Hi-5: Dobradinha com Cris Peter & Marcelo Maiolo

Na Hi-5 desta sexta-feira o Terra Zero conversa com dois talentosíssimos coloristas do mercado brasileiro: Cris Peter e Marcelo Maiolo. Confiram!

Cris Peter

Nome completo: Cristiane Duarte Peter
Idade: 29 anos até dia 15/06
Profissão: Colorista de Histórias em Quadrinhos
Editora Atual: Marvel Comics e Vertigo (DC Comics)
Por que quadrinhos? Porque tive sorte!

1) Cris, seus trabalhos mais recentes publicados no Brasil foram o primeiro volume encadernado de Casanova, da Icon/Marvel, e Astronauta: Magnetar, da Mauricio de Sousa Produções. Quais as grandes diferenças em colorir trabalhos tão diferentes um do outro e como você, como profissional, faz para “migrar” de um “universo” para outro sem se deixar levar por apenas um jeito de trabalhar?
Cris: As diferenças são mais técnicas do que “espirituais” por assim dizer. Eu me envolvo com a história no momento em que começo a trabalhar (por isso quando a história é ruim, é tão difícil me dedicar e fazer um bom trabalho). Leio os roteiros para entender as histórias e entro no clima delas. No Casanova a história é mais pesada e maluca, pra um público específico, posso pirar e usar cores irreais! Agora no Astronauta, apesar de ele abordar toda a questão da saudade e da reflexão, é um quadrinho que tem um público mais abrangente, e por isso tenho que ser mais pés no chão na hora de colorir. A técnica usada em ambos os títulos foi a mesma, porém há uma diferença de escolha de cores e, no caso do Casanova, as formas de sombras eram mais angulosas do que no Astronauta.

Capa de Astronauta: Magnetar, por Danilo Beyruth e Cris Peter
Capa de Astronauta: Magnetar, por Danilo Beyruth e Cris Peter

2) Como colorista, você começou a entender e misturar as cores de forma artesanal ou suas primeiras brincadeiras e seus primeiros trabalhos com as cores foram direto pelos meios digitais?
Cris: Eu comecei no digital. Tive acesso a ele cedo demais e acabei aprendendo a misturar as tintas naquela janelinha de Cor no Photoshop. Imagine a minha surpresa quando percebi que eu sabia fazer a mesma coisa com tintas depois que comecei a me aventurar com a pintura artesanal! Haha! Realmente o uso das cores é uma técnica que independe da ferramenta que você vai utilizar.

Página de Casanova colorida por Cris Peter
Página de Casanova colorida por Cris Peter

3) Você já revelou, inclusive numa conversa com o Terra Zero na última Multiverso ComicCon, o quanto admira o trabalho do colorista premiado Dave Stewart. Quais nomes, dentro e fora dos quadrinhos, te influenciam como colorista? E na indústria de hoje, quais você mais admira?
Cris: Eu não tenho influências específicas. Tento não me prender a nomes. Quando preciso de uma referência, procuro em ilustração, fotografia, filmes… tudo o que tenha a ver com o trabalho que estou fazendo. Gosto de diversificar e não me prender a influencias. Admiro todos os meus colegas de trabalho, pela dedicação e capricho. Não tenho favoritos. Tento me espelhar naqueles que sempre têm um trabalho novo pra mostrar! Me acho meio preguiçosa em comparação a eles e quero correr atrás pra sempre ter novidades pra mostrar.

4) Ano passado você indicada ao prêmio Eisner de melhor colorista, o que por si só é uma grande honra. Que portas esta indicação lhe abriu?
Cris: Acho que senti mais diferença no meu conhecimento nacional do que no internacional. Na verdade consegui muitos trabalhos e ano passado, assim como esse ano, têm sido bem ocupados em matéria de títulos pra colorir. Mas acho que em matéria de público em geral, no Brasil acabei ficando mais conhecida, apesar de ter poucos títulos publicados por aqui ainda. Enfim, a indicação só trouxe coisas boas. E me deu mais coragem de arriscar e tentar fazer meus próprios projetos.

Cris e alguns de seus trabalhos com a Marvel Comics
Cris e alguns de seus trabalhos com a Marvel Comics

5) Pra finalizar, Cris, que projetos você tem para 2013? Há obras nacionais vindo aí com seu nome novamente?
Cris: Há poucos projetos que eu possa divulgar, mas o mais importante eu posso e esse é o meu projeto de livro que está no Catarse! Eu vinha prometendo há anos um livro sobre cores e colorização. Queria fazer algo novo, com os assuntos que ficariam difíceis pra abordar em posts de blogs. Só que eu não estava conseguindo fazer esse projeto por uma questão financeira mesmo, por isso acabei recorrendo ao Catarse pra tentar fazê-lo acontecer. A resposta tem sido muito boa até agora e espero que consigamos financiar esse projeto e lançar esse livro. Sempre foi um sonho meu escrever e acho que assim é um bom começo. O endereço pra contribuir é http://catarse.me/usodascores

Marcelo Maiolo

Capa de I, Vampire #17
Capa de I, Vampire #17

Nome completo: Marcelo Henrique Maiolo
Idade: 31 anos
Profissão: Colorista
Editora Atual: DC Comics
Por que quadrinhos?
Acho que foi karma. Devo ter sido uma pessoa muito má na outra vida. Na verdade, sempre fui fascinado por quadrinhos. Eu tinha uma centena de revistas da Turma da Mônica entre meus 5 e 6 anos e nem sabia ler. Minha mãe lia quadrinhos da Mônica pra mim no lugar de livros infantis. Eu me lembro de ficar frustrado na pré-escola quando pedi para a então professora me ensinar a ler pois tinha uma cacetada de quadrinhos guardadas esperando por mim, e ela me disse que só dali um ano na primeira série. Acho que foi amor à primeira vista. Quando todos meus amigos queriam ser jogadores de futebol eu já dizia que queria trabalhar com quadrinhos.

Capa de Arqueiro Verde #20
Capa de Arqueiro Verde #20

1-) Marcelo, esta é a primeira vez que conversamos aqui no Terra Zero. Conte para nossos leitores quando surgiu seu interesse por quadrinhos e como você acabou entrando profissionalmente nesta indústria.
Marcelo: Como dito acima, comecei a me interessar pela leitura de quadrinhos e por trabalhar com eles muito cedo. Entretanto meu foco era desenho. Minha vida era desenhar, de preferência durante as aulas (de exatas, pois as de humanas eu adorava). Nessa época eu odiava colorir meus desenhos. Na verdade, até meus 14 anos devo ter pintado uma meia dúzia de desenhos apenas. Nessa época, o que era um prazer se tornou cansativo, e desisti de desenhar. Depois de vários anos, com 21, dois amigos meus me convidaram para lhes ajudar numa estória de fantasia, na parte de roteiro. Como lançaríamos a revista em branco e preto, resolvi aprender a colorir apenas para aquele trabalho. Não parei mais. Dei-me dois anos de prazo para aprender a colorir, preparei o meu portfolio e comecei a caçar oportunidades. Logo comecei a ser agenciado pela americana Glasshouse Graphics e quatro anos depois pela Art & Comics, na qual estou até hoje.

2-) Você já trabalhou em editoras mais independentes como a Dynamite e em majors como Marvel e DC Comics. Qual a grande diferença de fazer o mesmo tipo de trabalho em empresas com perfis tão diferentes?
Marcelo: Na verdade, para a Marvel eu apenas fazia recolorizações dos clássicos dos anos 60. Nunca pintei nada para eles com trabalho criativo, era mais uma espécie de restauração. Quanto a estilos diferentes, eu não vejo bem dessa forma referente às editoras. Os estilos têm que ser diferentes no que diz respeito à arte que o colorista, nesse caso eu, vai pintar. Tento adaptar meu trabalho basicamente ao traço e ao tipo de atmosfera que a série precisa. Acho que é a arte que define o direcionamento. O que eu percebi é que revistas que não são do primeiro escalão acabam te dando uma liberade criativa maior, e isso é legal. Isso aconteceu com o Demon Knights [Cavaleiros do Demônio] e com o I, Vampire [Eu, Vampiro], e graças a isso os editores permitiram que eu experimentasse à vontade com o Arqueiro Verde e o Constantine!

Página dupla de I, Vampire #11
Página dupla de I, Vampire #11

3-) Dentre seus trabalhos na DC Comics (I, Vampire, Constantine, Demon Knights) há uma diferença bem grande na forma que você escolha sua paleta para colorir não só os personagens, mas os cenários e tudo que os envolve. Há uma liberdade editorial para que você tenha esta versatilidade toda ou a paleta de cada título é definida pela editora?
Marcelo: Se tem uma coisa que o colorista tem é liberdade total; pelo menos eu sinto isso. E no meu caso é na criação da paleta. Às vezes até tem algum direcionamento sobre efeitos, tipo de modelado, mas nunca disseram pra eu fazer uma determinada paleta. Eu percebi (posso estar errado, já que estou falando sobre minha experiência particular) que quando você começa a trabalhar para as empresas maiores, como a DC por exemplo, a cobrança é menor. É algo do tipo “se você está colorindo pra gente significa que você (em teoria) sabe o que está fazendo”. Eu percebi que tive muito mais liberdade nas majors que nas menores. A maioria das limitações que eu tive foram por que eu me limitei!

4-) Atualmente você está colorindo Constantine, desenhada por Renato Guedes, além de já ter colorido Demon Knights de Diógenes Neves e alguns outros trabalhos com brasileiros. Trabalhar com uma equipe artística brasileira é mais fácil? Explique este processo para nossos leitores.
Marcelo: Levando-se em conta o uso do inglês não há diferença entre os artistas serem brasileiros ou não, o que diferencia é cada pessoa. A relação ao que eu e o Renato estamos construindo, tudo é feito pelo Skype, com bate-papos, testes, etc, e isso é exatamente a mesma que eu tenho com o Andrea Sorrentino na Itália. Nós nos damos muito bem e muitos gostos são parecidos, o que facilita a comunicação. Eu diria que a nacionalidade não influencia em nada, e sim cada indivíduo.

Página que Maiolo coloriu par ao projeto Feira da Fruta
Página que Maiolo coloriu para o projeto Feira da Fruta

5-) Você continuará colorindo Constantine na DC? Quais outros projetos você tem para 2013 dentro e fora do mainstream?
Marcelo: Em 2012 fiz um projeto autoral com dois amigos meus chamado Fade Out, Suicídio sem Dor, e digo que o mercado autoral me deu um gostinho de quero-mais. Então, assim que eu tiver tempo, pretendo direcionar alguns esforços nessa direção, mais especificamente roteiro. Em Abril agora comecei Green Lantern Corps com Bernard Chang, meu parceiro de Demon Knights, e estou animado, pois é possível estrapolar bem com efeitos e luzes. E o outro, um sonho desde que eu era garoto, que é o mercado europeu. Cresci lendo Heavy Metal, então é uma meta.

[O Terra Zero agradece imensamente a Marcelo Maiolo e a Cris Peter pelas entrevistas! E não deixem de conferir os mais recentes lançamentos dos dois coloristas: Casanova e Cavaleiros do Demônio!]

2 Comentários

Clique para comentar

onze + 20 =

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com