[HQview] Ponto de Ignição nº 4 da Panini Comics

Reta final para o fim do antigo Universo DC no Brasil! Ponto de Ignição #4 traz o retorno dos poderes do Flash e a (tentativa) de criação da Liga da Justiça daquele universo. E ainda: o final da saga do Kid Flash no futuro!

Ponto de Ignição: após a tentativa frustrada e insana para tentar recuperar seus poderes, Barry Allen tenta outra vez, agora com resultados surpreendentes. Nas ruínas da Inglaterra, Lois Lane tem um inesperado encontro com a resistência. Ponto de Ignição – Kid Flash Perdido: no futuro, Bart Allen e Patty Spivot tentam escapar de Brainiac e, ao mesmo tempo, salvar o passado.
Panini Comics
68 páginas
Papel LWC
R$ 5,90

Ponto de Ignição – Capítulo 3 de 5

Roteiro: Geoff Johns
Desenhos: Adam Kubert
Arte-final: Sandra Hope
Cores: Alex Sinclair
(Flashpoint 3 – Setembro/2011)

Enquanto o governo dos EUA aborta a missão do Cyborg de reunir os meta-humanos para interferir na guerra entre Aquaman e Mulher-Maravilha, o Batman ajuda Barry Allen a se recuperar das queimaduras de terceiro grau que ganhou ao receber um raio na fuça na tentativa idiota de recuperar seus poderes. Mas ele não desiste, e, antes que possa se recuperar, ele se arrasta até o telhado novamente e se expõe a outro raio. Mas dessa vez, sem preparação nenhuma, o raio devolve os seus poderes!

Espera, antes de continuar eu preciso comentar isso. Eu fiquei contente porque a tentativa estúpida de se expor a um raio no final da edição passada foi tratada de uma maneira inteligente, com o Barry quase morrendo por causa disso. Foi uma decisão acertada do Johns, que respeita a mitologia do personagem, afinal o Barry nunca conseguiu reproduzir o acidente que o deu poderes. Era o raio, representação da Força de Aceleração, que escolhia o seu hospedeiro, e não o contrário. Mas logo depois ele destrói todo esse raciocínio e contradiz o que ele mesmo acabou de dizer! Barry se joga no meio da tempestade de raios, e um deles o atinge antes que ele possa se preparar adequadamente (sem produtos químicos, portanto). E esse raio o dá poderes! Mas que construção de história absurda é essa?! A Força de Aceleração não lança raios a esmo pra você ficar brincando de achar o raio certo. Se ele queria indicar que a Força de Aceleração mandou um raio propositalmente para devolver os seus poderes (o que é totalmente plausível), que fizesse o raio entrando pela janela da mansão e o atingindo enquanto ele ainda estava de cama, mas do jeito como foi feito não há lógica nenhuma.

Feito esse desabafo, voltemos para a história. Em Nova Themyscira, anteriormente conhecida como Reino Unido, Lois Lane encontra a Resistência, liderada pelo Bandoleiro! Essa cena é extremamente curta aqui, ela irá se desenvolver melhor na própria mini-série “Lois Lane e a Resistência” (publicada pela Panini em Ponto de Ignição Especial #2), mas é importante que seja apresentada na série principal, afinal é a primeira aparição de um personagem originário da Wildstorm no universo de Ponto de Ignição. E isso é o primeiro passo para a integração completa dos universos DC e Wildstorm que acontecerá no Reboot.

Depois de confeccionar um uniforme novo, o Flash convence o Batman de que eles precisam reunir a Liga da Justiça para poder corrigir a linha temporal. O primeiro pensamento de Barry é encontrar seu melhor amigo, Hal Jordan. Mas nessa realidade Abin Sur não morreu, e Hal, consequentemente, não tornou-se o Lanterna Verde. A prioridade então passa a ser achar o Superman, o qual ninguém conhece. Eles descobrem que o foguete de Kal-El caiu em Metrópolis, matando 35 mil pessoas. O governo alegou que foi um ataque terrorista, mas Thomas Wayne sabe quem pode leva-los até a verdade.

Batman se oferece para participar da equipe que o Cyborg estava tentando montar, e pede em troca que Victor os ajude a localizar o alien que estava no foguete que caiu em Metrópolis. Juntos, os três invadem o Projeto Superman e encontram um frágil Kal-El, que nunca foi exposto à luz do Sol. Ao leva-lo para fora, porém, Kal manifesta seus poderes, ataca os guardas que os estavam perseguindo e foge, deixando Flash, Batman e Cyborg à mercê dos seguranças.

Essa busca pelo Superman foi muito bem desenvolvida, sem dúvida a melhor sequência da história até agora. A ideia do governo prender o bebê Superman que acabou não caindo em Smallville não é inédita, mas foi bem feita. O mais interessante foi a caracterização pálida e magérrima de um Superman que passou a vida preso e nunca viu a luz do Sol.

Kid Flash Perdido – Parte 2

Capa de "Flashpoint: Kid Flash Lost #2"

Roteiro: Sterling Gates
Desenhos: Oliver Nome
Arte-final: Trevor Scott
Cores: Brian Buccellato
(Flashpoint: Kid Flash Lost 2 – Setembro/2011)

No século XXX, Kid Flash e Patty Spivot contra-atacam Brainiac, e conseguem a esfera que faz a moto do Perseguidor Implacável acessar a Força de Aceleração. O preço é a vida de Patty, que acaba sendo morta por Brainiac. Mas Bart, ao encostar na esfera, consegue recuperar os seus poderes.

Essa edição melhora muito o nível da história, que começou fraca na edição passada. O Kid Flash foi bem caracterizado, recuperando um pouco da personalidade do Impulso, além de ter sido utilizado o fato dele ter sido criado em uma realidade virtual. O porém dessa história é que o fato dele ter crescido com a mente ligada em um computador não faz com que ele possa controlar a programação de outro computador. Isso foi forçado, mas de resto a história é boa. Um ponto positivo vai pro desenhista, que também melhorou muito. Aqui, ao contrário da última edição, ele desenha quase todos os quadros com cenários. Gosto muito das formas humanas do seu desenho, e a página dupla que representa o fluxo de informações despejado na cabeça do Bart é muito boa.

Kid Flash Perdido – Parte 3

Capa de "Flashpoint: Kid Flash Lost #3"

Roteiro: Sterling Gates
Desenhos: Oliver Nome e Scott Kolins
Arte-final: Trevor Scott e Scott Kolins
Cores: Brian Buccellato
(Flashpoint: Kid Flash Lost 3 – Outubro/2011)

Kid Flash viaja no tempo, encontrando vários velocistas ao longo dos anos: Max Mercúrio (em sua identidade de Pé de Vento), Jay Garrick, Wally West e Barry Allen. De cada um ele absorve a energia da Força de Aceleração e concentra tudo em um único raio, a fim de recarregar Barry para que ele possa salvar a realidade.

Essa última parte da mini-série do Bart é uma homenagem ao universo de velocistas da DC pré-Reboot. Gostei de ver principalmente o Max, pois são poucas as histórias enfocando esse período de tempo, após ele ganhar seus poderes e antes de fazer seu primeiro salto temporal. O Pé de Vento (Windrunner no original) poderia gerar histórias muito interessantes, afinal é um velocista branco que ganhou poderes dos índios no meio do conflito pela conquista do oeste americano. Jay Garrick possui uma aparição muito rápida, mas Wally já está morto e enterrado quando ele chega. Não poderia ser diferente, afinal Bart tinha que recarregar os poderes do Barry, e se Wally estivesse vivo o mais lógico seria que Bart confiasse mais nele do que no avô que pouco conheceu. A referência à morte do Flash na Crise nas Infinitas Terras também é bastante explícita, e cai muito bem aqui. Os quadros que mostram ele se desfazendo na Força de Aceleração ficaram muito bons, evocado todo espírito da Crise original e mesclando com os conceitos criados pelo Mark Waid.

A ideia, me parece, era que isso gerasse o raio que atingiu Barry na primeira história comentada neste review, mas infelizmente Geoff Johns preferiu inserir um raio aleatório. Se existisse alguma referência lá a esta história, as coisas fariam muito mais sentido.

Nota: (7,0 + 7,0 + 8,0) / 3 = 7,3

Ponto de Ignição #4 melhora bastante o nível em relação às edições anteriores, por apresentar melhores desenvolvimentos da trama, que agora sim consegue se consolidar. A próxima edição será a última, e esperamos que seja um bom fechamento para o nosso querido e velho Universo DC.

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