10 Motivos Para Você Ler Camelot 3000

[NOTA DO EDITOR: É com muito honra que trago meu amigo Guilherme Smee para uma nova coluna semanal para figurar aqui no Terra Zero. Smee é publicitário e já escreveu dois livros “Vemos as Coisas como Somos” e em agosto terá o lançamento do trabalho ” Loja de Conveniências” além de ter uma HQ já lançada que trabalha conflitos familiares e mistérios chamada “Fratura Exposta“. Seus trabalhos textuais e mais coisas podem ser encontradas no seu blog Splash Pages! E que a invasão gaúcha ao T0 continue]

Sem tempo para ler todas as maravilhosas informações sobre o mundo dos quadrinhos? Sempre quis saber quais são as melhores razões para se ler (ou não se ler) uma revista? Confiar ou não confiar no trabalho de um quadrinhista? Dicas de HQs parecidas com aquela que você gosta tanto? O lugar é aqui na coluna “10 Motivos”. Uma coluna que, por fazer listas, já nasce com polêmica no sangue, ou seria no nanquim?

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Saiba um pouco mais sobre uma série de histórias que mudou a indústria dos quadrinhos para sempre. Ainda que nem sempre seja creditada por isso.

  1. PASSADO… : Como o nome já diz, Camelot 3000 lida com os personagens de Rei Arthur e a Távola Redonda. Lá estão nossos cavaleiros reluzentes, lutando ao lado do Mago Merlin contra a sensual e irascível Morgana.
  2. E FUTURO: E como o resto do nome diz, a saga se passa no ano 3000. Carros voadores, ciborgues e alienígenas estão na ordem do dia. Estes últimos se aliam à Morgana para conquistar a Terra, que se vê indefesa contra as forças invasora. O que eles não contavam era com a…
  3. REENCARNAÇÃO: dos nossos poderosos heróis arturianos. Após a descoberta do túmulo do Rei Arthur por um jovem descuidado, um a um, os cavaleiros da Távola Redonda vão sendo despertados em seus corpos do ano 3000. Que Chico Xavier o quê? Nós temos Merlin. Um Merlin desenhado por alguém muito próximo de outro mago, só que Northampton…
  4. BRIAN BOLLAND: Um dos maiores desenhistas da DC Comics, quiçá um dos melhores do mundo, é o responsável pela arte de Camelot 3000. Em um dos seus primeiros trabalhos para a editora das lendas, Brian cria todo um cenário híbrido de magia e ciência, de alienígenas e futuro, bem ao gosto da publicação de onde começou: a revista inglesa 2000 A.D..
  5. MIKE W. BARR: Sabe o Damian? Então, sem esse cara aqui, ele não existiria. Mike W. Barr foi o escritor responsável pela A Morte do Demônio, uma das graphic novels mais cultuadas do Batman. A obra dava pistas de que Thalia Al Ghul teve um filho com Bruce Wayne. Em Camelot 3000, a principal obra de Barr, ele vai à fundo na pesquisa e busca os primórdios das lendas de Arthur, Lancelot e Guinevere, como atesta a sua introdução para a edição brasileira publicada pela Panini Books em 2010. Nela, ele registra que tudo é baseado nas escrituras de Sir Thomas Mallory.  Para que todos esses personagens coubessem numa história fechada, foi preciso mexer no…
  6. FORMATO: Você já deve ter cansado de ouvir por aí Maxissérie, né? Watchmen, por exemplo, é uma maxissérie. Então se você curtiu a história do Rorschach, deve agradecer à Camelot 3000, que foi a primeira maxissérie. Diferentemente das revistas de linha, Barr já havia planejado que a história duraria exatas 12 edições. Assim como Watchmen.
  7. MERCADO DIRETO: O ano era 1982, e a maneira de vender revistas na América Yankee estava mudando. Em 1980, a Marvel havia testado a venda da revista da Cristal através do Mercado Direto (aquele das solicitations, em que se encomenda a revista primeiro e depois se imprime). A revista da Cristal vendeu incríveis 400 mil cópias e a Marvel descobriu uma nova maneira de trazer suas revistas menos vendidas para um público antigo e fiel. Então, a DC viu essa oportunidade surgir e escolheu o Mercado Direto para fugir do…
  8. COMICS CODE AUTHORITY: O temido e assustador Código dos Quadrinhos, que proibia qualquer menção a sexo ou corpos putrefatos. Pobre Robert Kirkman se seu Walking Dead existisse naquela época! Nunca veria a luz do dia! Porém, através do mercado direto, era possível controlar para quem uma HQ era vendida. Lembrem-se, estavam apenas começando as comic shops. Assim, Camelot 3000 pôde fugir do CCA, para mostrar sexo e discutir uma escandalosa (para os padrões da época)…
  9. SEXUALIDADE: O maior plot twist da maxissérie não era que Morgana era um ET, ou que Guinevere também transava com Lancelot (ou que dividia a cama com ele e Arthur, como em As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley). Não! Camelot 3000 incorporava outra história da cavalaria: Tristão e Isolda. Só que com toda essa história de reencarnação, enquanto Galahad se torna um samurai e Percival se torna um monstro, o cavaleiro Tristão reencarna como mulher. Uma mulher apaixonada por Isolda. Camelot 3000 foi pioneira na discussão de identidade de gênero e sexualidade. Barr mostrou a luta de Tristão e Isolda para se aceitarem e declararem e consumarem seu amor. Coisa que não foi muito bem aceita no…
  10. BRASIL: O país dos preconceitos velados velou também a cena de sexo entre Tristão e Isolda, que (não) saiu primeiro nas revistas Superamigos e Batman (1984 e 1985), pela editora Abril. Mais tarde, em 1988, a editora republicou a maxissérie numa minissérie em 4 edições, na íntegra. Em 2005 foi a vez da Mythos trazer a história em uma edição pra lá de capenga em que a capa caía e as folhas se descolavam. Por fim, a Panini deu uma acabamento de luxo para a obra, em papel couché e capa dura.

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Camelot 3000, por todos esses motivos, é item essencial de colecionadores que querem saber mais da História dos Quadrinhos e também da História da Literatura, e também da História da Inglaterra, e também da História do Futuro. Pera…

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