[Emulador de Críticas] The Wicked + The Divine e a viagem pela música pop

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E aí pessoal! Estou com muitas tarefas administrativas do site, mas sempre que consigo tempo para ler coisas novas tenho o dever de dividir com os leitores dessa coluna. Desta vez vamos adentrar em uma Londres com deuses que moram na Terra no novo trabalho de Kieron Gillen e Jamie McKelvie em “The Wicked + The Divine“.

wicked-divinePara os que não conhecem essa dupla, ambos começaram a ganhar status dentro do quadrinhos norte-americanos com seu trabalho para a Image, que tem o nome de “Phonogram“. Esta obra trabalha a cultura pós punk londrina, misturando mágica, seres extradimensionais e bizarrices. Com esta proposta a dupla ganhou de presente na Marvel Comics a revista “Young Avengers Vol.2”. Quando resolveram terminar essa série na Casa das Idéias, seus fãs acharam que eles fechariam o seu trabalho com “Phonogram“, que já contava com duas minisséries.

O interessante é notar que Gillen e McKelvie vão no caminho oposto de tudo que os fãs esperavam e anunciam uma nova história e misturam em um caldeirão com música pop, David Bowie, deuses e estalares de dedos.

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Ficha Técnica:
The Wicked + The Divine #1
Roteiros: Kieron Gillen
Arte: Jamie McKelvie
Cores: Matthew Wilson
Letras: Clayton Cowles
Editora: Image Comics

I Want Everything you have

A história de WicDiv (forma que foi utilizada para falar dela no twitter) começa em 1923 com criaturas dizendo que seu tempo acabou e que em breve voltarão. O tempo corre e voltamos ao subúrbio londrino onde conhecemos Laura, uma garota que vai ao show de uma cantora chamada Amaterasu. Lá ela desmaia e acorda junto uma garota andrógina chamada Lucifer – ou simplesmente Luci – que se inspira muito no visual de David Bowie.

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Logo em seguida somos levados a uma entrevista que permeia a história. Basicamente, Amaterasu, Lucifer e outros são pessoas que se consideram deuses e se utilizam da música pop para passar mensagens ao povo. Durante a conversa, os deuses são questionados sobre os pensamentos dos que estão na sala. O leitor é levado a testemunhar uma exibição dos poderes de Luci e isto constrói ótimos ganchos para depois.

Os roteiros de Kieron Gillen seguem a linha de todos seus trabalhos, que têm a essa pegada de temática mais jovem. O escritor consegue transmitir em seus diálogos coisas tão mundanas e normais para os leitores que se torna difícil não se afeiçoar com os personagens. Ele usa Laura como aquela personagem contraponto que venera o ídolo e acaba descobrindo que viver ao lado deles pode não ser tão glamuroso quanto parece. Gosto da forma como o autor escreve por ele utilizar gírias e referências muito fáceis de serem absorvidas por jovens adultos.

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Nos sites que Gillen mantém é possível conhecer suas influências para as histórias que conta, tais como suas trilhas sonosras e suas descobertas dentro da música. Vale lembrar ainda que ele é uma pessoa extremamente acessível nas redes sociais.

O trabalho de McKelvie e Wilson está incrível! A identidade visual da história é muito forte e os personagens são muito fáceis de serem distingüidos. As construções de cena de McKelvie bastante cinematográficas e afirmo que este é um dos melhores trabalhos do desenhista. Wilson conseguiu dar vida aos personagens com suas cores e se torna um grande chamariz para a edição ao dar movimento às páginas. Aliás, a página dupla de Amaterasu cantando enquanto Laura está na plateia vendo sua ídolo é a prova que você precisa para entender todo este parágrafo.

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Depois de uma revista de estreia tão legal, vamos ver o que Gillen e McKelvie vão nos mostrar. Estou animadíssimo para as próximas edições. Esta revista com ar de Vertigo dos anos 1990 ainda tem muito a contar.

Nota: 10/10.

 

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