Hi-5: Dobradinha Multiverso ComicCon com HDR e Vasconcelos

Nesta sexta-feira o Terra Zero tem o prazer de conversar com dois grandes amigos e colaboradores do site de forma profissional: o artista Daniel HDR e o jornalista e organizador da Multiverso ComicCon Émerson Vasconcelos.

comiccon2013

Nesta dobradinha MCC (evento gaúcho que acontece amanhã e domingo em Porto Alegre) os fãs poderão saber mais sobre organizações de eventos, público atingido, técnicas de arte digital e muito mais com estes dois camaradas do site. Confiram!

Daniel HDR

Nome completo: Daniel Horn da Rosa
Idade: 38 anos
Profissão: Desenhista
Editora Atual: DC Comics
Por que quadrinhos?
Conheci quadrinhos com meu pai, que era colecionador e desenhava. Acho que ele sempre quis fazer quadrinhos profissionalmente, mas trabalhava como desenhista técnico na estatal de energia elétrica de meu estado (Rio Grande do Sul). Acredito que os quadrinhos foram inicialmente uma busca pela falta que ele fez após morrer (quando eu tinha 6 para 7 anos de idade). Daí, entre personagens criados, coleções de HQs e minhas primeiras tentativas de publicação, o que era um passatempo tornou-se objetivo profissional, vinculado a algo que me cativou desde moleque.

1) De 2009 pra cá, quando o Terra Zero começou o primeiro contato com você, seus trabalhos na DC aumentaram substancialmente, culminando agora num arco inteiro da série digital Smallville, correto?
Sim, e como sempre, lembrando dos amigos em aparições relâmpago no fundo de pequenas cenas, até um apavorado Felipe Morcelli sendo salvo pelo Gladiador Dourado e Besouro azul nas páginas de Smallville – Season Eleven (risos).

smallville-season11-42-pg02

2) Pra fazer este trabalho, que tem uma exposição diferente do formato tradicional de quadrinhos, você se utilizou de técnicas alternativas e tecnologia ao invés do tradicional lápis no papel?
Em algumas das páginas (na maioria, na verdade) tenho experimentado o desenho e arte final digital (que não diferem dos meios tradicionais). Além deste aspecto, a narrativa visual na página acaba sendo diferente da tradicional, pois preciso pensar no formato e navegação utilizados pelo leitor que leia minha história em seu celular ou tablet. As possibilidades são desafiadoras e ao mesmo tempo empolgantes.

3) Como Smallville chegou até você e como você se sente trabalhando com o Superman (mesmo sendo uma versão alternativa)?
Este arco no qual estou trabalhando (chamado ARGO) reapresenta aos leitores da série os personagens da Legião dos Super-Heróis (que tiveram participação durante a serie Smallville na televisão), porém agora, na série em quadrinhos, tendo um background maior, e sem limitações típicas que uma produção para a TV enfrenta. Além dos já conhecidos, muitos outros são apresentados, rapidamente ou com destaque.


smallville-season11-lotsh

Entro aí porque, dentro do universo regular da DC Comics, já estive envolvido com o título da Legião dos Super-Heróis, e a associação pareceu óbvia. E desenhar o Homem de Aço está sendo igualmente divertido. Sua pergunta sobre desenhar Superman não me é estranha… ja andei sendo questionado como é desenhar o personagem. Sabendo da importância que ele tem como pedra fundamental de um gênero de HQ que é tão constante e facetado como o dos comics, cara… quando você desenha aquele “S” e se dá conta que faz parte, por menor que seja sua parcela, no histórico deste personagem tão importante, é muito legal! Me leva a lembrar de quando vi o filme do Superman pela primeira vez, colecionei suas HQs que saiam pela Ebal com meu falecido pai. Poderia me prender a pequenos detalhes, ou momentos chave. Mas sendo este um personagem tão presente e popular, tenho certeza que a pessoa que esteja lendo estas linhas vai entender, se evocar sua lembrança mais remota, e se imaginar trabalhando com o a criação de Siegel e Shuster.

4) Há vários títulos de sucesso saindo neste formato, como Legends of the Dark Knight, a vindoura Adventures of Superman e Arrow. Eles são atraentes pra você como profissional?
A linguagem de HQ digital em si é atrativa. Você alcança um número de leitores muito maior do que a midia física. Somado isso ao fato de que este material estar saindo pelas duas mídias é algo fantástico. Sobre os titulos da linha Digital First, é legal a possibilidade de trabalhar também nas séries que vieram do universo animado do Batman Beyond (como a própria Batman Beyond, Superman e Justice League Beyond).

5) O que você já planeja no mercado nacional e internacional para este ano?
Muitas surpresas para o FIQ de 2013 (em Belo Horizonte) e um novo sketchbook para este ano também.

Émerson Vasconcelos

Nome Completo: Émerson Vasconcelos
Idade: 27 anos
Profissão: Jornalista e Mestre em Comunicação
Por que quadrinhos?
Porque ganho a vida escrevendo e foram os gibis que me ensinaram a ler e escrever.

1) Émerson, conversamos rapidamente em 2012, no primeiro dia da Multiverso ComicCon, evento do qual você é um dos organizadores. Qual foi o resultado daquele evento e como ele ajudou a moldar o escopo para a próxima edição, a acontecer neste ano?
O evento superou bastante as nossas expectativas. O público aumentou cerca de 30% em relação à primeira edição e ficamos perto de 3 mil pessoas. O número é bastante expressivo, considerando o cenário gaúcho e a abrangência basicamente regional de nossa divulgação. Digamos que a primeira edição foi um teste e alguns erros nela eram justificáveis por isso. Na segunda conseguimos sanar as dificuldades da primeira e assim caminhar para a terceira com o foco em melhorar e ampliar. O período de organização entre a segunda edição e a terceira está sendo muito mais tranqüilo do que o tempo que tivemos ente as duas primeiras.

mcc

2) Como você faz a seleção de convidados para o evento? Quais tópicos são ponderados pela organização para selecionar estes nomes?
O fundamental, agora que temos um contato considerável com importantes profissionais da área, é procurar saber quais são aqueles que tratam bem o público e que tem uma índole compatível com este tipo de evento. Não adianta termos um gênio do traço que destrata os fãs. Depois disso partimos para os quesitos popularidade e, principalmente, qualidade de trabalho. A popularidade pesa, mas o que define é mesmo a qualidade. No ano passado, por exemplo, os irmãos Cafaggi (hoje reconhecidos como gênios do traço em todo o país) ainda não eram tão conhecidos no Rio Grande do Sul, mas considerei que era nossa obrigação trazê-los justamente para que os gaúchos tivessem maior contato com o trabalho deles.

3) No ano passado a MCC teve uma exposição do Batman, com itens doados pelo curador do FIQ Ivan Costa e uma área dedicada somente a Doctor Who, além de paineis diversos sobre a indústria nacional, o selo Vertigo e entrevistas. Tamanha diversidade neste tipo de evento é fundamental para atrair mais pessoas?
Certamente! A ideia nesse ano é aumentar a diversidade. Além das áreas já contempladas no ano passado pretendemos dar uma atenção especial a outros nichos. A escolha do primeiro patrono da Multiverso ComicCON já denuncia essa abertura. Escolhemos o Renato Canini, considerado o Mestre Disney brasileiro. Não havíamos ainda dado a devida atenção aos quadrinhos Disney, que tem um peso muito grande na formação do leitor brasileiros de HQs. Além disso, teremos a participação de novos fã-clubes. Buscamos um grupo para contemplar os fãs de The Walking Dead (e do gênero zumbi em geral) e também um fã clube de Crônicas de Gelo e Fogo, para reforçar esta área do evento.

4) Observando a indústria nacional e internacional do lado de forma, como um organizador de eventos, o que você acha que tem funcionado e o que tem falhado em ambas as partes?
Como o Sidão [Sidney Gusman] sempre fala, existe um mercado nacional de quadrinhos, mas não uma indústria. O que falta para esse essa indústria se constituir no país é pesquisa nos mais diversos níveis. Muitas editoras nacionais não conhecem o seu público. A reclamação quanto à distribuição é crescente, mas o potencial de venda digital (que poderia atenuar essa questão) não é explorado. O que tem funcionado no mercado nacional salta aos olhos. Dentre as grandes empresas, destaca-se o trabalho da Mauricio de Sousa Produções. A qualidade da linha Graphic MSP não fica atrás de nenhum lançamento de editoras americanas ou européias. Também destaco a importância dos independentes para o atual cenário. A formação de coletivos e a utilização de plataformas de financiamento coletivo, como o Catarse, tem sido fundamental para a expansão do mercado nacional.

O mercado ocidental internacional, por sua vez, continua fazendo o que sempre fez de melhor: gerar franquias multimídia e se reinventar sempre que preciso. Não condeno iniciativas como New 52 ou Marvel Now e cada vez mais procuro encarar os personagens de quadrinhos norte-americanos como produtos e não como velhos amigos. Só acho que às vezes falta coragem na hora de promover estas reinvenções. Creio que um reboot deve ser um recomeço de fato e não uma colcha de retalhos de cronologias, como Marvel e DC vem fazendo. O grande ponto positivo do mercado norte-americano é a exploração cada vez maior do meio digital, embora muitos recursos dos novos meios ainda sejam desprezados.

5) Pra finalizar, Émerson, qual é o seu maior sonho como organizador da MCC? Pode ser um convidado renomado, um
crescimento exponencial do evento… o que lhe vem a mente como grande objetivo da MCC ainda a ser alcançado?
Certamente é o crescimento exponencial do evento. Com o passar do tempo pretendemos ampliar o número de dias e também trazer mais convidados internacionais. No entanto, não abrimos mão de ter um espaço maior sempre dedicado aos convidados nacionais e regionais. Temos que valorizar o que o Brasil produz de melhor. Outra meta a ser cumprida é ampliar a divulgação do evento, para que ele se torne referência nacional. Hoje nosso trabalho de divulgação ainda é bastante regional, mas a partir da quarta edição isso irá mudar. Olhando para trás agora, percebemos que nosso objetivo de trabalhar a marca na Região Sul durante essa primeira “trilogia” de eventos surtiu o efeito esperado, mas ampliar a divulgação é algo urgente.

Comente

Clique para comentar

3 × 4 =

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com