[Especial V20] Sweet Tooth

O mundo é cheio de histórias sobre devastações, destruições e explorações das facetas dos seres humanos. Porém, quando vemos uma história que toca a inocência e mostra a força da esperança pelos olhos de uma criança devemos pontuá-la, e ao mesmo tempo expressar em breves linhas o que ela tem a dizer.

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Quando me deparei a primeira vez com o trabalho de Jeff Lemire em “Sweet Tooth” ele me causou um impacto que ainda não havia ocorrido comigo. Além de um novato na nona arte, pelo menos pra mim, ele conseguia trazer uma história de terror e ao mesmo tempo uma crítica ferrenha a toda ao nosso individualismo, coisa que cada vez mais passa despercebida pela nossa sociedade.

Na primeira vez que vi Gus, o protagonista desta peculiar história, foi bastante impactante, pois ver um garoto de nove anos com orelhas e chifres de cervo me fez lembrar na hora do clipe da banda Fall Out Boy – Sugar We’re Going Down (que quem me conhece sabe que sou bastante fã). Em seguida percebi que seus olhos passavam uma inocência e uma tristeza que me fez me importar com ele rapidamente.

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A partir de então percorri a internet atrás de sinopses e descobri que o mundo onde se passa história era em um lugar pós-apocalíptico em que a humanidade havia sido assolada por um vírus que acabou exterminando boa parte da população. Além disso surgiram crianças híbridas que tinham imunidade ao vírus e elas acabaram se tornando alvo de caçadas. Assim conhecemos Gus (Bico Doce para os mais íntimos) que vive em uma cabana no meio de uma floresta com seu pai moribundo – muito em breve o menino se vê sozinho. Este é o momento que Jepperd entra na história e faz uma promessa de levar o garoto para uma reserva onde crianças como ele são defendidas e podem conviver em sociedade.

Ao longo da história vamos nos deparar com os mais variados tipos de pessoas que foram levadas a atos extremos para poder continuar vivas, começando exatamente pelo coadjuvante Jepperd. Ele teve que fazer coisas que se arrepende para poder estar vivo. Além disso vamos conhecer outras crianças muito meigas e inocentes neste mundo onde elas são caçadas.

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Jeff Lemire consegue caracterizar muito bem seus personagens ao mostrar uma dualidade interessante entre Gus e o Jepperd. As edições focadas na amizade dos dois normalmente são as mais tristes e dramáticas, porém as melhores. O Grandão (forma como garoto cervo chama o amigo) é muito violento e carrega uma culpa enorme por conta das decisões erradas do passado. Ao longo das 40 edições vamos nos afeiçoar mais e mais com Bico Doce e torcer para ele se salvar de todo o mal que ocorre em sua volta.

A arte de Lemire pode ser um pouco agressiva aos olhos dos mais refinados, mas ao mesmo tempo é tão visceral que acaba tornando a narrativa mais pesada. Eu particularmente gosto bastante do traço do canadense, mesmo que muita gente critique seus rabiscos. Ele faz um trabalho bastante interessante e experimenta variadas formas de contar sua história, algo que acaba tornando o trabalho final mais atrativo ao leitor.

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Enfim, mesmo “Sweet Tooth” sendo um estouro de críticas positivas a obra não se encaixa no que se chama de mainstream muito pelo fato de ser diferente do que o público americano gosta – isso, é claro, sem deixar de lado o momento de transição dá Vertigo para com seu público. Porém, muitas das coisas que vemos em Homem Animal, Frankenstein e Arqueiro Verde dos Novos 52 estão embrionadas nas páginas das aventuras do garoto cervo e de seu amigo grandão.

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