A Despedida de um Jovem Herói

[o artigo abaixo contém spoilers]

Quando a DC Comics reiniciou todo o seu universo em 2011, uma das coisas mais discutidas era como a editora havia abandonado seu senso de legado entre os personagens. Aquela coisa de um passar o manto pro outro, sabe? Este conceito parecia ter morrido conforme as histórias eram recontadas com uma outra pegada, outro feeling. Havia o Sargento Rock, é claro, mas ele foi a exceção de uma regra estabelecida para 51 revistas diferentes.

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Nesta última quarta-feira a editora fez questão de seguir outra de suas regras mais difundidas dos anos 1980 pra cá: matar Robins. O falecimento de Damian Wayne não veio como total surpresa, já que o próprio escritor Grant Morrison havia brincado com a ideia na primeira edição de Batman Incorporated v2. E é claro, se Morrison deu vida ao personagem o criando em 2006, nada mais justo que ele mesmo tirar a vida do jovem – e pentelho – herói.

Damian teve uma das trajetórias mais curiosas dos quadrinhos de super-heróis, sendo execrado pela esmagadora maioria dos leitores no começo, mas ganhando a simpatia de todos conforme era explorado por seu criador. Quando foi oficializado como Robin ao lado de Dick Grayson (que na época utilizou o manto de seu mentor, o Batman), o personagem caiu nas graças dos leitores. Não é de se duvidar que Morrison tenha feito isso de propósito, apenas para machucar o coração dos leitores ao matá-lo.

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O desenhista Chris Burnham, que vem trabalhando com Morrison quase desde o começo de Batman Inc., afirmou em entrevista que não haverá Poços de Lázaro ou clones; Damian está morto e é pra valer. No início da Relaunch a DC também prometeu que não iria matar personagens para ressuscitá-los em seguida, deixando de lado um ciclo vicioso que contamina os quadrinhos de heróis desde os X-Men de Claremont/Byrne.

Independentemente disso, o gosto da morte de Damian é amargo por diversos motivos. Não só um querido (e muito jovem) personagem se foi, mas a dupla criativa parece ter se segurado um pouco na hora de executar a idéia; a) por mais violenta que tenha sido a luta do pequeno Wayne com os vilões do Leviatã, a cena não é tão brutal quando a do Coringa matando Jason Todd; b) o autor utilizou um clichê do próprio Batman ao fazê-lo chegar atrasado para salvar seu pupilo; c) o truque é repetido já que, como dito acima, Morrison simulou a morte de Damian na primeira edição do título.

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O que será que o autor escocês quis dizer com a morte de Damian sendo executada desta forma? Não se engane, leitor: Morrison é o tipo de cara que sempre quer dizer alguma coisa e faz suas escolhas de forma meticulosa e planejada. Talvez o escriba tenha pensado em mostrar a morte de alguém em combate como é na vida real (seca, rápida e triste)? Pode ser.

Seja como for, deixando a execução da idéia de lado, Damian fará falta. Sua irreverência conquistou os leitores aos poucos, como nenhum personagem criado nos últimos 10 anos conseguiu. Seu último diálogo com Dick antes da morte é fantástico e de dar nós na garganta.

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Damian Wayne. Robin. Fará falta.

Damian Wayne é filho de Bruce Wayne com Talia Al Ghul. Ele apareceu pela primeira vez na história Filho do Demônio, de Mike W. Barr, mas foi descartada da cronologia tradicional do Universo DC. Em 2006 o escritor Grant Morrison trouxe o personagem de volta sob este nome, reintroduzindo o jovem à cronologia em Batman #655, no arco Batman e Filho. Atualmente ele é o novo Robin, parceiro de seu pai no combate ao crime.

 

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