[HQview] Ponto de Ignição nº 1 da Panini Comics

Começa no Brasil a minissérie que vai mudar para sempre o Universo DC! Ponto de Ignição #1 chegou às bancas no mês passado trazendo o prelúdio da saga, portanto vamos analisa-la agora!

Alguém está “roubando” tempo de vida de pessoas inocentes. As suspeitas recaem sobre o Perseguidor Implacável, que alega ter vindo de outra Terra para nos salvar de uma anomalia temporal. E esta não é a única revelação bombástica feita por ele. Além disso, um velho inimigo do Flash dá as caras. Foi dada a largada para Ponto de Ignição, a saga que mudará a história do Universo DC como o conhecemos!
Panini Comics
68 páginas
Papel LWC
R$ 5,90

Flash: Rumo ao Ponto de Ignição

Roteiro: Geoff Johns
Arte: Francis Manapul e Scott Kolins
Cores: Brian Buccellato e Michael Atiyeh
Publicação original: The Flash #9 ao #11 (abril a junho de 2011)

Resumo da edição

Capa de The Flash #9

O Flash, em sua identidade civil de Barry Allen, é chamado para investigar a morte do Garoto-Elástico, que aparenta ter morrido de velhice. O problema é que ele deveria ter 16 anos, mas a sua aparência é de um idoso de aproximadamente 90 anos. Enquanto isso, um estranho motoqueiro velocista chega à Central City procurando por Barry Allen, só que ele também é Barry Allen!

O novo velocista é um Barry Allen de uma Terra Paralela, e veio para impedir uma anomalia temporal que poderá destruir todas as Terras do Multiverso. E, ao invés de pedir ajuda ao Barry Allen da Terra principal, ele o usa para abastecer a sua moto com a Força de Aceleração. O Kid Flash (Bart Allen, neto de Barry que veio do futuro) se oferece pra ajudar a capturar o Barry alternativo, mas o Flash estranhamente decide deixá-lo de fora. Enquanto isso, mais um caso de envelhecimento precoce aparece, mas dessa vez de uma pessoa comum. Barry agora tem a ajuda de sua antiga colega Patty Spivot pra resolver o caso, e eles conseguem uma testemunha.

Pelo modo estranho como tem agido com Bart Allen e o resto de sua família, Íris Allen, Wally West, Jay Garrick e Bart Allen cobram de Barry uma explicação. Enquanto isso, descobre-se que o Barry alternativo era o responsável pelos envelhecimentos, tudo para energizar sua moto e poder descobrir a fonte da anomalia temporal que está prestes a acontecer. E ele deduz que a anomalia é Bart Allen, um viajante do tempo. Por fim, a testemunha que Barry e Patty haviam descoberto revela ser Eobard Thawne, também conhecido como Professor Zoom, o Flash Reverso!

O polêmico retorno de Barry Allen e a trajetória até Ponto de Ignição

Capa de The Flash #10

Desde que voltou da morte, Barry Allen tem tentado se estabelecer novamente como o Flash principal do Universo DC. Alguns leitores gostaram do seu retorno, mas houve muita gente que se sentiu afrontada com o repentino rebaixamento de Wally West, o Flash que substituiu Barry após a mega-saga Crise nas Infinitas Terras e que foi o Flash principal por mais de vinte anos, tendo superado em muito seu mentor e formando toda uma geração de leitores.

Segundo Dan Didio (co-publisher da DC Comics), Barry Allen precisava voltar pois ele é a representação mais icônica do personagem, e a DC estava querendo voltar ao clássico, restabelecendo seus ícone. É o mesmo pensamento que o levou, alguns anos antes, a trazer de volta Hal Jordan, o Lanterna Verde da Era de Prata. Segundo Mark Waid (roteirista que escreveu o Flash Wally West por 8 anos), Barry Allen fez um sacrifício extremo para salvar o Universo, tornando-se muito mais do que foi em vida, transformando-se num símbolo e num ideal, e permitindo que o legado do Flash se tornasse maior do que os homens que o usam. Trazer Barry Allen de volta seria desfazer o mito, desprover de sentido o seu sacrifício e destruir esse legado.

Por causa desse desentendimento dos leitores e até dos profissionais da indústria de quadrinhos, Barry Allen ficou em uma situação muito delicada. Barry havia voltado, isso era definitivo, e a DC precisava reintroduzi-lo mesmo com todos esses problemas. A solução foi a minissérie “Flash Renascimento”, escrita por Geoff Johns, o mesmo responsável por restabelecer Hal Jordan como o Lanterna Verde. Pra justificar a presença e o status de Barry Allen no presente, Johns expandiu o conceito da Força de Aceleração (criado nos anos 1990 por Mark Waid) e determinou que o motor da Força era Barry Allen, ou seja, Barry gera a Força de Aceleração e a compartilha com os outros velocistas.

A desculpa inventada por Johns não foi convincente e não é explicável, contradizendo anos e anos de cronologia. Ao invés de reduzir, a reclamação dos leitores só aumentou. A nova revista do Flash pós-Renascimento, estrelada por Barry Allen, ia mal nas vendas, muito abaixo do que a DC esperava. A solução, novamente, foi copiar uma estratégia utilizada com o Lanterna Verde.

Em 2009, a mega-saga do verão americano, chamada “A Noite Mais Densa”, foi originada da revista mensal do Lanterna Verde, expandindo-se para todo o Universo DC e alcançando vendas satisfatórias. A DC Comics, então, resolveu seguir o mesmo caminho e construir uma nova mega-saga capitaneada por um único personagem, dessa vez o Flash. Com isso, eles esperavam aumentar a popularidade de um personagem controverso e, obviamente, vender mais revistas. Daí surgiu “Ponto de Ignição” (Flashpoint no original).

Análise da edição

Capa de The Flash #11

A saga começou a ser apresentada na revista do Flash, antes de ganhar as páginas da minissérie, no arco chamado “Rumo ao Ponto de Ignição” (“The Road to Flashpoint”). E é exatamente o início deste arco que a Panini publica neste primeiro número. A minissérie brasileira não começa em Flashpoint #1, e sim em The Flash #9. Esta primeira edição compila os números 9, 10 e 11 da série The Flash, ainda sem entrar em Flashpoint, o que só deve acontecer na próxima edição.

Apesar de parecer estranho a princípio, a decisão foi acertada, pois permite que todos os que desejam ler a saga possam entender a sua origem sem precisar comprar a revista da Liga da Justiça (onde o Flash era publicado regularmente) e pagar R$ 14,90 por mês pra ler apenas uma história. Por começar no meio de uma série já em andamento, a Panini publicou na segunda capa um resumo bem detalhado dos acontecimentos até ali, outra decisão acertada e essencial para quem não tinha lido estas histórias.

A história em si é bastante padronizada: herói de uma Terra paralela chega para impedir uma catástrofe, encontra sua contraparte da nossa Terra, que pensa que ele é um vilão, o que é intensificado ainda mais quando o visitante se confunde pensando que o parceiro do herói é a causa da catástrofe. Enquanto os dois heróis brigam, o verdadeiro vilão está livre para causar a catástrofe que o visitante veio impedir. O argumento básico é esse, adicionando-se alguns elementos de investigação policial ao estilo CSI e algum conflito familiar do herói.

Ponto de Ignição é mais um evento ao estilo da Crise nas Infinitas Terras, e como tal possui o seu próprio Pária, aquele que vem alertar a Terra da eminente destruição. Porém, diferentemente do Pária original, o Barry Allen alternativo não viajou da sua Terra até a nossa apenas para gritar e chorar, ele veio tentar impedir que a anomalia no espaço-tempo se concretize e destrua todas as Terras do Multiverso.

O Perseguidor Implacável

Seu visual um tanto quanto bizarro, uma mistura de Motoqueiro Fantasma com Black Kamen Rider, provocou muito barulho na Internet antes mesmo da edição ser lançada. Um velocista que usa uma moto não fazia muito sentido pros leitores, mas a explicação para isso foi simples: ele não possui poderes, é a sua moto que acessa a Força de Aceleração e o permite correr em super-velocidade e cruzar a barreira das realidades. O Barry alternativo diz que a construiu com a ajuda de seu sobrinho Wally West. A única coisa que não foi explicada é a função dos ridículos pisca-alertas nos ombros. Um ponto negativo da edição brasileira é a tradução do nome deste personagem (Hot Pursuit no original), que aqui ganhou a alcunha de Perseguidor Implacável. Nome mais rocambolesco impossível.

Outro personagem importante na história é Patty Spivot, antiga assistente de laboratório de Barry Allen. Johns resgata esta personagem, criada em 1977 por Cary Bates e Irv Novick, e que estava esquecida desde a morte de Barry. A explicação dada é que ela tinha desistido do trabalho na polícia e ido pra Blue Valley, Nebraska, curiosamente a cidade natal de Wally West. Uma curiosidade: Patty já esteve perto de ganhar supervelocidade, mas foi salva por Barry Allen quando outro raio atingiu o seu laboratório. Na época, Barry imaginou o que teria acontecido se o raio a atingisse, e, nessa história imaginária, ela teria se tornado a Ms. Flash.

Outro ponto interessante é que, pela primeira vez na série do Flash pós-Renascimento, vemos toda a Família Flash reunida. Isso é importante por causa da controvérsia discutida na seção anterior deste artigo, e parece que Johns quis levar esta discussão para dentro dos quadrinhos, fazendo com que Barry rejeitasse os outros Flashes assim como os fãs do Wally o estavam rejeitando. O resultado é no mínimo forçado, com a atitude do Kid Flash beirando a ignorância.

Como não podia deixar de ser, Geoff Johns usa a exaustão o clichê da Era de Prata do Flash que sempre chega atrasado, e também aproveita para reforçar o conceito criado por ele mesmo de que Barry Allen é a própria Força de Aceleração. A todo o momento o Barry alternativo repete isso, sendo este o principal mote da história. Eu ainda estou tentando entender o significado da frase dita pelo Flash Reverso ao abandonar o seu disfarce de garotinho e assumir sua forma original: “Acessar os poderes ocultos adicionais gerados pela minha Força de Aceleração Negativa”. O que raios será que isso significa?!

Nota: 6,0

Ponto de Ignição #1 é o início da minissérie em cinco partes que vai encerrar o Universo DC como nós o conhecemos. Para a edição brasileira, a Panini resolveu juntar na mesma minissérie o arco de histórias do Flash que leva até Ponto de Ignição com a história em si, o que foi uma decisão acertada. Quem ainda estiver perdido e quiser conhecer melhor o Flash, tanto Barry Allen como Wally West, deve escutar o podcast que fizemos contando suas origens.

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