Cobertura Comix: Coletiva de Imprensa com Jamie Delano

A noite de sexta-feira na cidade de São Paulo é tudo menos típica. Enquanto boa parte dos paulistanos entravam nos bares, restaurantes ou mesmo suas casas para saberem de tudo sobre o final da novela Avenida Brasil, alguns jornalistas e profissionais de quadrinhos entravam no auditório da 19ª Fest Comix para presenciarem algo inédito: uma coletiva de imprensa com o escritor e artista britânico Jamie Delano em sua primeira visita ao país.

Lançando, após mais de 10 anos da publicação original, sua HQ Nação fora da Lei pela Gal Editora, Delano (junto do jornalista e editor Maurício Muniz) respondeu várias perguntas de jornalistas e fãs muito curiosos pela sua carreira, método de trabalho e, claro, sobre John Constantine.

Simpático do primeiro até o último minuto no que somou mais de 1 hora de bate-papo, Delano começou a conversa explicando um pouco sobre o ambiente de criação durante a invasão britânica dos quadrinhos nos anos 1980. O autor contou que acabou fazendo amizade com muitos de seus contemporâneos, mas nunca houve um processo colaborativo entre eles; cada um cuidava de seus trabalhos individualmente. “Não tínhamos um plano invadir e dominar a América“, brincou o escritor.

A Obra “Nação fora da Lei”

Ainda que a maioria dos presentes tenham feito perguntas sobre Constantine e outros ramos da longa carreira de Delano, ele obviamente respondeu questionamentos acerca de Nação Fora da Lei, obra que está sendo lançada neste Fest Comix pela Gal.

Acreditando que existe um certo nível de semelhança entre seus trabalhos voltados aos quadrinhos, Delano explicou que o protagonista Story Johnson não tem muitos ares de John Constantine – “a história toma forma conforme a gente escreve; o desenhista tem um roteiro para seguir, mas o autor sempre começa com uma página em branco“, afirmou – mas é natural que a voz de Jamie como escritor seja encontrada neste trabalho também.

Vale dizer que a produção da obra foi comum como qualquer outro projeto de quadrinhos no início – segundo Delano, o editor Stuart Moore (da Vertigo) convidou-lhe para fazer uma nova série regular com o desenhista croata Goran Sudzuka.

Respondendo ao Terra Zero, Delano contou que que os direitos da obra pertencem a ele e a Goran, por isso o material é reimpresso através de um selo independente – a dupla preferiu reter tudo pra si para negociar republicações futuras. O Brasil, inclusive, é o primeiro país fora dos EUA e da Croácia a publicar o material.

John Constantine

Foi inevitável falar do personagem que ganhou forma com Delano durante os anos 1980 e 1990; mesmo criado por Alan Moore, John Constantine tornou-se o sucesso que os fãs conhecem graças aos longos primeiros anos de publicação sob a caneta de Jamie Delano.

Delano contou que viu a adaptação hollywoodiana do personagem, feita em 2005 e estrelada por Keanu Reeves, mas não apreciou o que foi feito. “Como um filme comum, até acho um filme ok, mas como adaptação do Constantine é realmente bem ruim. O que fizeram com Chas me deu vontade de arrancar os olhos“, falou Delano aos risos.

Finalizando o tema o autor contou que não sente ter partido da revista, nem acha que tenha deixado ideias de fora, mas seu carinho por John é muito grande e voltaria ao título caso recebesse uma proposta interessante.

Trabalhos Mainstream

Delano foi questionado algumas vezes sobre trabalhar mais com super-heróis, o que negou ser sua praia. Ainda que tenha trabalhado em curtos projetos com alguns dos mais famosos personagens dos quadrinhos, o escritor sente

O Terra Zero comentou sobre suas pequenas colaborações para o vasto universo de Doctor Who, das quais ele lembrou, perguntando então se haveria chance de ele escrever algum episódio do novo seriado após participações de Neil Gaiman e do público desejo de Grant Morrison de participar. Delano disse brincando que “pode ser comprado”, mas que a TV não lhe atrai. “Quadrinhos e livros precisam de poucas pessoas para serem produzidos. Já cinema e TV são formados de uma quantidade tão grande de pessoas que o desgaste é tremendo. Não vale a pena“, confessou o autor dizendo ainda que chegou a roteirizar coisas diversas para serem produzidas, mas nenhuma foi chegou ao final.

Aproveitando o tema, o pessoal do Marvel 616 perguntou se Delano teria vontade de levar Outlaw Nation ou outros trabalhos seus para as telas. Jamie respondeu que seria financeiramente ótimo fazer, mas novamente a quantidade de gente envolvida e as adaptações feitas para caberem no formato hollywoodiano não lhe atraem nem um pouco.

Agradecendo pessoalmente cada jornalista pelas perguntas feitas (com apertos de mãos um a um), um animado Jamie Delano deixou o auditório da Comix sob aplausos gerais.

A true gentleman, indeed.

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