O Triunfante retorno da Valiant Comics

Por Matheus Kiskissian

O que você faria se sua editora preferida fechasse as portas e levasse com ela seus personagens favoritos? Choraria? Mudaria para a concorrência? Xingaria muito no Twitter?

Jason e Dinesh
Jason e Dinesh

A resposta dos dois amigos de infância Jason Kothari e Dinesh Shamdasani foi não se deixarem abalar, e desde 2005 entraram em uma longa batalha para adquirir a editora que marcara suas infâncias, a Valiant Comics.

Criada em 1989 por Jim Shooter, a Valiant se tornou rapidamente em uma gigante da indústria nos anos 1990 graças a um universo coeso, personagens complexos e tramas bem elaboradas. Chegando a competir pau a pau com Marvel, DC e Image, se tornando a 3ª maior editora de quadrinhos dos Estados Unidos com mais de 50 milhões de revistas vendidas.

Tão rápida quanto sua ascensão foi sua queda. Após ser adquirida pela produtora de videogames Acclaim, toda a sua linha editorial foi cancelada. E com a falência da Acclaim no começo dos anos 2000, o rico universo Valiant encontrou seu fim.

Após sete longos de batalhas judiciais, Kothari e Shamdasani finalmente conseguiram concretizar seu sonho de colocar com as próprias mãos a sua editora favorita de volta ao mercado. E para marcar a reestreia dessa outrora gigante, foram lançadas duas das séries mais emblemáticas da editora, X-O Manowar e Harbinger cujos primeiros arcos serão os alvos de nossa resenha.

X-O Manowar #1
X-O Manowar #1

X-O Manowar #1 e #2

A maior dificuldade em reformular qualquer franquia é conseguir apresentar novamente conceitos já antigos sem que eles pareçam batidos para os antigos leitores e ainda consigam agradar a nova audiência. No caso da nova X-O Manowar, a equipe criativa tem plena consciência disso e consegue fazer uma introdução fenomenal para a história desse peculiar personagem.

Aric de Dácia é um líder para os Visigodos e sob seu comando seu povo consegue resistir bravamente aos ataques do Império Romano. O que já ia mal piora quando seu vilarejo é atacado por uma avançada raça alienígena e Daric e seus homens são abduzidos e feitos escravos em uma estranha “nave-jardim”.

Poucos roteiristas conseguiriam conduzir tão bem uma história com uma premissa tão estranha. Robert Venditti conduz uma narrativa excepcional, conseguindo em apenas duas edições nos apresentar a condição histórica e a personalidade do protagonista Aric. Sua jornada de líder bárbaro a escravo espacial a ser mais forte do Universo é empolgante e nos deixa com motivação suficiente para querer acompanhar o desenrolar da série.

A arte do ganhador do Eisner Cary Nord é bela e faz a proeza de conseguir retratar um cenário histórico, interagindo com a mais ousada ficção científica, além de trazer um clima old-school em seu traço que nos remete às clássicas histórias do Conan.

Nota: 10/10

Harbinger #1
Harbinger #1

Harbinger #1 e #2: Omega Rising Part 1 & 2

Esta seria aquela revista que teria tudo para dar errado, não fosse o bom planejamento editorial que vem sendo construído nessa nova Valiant. Harbinger foi uma história que marcou época nos anos 1990, provavelmente criando o gênero de “adolescente poderoso perseguido por corporações do mal” que vem sendo repetido ad nauseam pela indústria do entretenimento desde então.

 

Simplesmente repetir essa fórmula há muito já batida seria um erro mortal para uma editora que vem tentando reconquistar destaque no mercado.

 

A estratégia do roteiro então foi de se aproveitar da característica de histórias fortemente interligadas do Universo Valiant para reformular os personagens e o enredo e adicionar mais profundidade na trama.

 

O roteirista Joshua Dysart nos apresenta um protagonista com conflitos e defeitos, que tem consciência de seus imensos poderes psíquicos e não que cai nos clichês de querer conviver com eles.

 

O jovem Peter Stanchek abusa de seus poderes para manter sua fuga do estranho agente Tull e seu vício em drogas que reduz o incômodo que seus poderes psíquicos causam, deixando um rastro de mentes apagadas por seu caminho. O destino desse jovem problemático muda apenas quando encontra o misterioso (e poderoso) Toyo Harada, criador da Fundação Harbinger, destinada a apoiar jovens psiônicos a alcançar seu potencial. Uma clara referência aos X-Men cercada de mistérios, tendo em vista o papel de Harada na antiga série.

 

Outro recurso interessante do roteiro é começar as histórias com cenas que mostram o passado da Fundação Harbinger que ajudam a manter o interesse do leitor na trama.

 

A arte de Khari Evans apesar de um tanto irregular no geral, mostra todo seu potencial nas belas sequências de ação. Com detalhe para a bela batalha de Peter na segunda edição. Vale também uma menção honrosa à bela arte de Lewis LaRosa no prólogo da segunda edição, construindo uma linda cena que por si só já valeria o preço da revista.

 

Nota: 9/10

 

Veredito: Se você se interessa por quadrinhos, deveria correr atrás de conferir a nova Valiant. O bom planejamento editorial e a busca pela qualidade já se mostram como características marcantes desta nova velha editora. Com certeza os enredos interessantes e bem trabalhados irão chamar a sua atenção e te deixar com aquele gostinho de “quero-mais” para as próximas edições.

Pelo que vimos até agora, a Valiant já tem tudo para competir de igual com as principais editoras e reconquistar seu lugar de prestígio no mercado de quadrinhos.

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