Polêmica: Sharif, gatinho e Krypto!

[Este foi post foi originalmente publicado em 2011, mas está voltando ao Destaque do site após a longa jornada de análise de toda a saga Solo, do Superman, da qual a história comentada abaixo fara parte]

Amigos leitores do Multiverso DC, certamente vocês já leram a resenha do conto perdido de Krypto aqui no site. Como informado pelo Morcelli, esta história perdida produzida por Kurt Busiek e Rick Leornadi só foi ver a luz do dia na semana passada, com a polêmica publicação de Superman #712. Tal polêmica surgiu de mais um descarte da editora, desta vez para uma história que envolvia um Superman de origem muçulmana. Eis a história por trás dessa decisão editorial:

Estava programada para a publicação de Superman #712, edição do arco “Grounded”, escrita por J. Michael StraczynskiChris Roberson e desenhada por Eddy Barrows, a história cuja sinopse pode ser conferida a seguir:

Conheça o mais novo super herói de Los Angeles: Sharif! Mas Sharif descobre que no clima cultural atual, algumas pessoas não querem a ajuda dele – eles só querem que ele suma. Superman pode ajudar Sharif e acalmar um público preconceituoso ou existem alguns problemas grandes demais até para o Homem de Aço resolver?

O problema todo já começou na capa, cuja versão original, que mostrava o símbolo de Sharif, foi curiosamente alterada.

Porém, a coisa piorou quando apenas um dia antes do lançamento da edição saiu a informação, para os lojistas, de que a história que mostrava Sharif foi substituída pelo conto perdido de Krypto.

A DC, segundo a única explicação oficial dada, determinou que a história não funcionava dentro do arco “Grounded”. Instantaneamente, Chris Roberson lamentou a decisão da editora já que tanto a premissa quanto o script foram aprovados por eles mesmos e a edição já estava até pronta. Ou seja, a DC vetou a revista quando estava indo para a impressão!

Numa entrevista sobre a história, dada em março deste ano, Roberson havia dito que:

Sharif é, assim como o Superman, um personagem com poderes e habilidades bem maiores que pessoas normais, que veio para os EUA ainda criança e cresceu dedicando sua vida à “verdade, justiça e modo americano”, mas o fato de ter vindo de outro país ao invés de outro planeta complica tudo, e ele logo aprende que algumas pessoas tem uma ideia diferente do que significa o “modo americano”.

Em seguida, foi informado “Grounded” prossegue, normalmente, nas duas próximas edições do título do Homem de Aço, simplesmente como se a edição #712 não tivesse existido.

Embora a DC Comics já tenha usado personagens muçulmanos ou de origens muçulmanas em seus gibis (como o herói Nightrunner em Batman Inc e Muhammad X em Superman), e que já tenha até publicado um crossover entre as famosa Liga da Justiça da AMÉRICA e um grupo de super-heróis muçulmanos chamado Os 99, tal assunto sempre gera protestos entre fãs, e além disso, recentemente, tivemos a polêmica renúncia de Superman a sua cidadania americana, o que repercutiu bastante na imprensa americana e mundial. Juntando isso com um momento critico em que a DC, pelo o que tudo indica, vem sofrido muita interferência e pressão da Warner Bros., e a grande campanha para atrair novos leitores através de um relaunch/reboot/restart, tudo indica que os executivos vetaram pois um “Superman muçulmano é algo anti-americano”.

Porém, Rich Johnston, do Bleeding Cool, informou que, após ter passado a tarde sondando o assunto, entre os contratados pela editora se fala que o veto não teve nada a ver com o Sharif, mas sim porque na edição tinha uma cena do Homem de Aço resgatando um gatinho de uma árvore (idêntica ao do filme de 1978), e os executivos da DC acharam que isto era muito sensível, doce e inocente demais, algo que é errado para as histórias do personagem, já que simbolizava tudo que havia de errado com as HQs do Superman e isso tinha que ser vetado.

Como assim? Uma edição da revista do maior super-herói de todos os tempos, que dissemina o modo americano de ser pelo mundo, com um herói muçulmano sofrendo preconceito de americanos foi vetada por causa de uma cena com um gatinho? Que tipo de desculpa é essa? Onde foi parar aquela DC Comics que discutiu o problema das drogas colocando um super-herói adolescente popular se drogando na capa?

Cadê a DC que enfrentou preconceitos relacionados à opção sexual, publicando até uma revista de uma personagem lésbica? Onde está a DC que não se intimidou e teve a ousadia de publicar coisas polêmicas e adultas como Watchmen, Vertigo, V de Vingança? Cadê a editora que evolui junto aos leitores após Crise nas Infinitas Terras?

Como se não bastasse tudo isso, a DC ainda arrumou um problema com um dos autores responsáveis por Superman após o relaunch/reboot/restart: George Pérez.Pérez, responsável pela capa variante de Superman #712, já a tinha divulgado em seu Facebook, informando a todos que ela era uma homenagem em memória de um grande amigo seu que era um grande fã do Filho de Krypton.

Quando soube da mudança, o artista, inconformado, reclamou da falta de cortesia da editora, que nem sequer o avisou. Além disso, George disse que ficou chateado e envergonhado e teve que pedir desculpas aos familiares do amigo. Em seguida, reprogramaram a capa do artista pra edição #714, porém, segundo alguns comentários no Facebook, isso não parece ter diminuído muito o descontentamento e aborrecimento dele.

Por fim, o conto de Krypto, que substituiu a história que gerou toda esta polêmica, acabou fazendo grande sucesso entre os leitores, comovendo-os, e chegando a ganhar uma nota 10 no IGN Comics e aqui no Multiverso DC.

Superman foi o primeiro super-herói dos quadrinhos e hoje é considerado um símbolo da cultura americana. O herói foi criado em 1938 pelos judeus Joe Shuster e Jerry Siegel, mas tem uma origem messiânica e cristã: Kal-El, o último filho do moribundo planeta Krypton, foi enviado à Terra por seu pai Jor-El para ser o único sobrevivente de seu povo. Na Terra ele foi criado por um maravilhoso casal de fazendeiros, Jonathan e Martha Kent, recebendo o nome de Clark Kent. Hoje um repórter renomado no Planeta Diário, ele também age como Superman graças aos incríveis poderes que possui sob a radiação do sol amarelo. Inspirador, o Superman é o maior símbolo heroico da DC Comics, dentro e fora do universo fictício.

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