com um filme potencial e usos em outras mídias exigindo seu retorno. A minha versão talvez não tenha sido a melhor revisão a se aplicar nesses personagens, não mais do que a de qualquer outro. Eu só espero que – devido a suas contribuições criativas à cultura pop – a Família Marvel seja recompensada um dia com o renascimento de sua popularidade.

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 Renegado:

Eu gostei dessa proposta do Alex Ross, é bem melhor que “Desafios de Shazam!” do Judd Winick. No final, após o Billy se tornar novamente o Capitão Marvel, ele deixaria Freddy Freeman e a Mary terem acesso novamente aos dons dos deuses, assim se tornando mais uma vez Capitão Marvel Jr e Mary Marvel e teríamos a Família Marvel inteira de novo. Já em “Desafios de Shazam!”, Mary foi completamente jogada pra escanteio e o Billy ficou preso à Pedra da Eternidade como o Mago Shazam.

Eu achei boa essa proposta, contudo acho que ela poderia ser melhor se um escritor de renome lapidasse as idéias e incluísse outras melhorando a história, como aconteceu em “Reino do Amanhã” que foi co-escrita pelo Mark Waid, e neste caso seria o Geoff Johns. Uma idéia de que gostei realmente foi a inclusão de mais um membro na Família Marvel e ele ser afro-americano, só que acho que é nada a ver ele ser o “Vulcão”, ele deveria ter um codinome mais condizente com um integrante da Família Marvel e usar um traje de um Marvel e talvez com uma cor diferente: verde, cinza, laranja, etc.

Essa proposta foi descartada, porém vários foram reutilizados posteriormente. Em “Desafios de Shazam!” teve o lance que cada dom estava com uma pessoa diferente e que era necessário pegar com eles, só que era o Freddy Freeman que tinha que pegar os poderes e as pessoas eram “deuses da magia”. Agora nos Novos 52, o Capitão Marvel renomeado como Shazam tem essa eletricidade correndo sobre ele que nem na proposta do Alex Ross.

Diego:

Apesar de adorar o Ross e o considerar meu desenhista favorito, eu tenho consciência que ele peca quando tem liberdade para escrever sozinho. Foi assim com a própria Justiça aqui citada, um trabalho artístico lindo, mas com conteúdo totalmente superficial. Lendo o encadernado definitivo de o Reino do Amanhã, Mark Waid deixa claro que a ideia central da história foi do Alex, e que ele apenas pontuou a história para dar mais sentido. Parece pouco, mas é isso que faz Reino do Amanhã ser definitivamente minha HQ preferida, e Justiça eu nem ter colocado uma numeração.

Apesar de gostar de manter o Billy como Capitão e de muitas das ideias apresentadas, eu realmente acho que todo o potencial seria jogado pela janela com Ross escrevendo e usando todas as suas ideias. A que definitivamente me desagrada é o Billy ‘surfista’ cabeludo. Usar justamente uma identidade visual da série que em nada respeitava o material original já é para ser desagradável. Apesar disso muitas das ideias dele são melhores que as de Os Desafios de Shazam. Tanto a cada pessoa com um poder (que foi utilizado pelo Geoff Johns em Flashpoint), quanto o novo personagem. Mas admito: sinto medo do que poderia ter sido. Acho que apenas com alguém bom ao lado do Ross eu ficaria seguro. O próprio Waid, já que sonhar nunca é demais, ainda mais para um personagem que basicamente é um símbolo do sonho de qualquer criança, que ao dizer uma palavra se torna um herói.

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