Ficando Feliz com Happy! de Morrison e Robertson – Parte 1

[Aviso: O Terra Zero mudou suas atrações de outras editoras para as segunda-feiras]

O escritor Grant Morrison parece muito feliz (com o perdão do trocadilho) com a liberdade que conseguiu para criar Happy! para a Image Comics. Minissérie em 4 edições com arte do famoso Darick Robertson (Transmetropolitan, The Boys), a história narra a vida de Nick Sax, ex-policial envolto em uma série de corrupções e podridões em seu emprego e que agora trabalha como assassino de aluguel.

O auto destrutivo protagonista acaba baleado logo no começo da história num plano mirabolante para eliminar dois ladrões e, ao ser enviado para o hospital, começa a ter visões de um cavalo azul bem orelhudo chamado Happy!.

O cavalo, cínico e sarcasticamente humorado tira um sarro constante de Nick, mas promete ajudá-lo – há um plano em andamento para prejudicar o policial e Happy!, ainda por motivos inexplicáveis (tão inexplicáveis quanto sua aparição, que pode ser uma visão alucinógena causada pela morfina ou um contato com outra dimensão), quer dar uma mãozinha.

Quem adora as histórias quase niilistas com violência e sangue a rodo à la Garth Ennis vai adorar este novo trabalho de Morrison. A história cerca-se de uma narrativa extremamente veloz e divertida, com elementos clássicos das viagens mentais típicas do autor e de um humor exageradamente escrachado. Obviamente a arte de Robertson ilustra estes cenários com uma maestria ímpar.

Parece que na Image o autor conseguiu a liberdade que na DC não teve para fazer um trabalho assim. O leitor fica Feliz!, é claro.

Nota: 8/10

Anotações e Referências

Não seria um texto sobre Morrison sem algumas referências, certo? Elas estão enumeradas abaixo sem ordem de páginas.

1-A história acontece na época do Natal numa cidade totalmente decadente. Morrison contou em uma entrevista ao Comics Alliance que ultimamente tem dado mais atenção nas suas histórias ao perceber a corrupção de certos valores familiares e tradicionalistas em favor do capitalismo selvagem. Foi exatamente por isso que escolheu um Papai Noel da Coca-Cola mendigo para os primeiros diálogos de Happy!;

2-Robertson ficou muito feliz com o projeto de Morrison, mas contou que está sendo um inferno trabalhar na história, pois seus filhos pequenos adoram Happy!, mas o desenhista é obrigado a esconder as páginas para os filhos não lerem tantas palavras sujas. Aliás, vale dizer que fãs da Família Soprano vão se divertir com a quantidade de “fucks” nos balões.

3-O bacana é que apesar de Happy! não ser exatamente feio, suas expressões caricaturais e sarcásticas garantem uma imagem sacana e divertidíssima a um bichinho que deveria ser “fofo”;

4-A existência de Happy! ainda é um mistério, mas leitores de Morrison sabem que o autor não dá ponto sem nó. É muito provável que o escritor esteja referenciando a si mesmo em Batman – Descanse em Paz, história na qual Morrison usou-se do infantil Bat-Mirim para criar uma consciência multidimensional para o Homem-Morcego. Portanto é possível que Happy! seja um fruto da consciência de Sax, mas que vive (como um ser real) na Quinta Dimensão.

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