Hi-5: Um bate-papo com Bernard Chang!

Um dos mais talentosos e bem-humorados artistas no mercado atualmente, Bernard Chang pegou um pouquinho do seu tempo para falar com o Terra Zero sobre sua carreira, seus atuais trabalhos com a Tropa dos Lanternas Verdes e do quanto admira as cores do brasileiro Marcelo Maiolo, com quem vem trabalhando há algum tempo. Confiram!

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1) Olá, Sr. Chang! Antes de mais nada é um prazer falar com você. Já que esta é a primeira vez que você fala com seus fãs brasileiros, conte um pouco sobre sua experiência fazendo quadrinhos. Você começou sua carreira em 1992, então, 20 anos depois, que tipos de experiências você acumulou?
BC: Antes de mais nada muito obrigado aos fãs brasileiros. Sou muito agradecido a todo o suporte que recebo dos fãs pelo mundo todo. Como você disse, comecei minha carreira profissional em 1992, com apenas 20 anos de idade! Cara, que época era aquela… os quadrinhos mudaram muito de lá pra cá, mas sob muitos aspectos permanecem da mesma forma. A maior diferença pra mim, além do contínuo desenvolvimento das minhas habilidades como desenhista, é a forma de se aprofundar no storytelling e a apreciação da arte sequencial. Pelo caminho coisas como Cintiqs e Photoshop tornaram algumas coisas mais eficientes, mas ao mesmo tempo complicaram outras, mas no fim das contas tudo serve para se desenhar uma grande histórias. Pra mim, quadrinhos não são apenas páginas bem desenhadas, mas sim um equilíbrio entre emoção, tempo, andamento e, especialmente, como a história é lida como um todo.

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2) Alguns anos atrás você desenhou a edição #11 da revista Emerald Warriors e agora está assumindo a Tropa dos Lanternas Verdes de forma mensal. É um desafio desenhar toda uma equipe de Lanternas? Conte para nós um pouco mais sobre este momento para a Tropa.
BC: Antes deste título eu tive a oportunidade de trabalhar numa outra revista de equipe: Cavaleiros do Demônio. Esta foi a primeira vez que desenhei uma equipe, então [a revista] me ajudou a me preparar para GLC. Há vezes em que desenho e arte-finalizo uma personagem de uma vez só; por exemplo, nas cenas com a Fatalidade, desenho tudo que há pra se fazer com ela e arte-finalizo todas vezes em que ela aprece em seguida ao invés de arte-finalizar uma página inteira mudando de personagens para depois voltar em todos eles de novo. Isso me ajuda a manter o foco nas sensibilidades de cada personagem e a capturar aquele pequeno mas importante momento para ele.

Outro dos grandes desafios da Tropa é o elemento da ficção científica. Sou formado em arquitetura, então o design é algo importantíssimo na minha arte. Inovação e designs inteligentes são elementos chave para eu criar um universo crível nos quais os personagem viver. Portanto, quaisquer que sejam as novas raças alienígenas, eu tento dar visuais específicos para cada um, como os visuais singulares que temos na Terra. Então, quando há uma sequência de páginas no planeta “x” e outra no planeta “y” há visuais distintos para cada um, com suas roupas e suas tecnologias.

3) Há algumas semanas, numa entrevista para o Comic Vine, você disse que trabalhar com o colorista brasileiro Marcelo Marcelo é muito bom para sua arte. Você diria que há química entre o trabalho de vocês?
BC: Marcelo Maiolo é uma das pessoas mais talentosas com quem já trabalhei na minha carreira. Ele tem uma grande sensibilidade na paleta de cores e acho que nossos estilos combinam muito bem juntos. De fato, quando os editores me ofereceram a oportunidade de desenhar a Tropa, uma das primeiras perguntas foi se o Marcelo estaria comigo nesta. Meu estilo é sempre bastante aberto e limpo, e quando desenho penso muitas vezes em como aquilo vai ficar coloridos. Portanto, um grande colorista pode levar o trabalho a outro nível. Tenho muita confiança no que ele oferece e, na maior parte das vezes, não temos tanta interação até que o trabalho esteja pronto. Meu trabalho é deixado para ele fazer o que faz. Quando se trabalhar numa equipe eu adoro ser o cara que fica criticando o trabalho dos meus colegas (risos).

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4) Antes dos Lanternas Verdes você desenhou os Cavaleiros do Demônio por um período. Defato, depois do que você fez com o Desafiador em DC Universe Presents sua arte pareceu combinar perfeitamente com o título. Você guarda boas lembranças deste título tão peculiar nos Novos 52?
BC: Cavaleiros do Demônio foi algo realmente bacana. Incialmente eu hesitei, pois havia trabalhado muito pouco com o gênero de fantasia na minha carreira. Mas quando comecei a fazer os designs e páginas da revista a ideia toda cresceu em mim. Claro que também ajudou eu gostar tanto dos trabalhos de Paul Cornell e Robert Venditti (risos), mas também imergi no gênero, assistindo coisas como Guerra dos Tronos e tal. A história não apenas convencia, mas o visual como um todo me tocou. Me desafiei a me colocar no mesmo nível de comprometimento com o qual os personagens viviam naquele mundo. Espero que tenha dado certo. Fico triste de ver a revista sendo cancelada, mas aplaudo a DC por ter dado uma chance neste gênero de fantasia, e agradeço muito aos fãs da revista pela ajuda que deram aos personagens e à revista, especialmente no período em que fiquei nela.

Quando ao resto dos Novos 52, foi uma grande honra ter participado do Relaunch com o Desafiador e Vandal Savage em DC Universe Presents. No Desafiador tive a oportunidade de mapear boa parte do material com Paul Jenkins antes da revista ser publicada, então demos um jeito de transformar o tema espiritual e metafísico em algo mais novo. Já no Savage foi uma grande oportunidade de trabalhar com meu amigo James [Robinson] num thriller criminal. Havíamos trabalhado juntos com o Superman tempos atrás então funcionamos muito bem.

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5) Uma última pergunta, Sr. Chang: o que você espera de Green Lantern Corps?
BC: Green Lantern Corps é um passo à frente em termos de intensidade se for comparar com as outras revistas nas quais trabalhei. Enquanto Robert Venditti tem feito o argumento da série, é Van Jensen que realmente passa algumas horas criando um roteiro excitante. Muitas coisas estão acontecendo no unverso dos Lanternas, algumas amarradas ao que Robert ven fazendo no título principal com Billy Tan, enquanto há também coisas independentes como a história focada em John Stewart e seu papel na Tropa. Meu principal objetivo nas primeiras edições em que estou trabalhando é dar um senso de profundidade e presença nos personagens da revista. Conforme a história começa a se desenrolar espero que o leitores sintam também as emoções e turbulências com a ação clássica e sequências dinâmicas da revista. Os leitores brasileiros podem esperar o melhor. Van, Marcelo, eu e todo o resto da equipe de GLC farão o diabo para que a revista seja demais neste verão [inverno brasileiro] e espero que todos vocês estejam conosco! Obrigado!

Interview in English

1) Hello, Mr. Chang! First of all it’s pleasure talking to you. Since it’s the first time you have the opportunity to talk to your Brazillian fans tell us about your story of producing comics. You started your carreer in 1992, so 20 years after what kind of experiences have you accumulated
BC: First off, I want to thank you, the Brazilian comics fans. I am very appreciative of the support I receive from readers all over the world! As you noted, I first started drawing comics professionally back in 1992, at the young age of 20! Haha! Man those were the days. Comics in many ways has changed a lot, and yet in others, remain very much the same. The biggest difference for me, aside from continued development of my personal drawing style and skill set, has been a deeper approach to storytelling and the appreciation of sequential art. Along the way, things like Cintiqs and Photoshop have helped make things more efficient, and yet complicated, but it still boils down to drawing a great story. To me, comic books is not just about how pretty a drawing is, but also the balance of emotion, tempo, pacing, and ultimately, how the story reads as a whole.

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2) A couple of years ago you pencilled issue #11 of Emerald Warriors and now you are taking Green Lantern Corps on a regular bases. Is it a challenge for you to draw a whole team of Lanterns? Also, tell us more about this new moment for the Corps?
BC: Prior to Green Lantern Corps I had the opportunity to get my feet wet in another team book, Demon Knights. That was the first time I tackled a team book and it helped me prepare for GLC. There are times I will go thru a bunch of pages and draw/ink one character in one sweep; like the scenes with Fatality, I will go ahead and ink her in all the pages at once, as opposed to jumping back between her and other characters. I find it helpful to focus on each character’s own sensibilities and to remain in that scope to help capture what might be small but important character moments.

Another of the biggest challenges of Green Lantern Corps, aside from a team book, is the science fiction element. I have a degree in architecture, so design is very important to my approach. Intelligent design and innovation are keys to creating a believable universe in which the characters live and play in. So whenever there are new alien races, I try to set specific design cues for each, like how our own cultures here on Earth can be visually unique. So when in one sequence of pages we are on planet “x” and another on planet “y”, there is a distinct and grounded design to each setting, their clothing, and technologies.

3) A few weeks ago, in an interview for Comic Vine, you said that working with [Brazilian colorist] Marcelo Marcelo has been really good for you and your art. Would you say that there is a good chemistry between you two?
BC: Marcelo Maiolo is one of the most talented people I’ve worked with in all my years in comics. He has a great color palette sensibility and I think our styles really work well together. In fact, when the editors initially approached me about the opportunity to draw Green Lantern Corps, one of my first questions was if Marcelo could come on board as well. My style has always been very open and clean, and when I draw, I’m thinking a lot of times in color, or how things might be blocked in hues and tones as opposed to hatching and feathering in inks. So a great colorist can really take the work up another notch. I am very trusting of what he brings to the table. And for the most part, we don’t really interact much until after the work is done. My approach has been to let him do what he does. When you work with a team, I like to be the point guard and dish out assists to my teammates. Haha!

4) Previous to Green Lantern Corps you pencilled Demon Knights for a few months. In fact, after what you did with Deadman in DC Universe Presents, your art seemed to fit perfectly with the title. Do you have good memories of that peculiar New 52 title?
BC: Demon Knights was a lot of fun and a great experience. Initially, I was a little hesitant to take on the book, mostly because I had not dabbled much in the fantasy genre during my career. But as I started to design the characters and drawing the pages, it really grew on me. It was also helpful that really liked the work of series writers Paul Cornell and Robert Venditti, haha. I also immersed myself in watching a lot of genre specific shows, like Game of Thrones, and I was hooked! Not only was the story compelling, but the design in each of the houses, their armour, cities/castles, etc. I challenged myself to have that same level of commitment to the world the characters lived in. I hope it showed in the final work. It was sad to learn that Demon Knights is ending soon, but I really applaud DC Comics for taking a chance with a fantasy superhero title, and I thank the fans of DK greatly for their support and passion for the characters and book, especially during the 9 issues I drew.

As for the rest of the New 52, it was an extreme honor to participate in the relaunch with Deadman and Vandal Savage in DC Universe Presents. On Deadman, I had the opportunity to map out some stuff with Paul Jenkins prior to starting the book, and it was refreshing to take on a story with a metaphysical and spiritual theme. And with savage, it was an opportunity to work with my friend James Robinson on a crime thriller. James and I collaborated a couple years earlier on a Superman run and I really though we worked well together.

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5) Just one last question, Mr. Chang: what do you expect to achieve with Green Lantern Corps?
BC: Green Lantern Corps has been a few more steps up in terms of intensity, compared the the last few books I’ve worked on. While Robert Venditti has been plotting the series, it’s really Van Jensen who has been taking pouring in the hours crafting an exciting storyline. A lot of things are happening in the GL universe, some tied to what Robert is doing over at Green Lantern with Billy Tan, while others independent and focused on John Stewart and his role with the Corps. My main direction for the first few issues has been to infuse a sense of depth and weighted presence with the book and characters. As the storyline begins to develop, I hope the readers will be drawn in to the emotions and turmoils, along with the classic action and dynamic sequences. If it’s anything I know, it’s that the Brazilians fans expect the best. Van, Marcelo, myself, and the rest of the GLC team will be delivering the goods this summer starting with Green Lantern Corps #21 and I hope you will all be on board! Obrigado!

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