Onde está Salomão?

[Nota do Editor: Novamente trazemos o leitor Diego Lima em mais um excelente texto sobre Shazam!]

No começo de fevereiro o colaborador do site Luís Alberto, veio me perguntar se eu já tinha visto Liga da Justiça: Guerra, filme animado baseado no primeiro arco da nova Liga da Justiça de Os Novos 52. Respondi que eu ia esperar a versão dublada, já que eu tenho uma preferência por animações dubladas.

Ele me disse desanimado, que o filme era um tanto frustrante e que a sabedoria de Salomão tinha desaparecido do Shazam. A questão não me surpreendeu, já que muito raramente eu vejo algum autor usar de forma correta os 6 poderes do personagem. Mas essa semana eu vi o filme, e o resultado é muito pior que só isso.

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 Antes de falar sobre o filme eu queria descrever um pouco os poderes e aquilo que eu como fã, julgo correto para o personagem. Para começar acho importante que a criança e o herói sejam a mesma pessoa. Se for para criar um drama, criem a própria versão, já que o personagem está num complicado esquema de domínio público, (o conceito e as hqs da era de ouro estão, mas o personagem usado a partir da era de prata não) o que explica o Miracleman nunca ter sido ameaçado de processo pela DC.

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A essência de uma criança com super poderes é algo que fascina e é o que me faz gostar tanto do personagem. Isso as vezes não é respeitado ou entendido como em “Shazam: Monster Society of Evil” de Jeff Smith e “Shazam! The New Beginning” de Roy Thomas, Dann Thomas e Tom Mandrake. Mas a própria mitologia do escolhido de coração bom impede que Billy seja realmente retratado assim. Afinal desse jeito qualquer um poderia servir de avatar para a entidade “Capitão Marvel” e toda a construção da criança-herói cai.

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 Alguns poderes são usados e forma “ok”, como a velocidade de Mercúrio (ainda que eu ache que deveria ser maior), a resistência de Atlas, a coragem de Aquiles e a força de  Hércules. Todos esses 4 são básicos na maioria dos heróis o que explica não serem estragados pelos roteiristas.

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 Mas o poder de Zeus sempre foi algo negligenciado desde a criação do personagem. Zeus é o deus grego do trovão e é ele que envia o raio da transformação…  E parava por aí. Apenas na revitalização do personagem em “Shazam!” por Geoff Johns e Gary Frank, o poder de Zeus, com seus raios começou a se manifestar, mesmo que o “preço” foi um Billy menos perfeito, já que Jonhs acredita que ninguém é totalmente perfeito. Mas o resultado foi aceitável para a ideia da revitalização do personagem.

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 Por fim o S de Salomão. O que exatamente é a sabedoria? A clássica história das mulheres que reivindicam ser a verdadeira mãe de um bebê e vão até o Rei Salomão pode dar uma resposta:

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 “Duas mulheres tiveram filhos juntos, um dos filhos morreu e a mãe do que morreu, pegou a da outra mãe. De manhã, ela percebeu que aquele que tinha morrido não era seu filho e começaram a discutir. Foram até o palácio do Rei Salomão e contaram-lhe a história. Ele mandou chamar um dos guardas e lhe ordenou: “Corte o bebê ao meio e dê um pedaço para cada uma”. Falado isso, uma das mães começou a chorar e disse: “Não, eu prefiro ver meu filho nos braços de outra do que morto nos meus”, enquanto a outra disse: “Pra mim é justo”. Salomão, reconhecendo a mãe na primeira mulher, mandou que lhe entregassem o filho.”
Sabedoria não é inteligência na questão do conhecimento. É saber lidar com as situações de maneira correta. Quantos heróis você vê agindo de forma sábia? A grande falha em quase todas as histórias do Queijão Vermelho é não saber desenvolver as situações com a sabedoria que lhe é dada.
Uma dessas histórias que consegue fazer isso é um tie-in da saga Gênesis, The Power of Shazam! Vol. 1 #31, aonde Billy e Mary sofrem ao perder de forma aleatória um poder por vez. Ver como a sabedoria (e a falta dela) influencia no comportamento dos dois é muito interessante. Já a mini série, que na minha opinião tinha um incrível potencial para uma ótima história, é bem decepcionante.

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 Voltando à animação, o que eu vi foi um erro. Shazam sequer foi desenvolvido na trama, e para alguém que deveria ter poder páreo com o do Superman (não vamos entrar no mérito de quem é mais) ele está mais para um Super Saiyajin genérico e fraco, do que para o herói que sou fã. Ele ser uma criança não deveria fazer dele um estúpido, e sim um elo entre quem assiste e os personagens. Uma criança deveria ver e querer ser ele. Ele não passa simpatia com o telespectador em momento nenhum. O que me faz pensar: vale mesmo torcer por ver o personagem em destaque, sendo pessimamente desenvolvido?

Ao terminar de assistir eu me lembrei do episódio “Embate”, onde ocorre o clássico duelo entre o Capitão Marvel e o Superman em Liga da Justiça Sem Limites, e percebi uma coisa e entendi mais do final. J.M. DeMatteis e Dwayne McDuffie que escreveram o roteiro estavam muito certos. O Capitão Marvel daquele episódio é muito mais próximo do seu conceito. Ele é idealista, poderoso e muito mais sábio.

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 Ainda espero poder ver o agora Shazam com seus verdadeiros 6 poderes por completo. Quem sabe num futuro, após todos esses erros de LJ Guerra? Tenho esperança. Ficarei assistindo Superman/Shazam!: The Return of Black Adam que é muito melhor!

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 Links das hqs citadas

P.S.: Meu texto do mês passado foi uma experiência e por isso não pensei em uma continuidade. Não quis fazer um complemento direto ao final para não ficar mais do mesmo. Mas respondendo as perguntas: Eu pretendo explicar mais da origem pré-reboot do Mago Shazam, e não, se ele disser “VLAREM” ele não vira um ser poderoso de novo. Aconteceu “alguma coisa” nesses 7 mil anos e isso é explicado exatamente na edição 10.

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