Superman: História de Orson Scott Card não deve ser publicada

Numa atitude que beira a covardia a DC Comics está prestes a desistir completamente de publicar as histórias que o premiado autor Orson Scott Card fez para o Superman. O novo título do herói, Adventures of Superman, será uma antologia digital publicada no mesmo padrão de outros lançamentos exclusivamente digitais da editora.

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Fazendo um rápido retrospecto, o aclamado autor de O Jogo do Exterminador (1977, premiado na década seguinte com Hugo e Nebula Awards, os mais importantes prêmios de literatura do mundo) é cabeça de uma organização americana de oposição ao comportamento homossexual e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Assim que a DC anunciou que seu mais justo e igualitário personagem seria escrito por alguém que tem uma posição social extremista o público começou a protestar, conseguindo uma petição para a remoção dele da revista que já está chegando perto das 20 mil assinaturas, um público bastante relevante para um produto que ainda é oferecido a uma parcela muito menor que a compra quadrinhos de papel.

Sendo assim, a polêmica chegou a tal ponto que o desenhista Chris Sprouse resolveu deixar o projeto, especialmente por perceber que tudo girava em torno da polêmica e não da história em si – que nem foi publicada ainda.

Como se isso não bastasse, foi informado ontem pelo Bleeding Cool que a DC Comics perdeu a pressa de procurar por um desenhista substituto para Sprouse. Na verdade a editora estaria até considerando engavetar a história.

É compreensível o medo que uma empresa tem de pagar caro por um autor deste calibre e não ter a saída esperada de seu produto. De fato, o extremismo de qualquer pessoa influente num grande grupo de pessoas pode ser perigoso.

Todavia, quem já leu as obras de Scott Card sabe que ele não coloca, de forma alguma, este tipo de opinião em suas obras. Mais do que isso, trata-se de um premiado escritor de ficção científica escrevendo o maior super-herói de todos os tempos. Será que o produto realmente não teria saída?

Ou melhor: não teria sido mais fácil para a editora afirmar que as inflamadas opiniões de Card seriam irrelevantes para sua história? Ao contrário, a DC apenas disse que “as opiniões pessoais dos profissionais relacionados à editora são apenas isso – opiniões pessoais“. A sutileza não funcionou aqui.

Superman foi o primeiro super-herói dos quadrinhos e hoje é considerado um símbolo da cultura americana. O herói foi criado em 1938 pelos judeus Joe Shuster e Jerry Siegel, mas tem uma origem messiânica e cristã: Kal-El, o último filho do moribundo planeta Krypton, foi enviado à Terra por seu pai Jor-El para ser o único sobrevivente de seu povo. Na Terra ele foi criado por um maravilhoso casal de fazendeiros, Jonathan e Martha Kent, recebendo o nome de Clark Kent. Hoje um repórter renomado no Planeta Diário, ele também age como Superman graças aos incríveis poderes que possui sob a radiação do sol amarelo. Inspirador, o Superman é o maior símbolo heroico da DC Comics, dentro e fora do universo fictício.

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