[FdA] O Flash da Era de Ouro – Parte 3: All Flash Quarterly #1

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Bem-vindos de volta à Força de Aceleração! Hoje voltaremos a falar do primeiro Flash, Jay Garrick, mas focando apenas em All Flash Quarterly Vol. 1 #1”, primeira iniciativa de uma revista somente com histórias do Flash. Esta série era trimestral e complementar à Flash Comics Vol. 1, revista mensal que trazia histórias do Flash e de outros personagens.

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FdA-019_texto-2All Flash Quarterly #1 (Junho de 1941)

Roteiro: Gardner Fox
Arte: Everett E. Hibbard
Editores: M. C. Gaines e Sheldon Mayer

Origem

Como nova revista do Flash, logo no início somos apresentados novamente à origem do personagem em um resumo de duas páginas, com algumas diferenças em relação à original de “Flash Comics Vol.1 #1” (janeiro de 1940), mas nada que mude o personagem, apenas as situações. O que mais chama a atenção é Jay resolvendo usar o uniforme de Flash porque “criminosos são supersticiosos e covardes”, o que não existia originalmente. Uma óbvia inspiração no Batman, mas que não funciona muito bem com o Flash.

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O homem que virou pedra

FdA-019_texto-4Na primeira história desta edição, finalmente Jay Garrick volta às suas origens de cientista, mas dessa vez como auxiliar do dr. Norris, que desenvolveu uma fórmula de petrificação, que ele imaginava que poderia ser usada para petrificar os mortos, tornando-os como estátuas para seus familiares recordarem (ideia que Jay acha arrepiante). Mas um mafioso descobre sobre a fórmula e faz ao dr. Norris uma oferta irrecusável de trabalhar pra ele. O mafioso, porém, precisa se livrar do assistente de Norris, Jay Garrick, para guardar o segredo da fórmula. Assim, dois capangas visitam Jay para matá-lo, e Jay se finge de morto após desviar sorrateiramente das balas.

Com Jay fora do caminho, o mafioso pede aos seus capangas que sequestrem pessoas na rua para testar a fórmula. E uma das sequestradas é Joan Williams, que ele sabe tratar-se da namorada do Flash. Não demora pra que o Flash chegue ao esconderijo, mas ele é capturado e transformado em uma estátua de pedra por causa da fórmula!

Enquanto o mafioso ganha muito dinheiro cobrando para outros criminosos virem ver a estátua do Flash e de sua namorada, uma amostra de sangue que Jay tinha injetado em si mesmo para uma experiência começa a fazer efeito, libertando-o da petrificação. Porém, ele fica furioso ao ver Joan também petrificada, e jura vingá-la. O Flash petrifica o mafioso até o pescoço e vai atrás de toda a gangue. Depois disso, aplica nas vítimas petrificadas o mesmo sangue modificado e salva a todos.

Essa história é interessante por mostrar novamente o lado cientista de Jay Garrick e pelo choque de ver Jay e Joan “mortos”. Obviamente essa situação é revertida, e a solução não é muito boa, mas é bem interessante pra época.

Depois dessa primeira história, a revista apresenta uma página com alguns recordes de velocidade, coisa parecida com o que já tinha sido feito em Flash Comics, e outra página extremamente interessante, com a biografia dos autores do Flash, Gardner F. Fox (criador do personagem) e Everett E. Hibbard. Essa exposição dos autores era rara nessa época, e através dessa página ficamos sabendo que a criação do Flash foi inspirada na juventude de Fox, que praticava esportes de velocidade onde os treinadores o mandavam chegar no final “em um flash”. E também aprendemos que Hibbard gostava de tocar saxofone, portanto, em homenagem a ele, vamos continuar esta matéria ao som de um dos maiores saxofonistas da história.

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O Monóculo e seu jardim de joias

FdA-019_texto-6A segunda história dessa edição é muito louca. Começa com Joan preparando um desfile de moda de chapéus, quando bandidos invadem o local e roubam todos os chapéus. Joan vai correndo atrás de Jay e os dois têm um diálogo simplesmente excelente:

Joan: Jay, eles roubaram todos os modelos de chapéus, rápido!
Jay: Mas por que alguém iria querer um monte de chapéus esquisitos?
Joan: Você não entende–
Jay: Não entendo mesmo! Esses novos modelos de chapéus poderiam assustar um fantasma!
Joan: Mas Jay, esses chapéus valem meio milhão de dólares! Todos eles têm joias valiosas!
Jay: Caramba! Por que você não disse isso antes? Vocês mulheres… falam, falam, mas não dizem nada!

Depois disso, ao invés de ir atrás dos bandidos, o Flash resolve pegar objetos aleatórios por aí e criar novos chapéus malucos. E o mais surpreendente é que Joan usa esses chapéus no desfile e eles fazem o maior sucesso!

Bem, depois dessa palhaçada toda, o Flash lembra que precisa ir atrás dos bandidos, e procura na cidade toda mas não os encontra. No dia seguinte, ao ir ao banco, Jay encontra os mesmos bandidos usando gás para assaltar o banco. Ao prendê-los, o mandante chamado Monóculo, um vilão clichê de bigode espetado e monóculo (claro!), desafia o Flash por rádio a ir encontrá-lo.

O Monóculo usa várias armadilhas para tentar vencer o Flash, até um estroboscópio gigante pros capangas poderem ver e atirar nele, mas o Flash consegue escapar de tudo. O mais engraçado é que ele lê em um livro que o Flash tem uma namorada chamada Joan Williams, e manda seus homens raptá-la! Esse livro devia ser a revista “Caras” da época… No fim, o Monóculo é preso e Joan libertada sem querer por um policial rodoviário.

Essa história é legal por ser muito louca. Um desfile de chapéus improvisados, um vilão caricato, Joan em situações inusitadas, tudo é galhofa e o resultado é muito divertido.

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FdA-019_texto-8O petróleo é nosso

Na terceira história, o Flash impede um cowboy de ser assassinado por uma gangue que soube que na fazenda do pai do cowboy foi descoberto petróleo. Os bandidos o seguem até a fazenda, em Oklahoma, sempre tentando matá-lo, e o Flash está sempre lá para salvá-lo, mas sempre agindo tão rápido que nem o cowboy nem os bandidos conseguem vê-lo, o que gera algumas situações engraçadas. O ponto alto da história, no entanto, é quando a torre começa a jorrar petróleo e os bandidos a incendeiam, o que a transforma em fogueira gigante. Para apagar o fogo, o Flash corre ao redor da torre, formando um ciclone que extingue as chamas. Essa história é mais fraca que as outras, mas serve para mostrar dois usos interessantes do seu poder, embora já tenham aparecido antes: invisibilidade e formação de pequenos ciclones.

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Flash entra em campo

FdA-019_texto-10A última história dessa edição começa com um amigo de Jay Garrick comprando um time de hockey e descobrindo que o time estava envolvido com uma quadrilha de gângsteres. O Flash aparece para ajudá-lo, mas os gângsteres começam a ameaçar as famílias dos jogadores, que preferem entregar o jogo a ter seus familiares mortos. Diante disso, o próprio Flash entra em campo para jogar pelo time de seu amigo. Eu tenho quase certeza de que isso viola as regras do hockey, mas aparentemente ninguém reparou, então está valendo!

Depois do jogo ganho, o gângster resolve raptar todo o time, pois sem jogadores não pode ter jogo. Mas nem isso é problema, pois tudo que o time precisa pra vencer é ter o Flash e mais cinco pessoas quaisquer, mesmo que sejam o dono do time, sua filha em uma cadeira de rodas, o treinador, Joan Williams e o mascote! Obviamente o time vence e o mafioso desiste de chantageá-los, depois do Flash deixá-lo girando por meia hora.

Essa história é extremamente divertida, apesar de ser completamente surreal. A cena onde o Flash está jogando enquanto Joan está tricotando em campo e os outros relaxados fumando é impagável. Uma boa forma de encerrar a revista.

Na próxima vez que voltarmos à Era de Ouro tentarei ser mais conciso pra conseguir falar de mais histórias, mas essas eram boas demais pra passar rápido!

Até o mês que vem e continuem correndo!

Obs.: Vazou o piloto da nova série do Flash e já está resenhada! Confira e curta a página Força de Aceleração no Facebook para ficar por dentro de tudo que está acontecendo!

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Flash é o homem mais rápido do mundo e o primeiro velocista dos quadrinhos. Assim como outros heróis da DC Comics ele tem um grande legado e teve várias identidades através dos anos, sendo que o primeiro deles foi Jay Garrick, batizado de Joel Ciclone no Brasil. Na Era de Prata veio Barry Allen, com o uniforme todo vermelho que passamos a conhecer, tendo sacrificado-se na Crise nas Infinitas Terras e passando sua identidade ao sobrinho Wally West, que ganhou sua própria revista tendo durado por cerca de 20 anos. Bart Allen, ex-Impulso, chegou a ser o Flash por pouco tempo, mas morreu e voltou como Kid Flash. Barry também está de volta e é o novo Flash do UDC em sua nova cronologia.

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