Fim de Semana Semanal: Batman Rumo à Eternidade Parte 11

[o artigo abaixo contém “spoilers“]

O tema da semana em “Batman: Eternal” foi o Dia dos Pais, comemorado no terceiro domingo de Junho nos Estados Unidos. Desta vez o roteiro da semanal ficou a cargo de Tim Seeley, cuja carreira nos quadrinhos é muito bem sucedida graças à franquia dos Comandos em Ação, a qual ele comandou durante um bom tempo na Image e, posteriormente, na Devil’s Due Publishing. Contratado há pouco tempo pela DC para trabalhar em suas bat-revistas, Seeley é integrande fixo de “Eternal“, mas esta foi a primeira edição 100% feita por ele. Infelizmente, o escritor não começou muito bem.

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BATMAN ETERNAL #11
Roteiro: SCOTT SNYDER, JAMES TYNION IV, JOHN LAYMAN, RAY FAWKES e TIM SEELEY
Arte: IAN BERTRAM
Cores: DAVE STEWART
Capa: GUILLEM MARCH & TOMEU MOREY

Seu maior trunfo foi mostrar como era a vida de Arthur Brown até se tornar o vilão Mestre das Pistas. Seeley explica as motivações do personagem, mostra um lado psicológico que dá sustância às suas ações e relaciona isso com a trajetória de Stephanie para se tornar a Salteadora. Esta é, de longe, a parte mais interessante da história. O restante da edição é composto apenas de relances entre outros personagens e suas relações com seus pais. Curiosamente, o próprio Batman foi deixado de fora. É compreensível que a infância de Bruce Wayne com seu pai Thomas tenha sido mostrada tantas vezes que não se faria necessária aqui, mas a ausência absoluta de uma parte tão importante para este tema é estranha.

Batgirl vai ao Rio de Janeiro tentar obter mais informações sobre a trama que colocou seu pai, o ex-comissário James Gordon, e acaba dando de cara com a vilã Escorpiana. Os eventos acontecem num cenário de telenovela com um famoso artista brasileiro chamado Gonzalo, o homem que Barbara Gordon busca por ter sido avistado próximo ao Comissário quando o acidente no metrô aconteceu. Isto apenas levou a heroína a descobrir que a armação contra Gordon é mais complexa do que imaginava, envolvendo outros vilões e um esquema mirabolante que precisa de mais pistas para ser desenrolado.

O que pode estragar a edição quase por completo para leitores brasileiros é a retratação pobre e sem informação nenhuma sobre o Brasil, mais especificamente sobre a Cidade Maravilhosa. Seeley tenta dar alguma credibilidade com frases em português, mas elas são mal colocadas e misturadas a um espanhol pobre com tons de novelão mexicano, o que confunde ainda mais o leitor e mostra a total falta de conhecimento do autor sobre a América do Sul. Uma pena. E mais: tirando o avanço natural e muito interessante da vida de Stephanie Brown dentro dos “Novos 52”, a história não oferece andamento, conquista ou curvas dramáticas o suficiente para se estabelecer como mais uma parte integral da série como um todo.

Por fim, a arte de Ian Bertram fica muito deslocada ao ser comparada a tudo que foi feito antes dentro da série, mas nem por isso é ruim. Na verdade, o mais interessante de toda a revista é o aspecto visual “indie” e a sempre competente composição de cores do premiadíssimo Dave Stewart.

Nota: 6/10.

Bill Finger e Bob Kane criaram o Batman em 1939, herói que é o mais popular da DC Comics há décadas. Bruce Wayne virou órfão ainda criança com assassinato de seus pais pelo ladrão Joe Chill, o que mudou sua vida pra sempre. Tendo tornado-se o elemento mais sinistro e calculista do Universo DC, seu capuz já foi vestido por Jean-Paul Valley (Azrael) e Dick Grayson, mas voltou ao seu dono original. O herói marcou pra sempre o universo de quadrinhos e literário com obras clássicas como Ano Um, Cavaleiro das Trevas, Asilo Arkham e A Piada Mortal. Ainda hoje seus títulos estão entre os mais lucrativos da DC Comics, bem como sua franquia animada e cinematográfica.

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