Os 20 Anos da Morte de um Super-Homem

Há muito a se falar sobre A Morte do Superman. Não apenas sobre evento em si – ou sobre o alcance comercial e editorial deste feito – mas também sobre a imensa diversidade de opiniões oriundas de um acontecimento que marcou a história do maior super-herói de todos os tempos.

Este artigo do Terra Zero marca o início da temática do site durante todo o ano de 2013: Superman! Com a chegada do novo filme e do aniversário de 75 anos da criação do personagem o site trará, no decorrer do ano todo – sem periodicidade definida – artigos e pensamentos sobre as mais diversas fases de um dos ícones mais queridos da cultura pop.

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Sendo assim, nada mais natural que começar o ano comentando esta tragédia na vida do personagem, já que neste mês de janeiro ela está completando 20 anos. Obviamente todos, ou a grande maioria dos leitores, conhece bem esta história, portanto o artigo trará apenas algumas observações sobre o que houve no mundo real em relação ao mundo ficcional das revistas.

O planejamento e a História

A história todo mundo conhece: a “super equipe”, então formada pelos artistas Jon Bogdanove, Louise Simonson, Jerry Ordway, Dan Jurgens, Karl Kesel, M.D. Bright, Tom Grummett e Jackson Guice – todos liderados por Mike Carlin – precisavam de algo que chacoalhasse as estruturas do Homem de Aço e dos quadrinhos de heróis em geral.

super morte
Capa do volume encadernado mais recente da obra. Foi usada no Brasil também.

Originalmente o plano era casar Lois e Clark, o que acabou sendo um pouco atrasado devido a recém estreada série de TV [Nota: mais sobre isso será escrito ainda hoje no Terra Zero]. Logo, a saída foi aceitar a sugestão de Ordway e alguns outros. “Vamos matá-lo!” era a frase das reuniões. Carlin então começou a se encontrar com mais regularidade com todos estes artistas para planejar o acontecimento. O editor não queria simplesmente matar um ícone, mas também mostrar como a repercussão seria bombástica no universo fictício dos quadrinhos e como ele voltaria em seguida.

Dan Jurgens contou anos depois que o objetivo principal da equipe era fazer com que a história fosse divertida. Ainda que o aspecto emocional fosse um dos alicerces da construção desta trajetória o núcleo de tudo isso era o bom entretenimento. Se a história não entretesse, a maior decisão editorial dos quadrinhos de herói já tomada até aquele momento seria um fiasco completo. Mas não foi.

Onde tudo acabou. Só que não.
Onde tudo acabou. Só que não.

Todas as equipes criativas trabalhavam com muito afinco e coerência entre si para que a batalha entre o monstro alienígena e o herói adotivo tivesse uma motivação. Muitos fãs reclamaram que era um absurdo ver um grande símbolo inspirador como o Superman lutando de forma brutal com um monstro descerebrado. Porém, as páginas finais da edição deram nós nas gargantas de todos. A volta do ícone era garantida, é claro, mas naquele momento ele tinha partido “pra sempre”.

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Coerência de um time bem liderado

Carlin fez com que as equipes sob sua liderança trabalhassem com muito cuidado para que convergissem no objetivo final corretamente. Jurgens e os outros lembram de Carlin como um dos melhores editores de quadrinhos de todos os tempos, dada a sua capacidade de gerenciar equipes, crises e ideias.

Dan Jurgens mandando bem no aspecto promocional da história.
Dan Jurgens mandando bem no aspecto promocional da história.

O autor contou em diversas entrevistas também que o mais importante deste trabalho não foi a pré morte e a morte em si, mas sim o que veio depois. Jurgens relembra que a criação para o arco Funeral para Um Amigo foi um dos melhores trabalhos de todos os envolvidos por darem mais vida à repercussão da partida do Superman nos mais diversos âmbitos do universo ficcional. E tudo, obviamente, orquestrado com maestria por Carlin. [Nota: Talvez ele estivesse com a música do Elton John na cabeça?]

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Zilhões de revistas vendidas e publicidade universal

Mike Carlin brincou em 1993 que se Madonna adotasse um novo filho a notícia passaria despercebida perto da repercussão da Morte do Superman. E é verdade. Foi a primeira vez que jornais internacionais, inclusive brasileiros, tratavam o acontecimento com a seriedade de um evento do mundo real. Houve uma grande fusão entre o real e o fictício, fazendo a DC colocar no consciente coletivo que o falecimento do Superman era algo relevante para a sociedade naquele período.

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No Brasil, salvo engano, a notícia foi dada pela tépida voz de Cid Moreira no Jornal Nacional, expandindo-se para o resto dos veículos jornalísticos nacionais em seguida. A Editora Abril decidiu que a história deveria sair no Brasil o mais cedo possível, deixando a cronologia pra trás para publicar um especial de capa fúnebre em 1993 contendo as principais partes do acontecimento.

Estavam lá a chegada de Apocalypse, a grande batalha com a Liga da Justiça e espetacularmente desenhada Superman #75. Dan Jurgens, autor e desenhista do título homônimo do herói, queria que a batalha final entre o mocinho e o monstro fosse toda com páginas inteiras, sem separação de quadros, aproveitando uma história de fins comerciais para inovar, ainda que pouco, a forma.

Versão especial de Superman #75 cheia de bugigangas.
Versão especial de Superman #75 cheia de bugigangas.

Superman #75 foi uma época em que homens de aço caminharam pela Terra e gibis venderam milhões.

O outro lado da repercussão

Foram milhões de unidades vendidas, milhões de opiniões formadas e muito, mas muitos milhões de dólares para os cofres da Warner Bros. O que quase ninguém viu – e ainda não vê até hoje – é que este foi o último boom do ciclo de eventos que permeia os quadrinhos de heróis desde sempre. Pouco antes disso, é claro, foram os X-Men de Chris Claremont e Jim Lee.

O monstro (i)mortal
O monstro (i)mortal

A trilogia Calmaria/Tempestade/Calmaria formada pela chegada de Apocalypse e pela morte e ressurreição do messiânico herói encerrou de vez o interesse popular pelos quadrinhos de heróis até, provavelmente, a morte do Capitão América em 2007. E mesmo com este interesse emergindo de tempos em tempos com a cobertura da mídia não especializada nada vendeu tanto depois desta morte icônica [Nota: acredita-se que Superman #75, edição com a morte do herói, tenha vendido 3 milhões de cópias].

De lá pra cá a indústria tentou encurtar ainda mais seu ciclo de eventos. A própria DC aproveitou a onda para quebrar a coluna do Batman, enlouquecer Hal Jordan e outras mudanças de status quo que acabam sendo tiros na água. Foi então que se estabeleceu uma proporção inversa entre os acontecimentos e o sucesso – enquanto o início de um determinado evento conseguia, no máximo, atrair a atenção de alguns ex-leitores além daqueles consumidores regulares, o final já estava vendendo muito menos.

13718927ª tentativa de bombar o Superman depois da morte. A capa americana brilhava no escuro.
13718927ª tentativa de bombar o Superman depois da morte. A capa americana brilhava no escuro.

A verdade é que foram muitos os heróis que morreram depois que o maior de todos faleceu, mas nenhum repetiu seu feito e quase todos voltaram à vida.

Sendo mais otimista é bem interessante perceber o interesse das pessoas no maior escoteiro do mundo numa época em todos os heróis eram sombrios, violentos e cheios de atitudes controversas para o que simbolizavam. Ainda que fosse para vê-lo morrendo, as pessoas quiseram estar com o Superman mais uma vez como anos antes nas salas de cinema.

O Legado

A Morte do Superman continua sendo reimpressa até hoje. Recentemente a Panini Comics trouxe ao Brasil as versões definitivas publicadas pela DC lá fora, e a Warner Bros. também lançou a adaptação animada da história em 2007 por lá e por aqui.

Mais que isso, os personagens que surgiram com ela tornaram-se parte importantíssima da DC, a ponto até de terem suas próprias revistas saindo disso. Foi daí que nasceram o novo Superboy e o conceito do Aço, que também está presente nos Novos 52 numa versão reformulada. A próprio Apocalypse apareceu outras vezes, mas acabou sendo banalizado por não ter mais propósito além do primeiro e brutal embate com o Homem de Aço. [Nota: o Erradicador teve uma minissérie inédita no Brasil e o Superman Ciborgue virou um vilão recorrente no UDC].

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Num apanhado geral, mesmo 20 anos depois, A Morte ainda hoje é a história mais lida do Superman, além de ser provavelmente a mais conhecida. Dan Jurgens e seus companheiros podem não ter atingido o status de estrelas do entretenimento, mas ainda assim são reconhecidos por um pouco mais de gente que os leitores típicos de revistas.

Vale dizer, antes de finalizar, que este legado é universal, mas há também o aspecto pessoal de cada leitor. O Terra Zero convida então cada um dos leitores desta matéria a compartilharem como conheceram a história, o que sentiram quando a leram e o que pensam dela hoje. O espaço é de vocês!

Superman foi o primeiro super-herói dos quadrinhos e hoje é considerado um símbolo da cultura americana. O herói foi criado em 1938 pelos judeus Joe Shuster e Jerry Siegel, mas tem uma origem messiânica e cristã: Kal-El, o último filho do moribundo planeta Krypton, foi enviado à Terra por seu pai Jor-El para ser o único sobrevivente de seu povo. Na Terra ele foi criado por um maravilhoso casal de fazendeiros, Jonathan e Martha Kent, recebendo o nome de Clark Kent. Hoje um repórter renomado no Planeta Diário, ele também age como Superman graças aos incríveis poderes que possui sob a radiação do sol amarelo. Inspirador, o Superman é o maior símbolo heroico da DC Comics, dentro e fora do universo fictício.

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