Em papo exclusivo fã conta como trouxe Spawn ao Brasil

Um dos responsáveis pelo Spawn Alley, o maior site sobre a criação máxima de Todd McFarlane em português, Leandro “Leo Violator” Cruz concedeu uma entrevista exclusiva ao Multiverso DC sobre a campanha para trazer a revista de volta o Brasil e os benefícios das redes sociais e dos websites especializados neste sentido.

Com o intuito de deixar uma mensagem positiva aos fãs que sempre alimentam esperanças de verem seus títulos favoritos saindo no Brasil (e muitos fãs da DC querem muitas coisas por aqui), Leandro conta ao site como foi a experiência, o histórico todo da difícil publicação e a felicidade de ver o sucesso acontecendo.

Spawn por Jim Lee
Spawn por Jim Lee

1) Antes de mais nada, Leandro, fale de você como fã e colecionador de quadrinhos (e de Spawn, é claro).
Leandro:
Sou colecionador de quadrinhos há mais de 20 anos. Tenho um gosto bastante diversificado pois leio muito a linha Vertigo, as graphic novels de Will Eisner, quadrinhos europeus, tiras de jornais como Calvin, Hagar, o material do Laerte, Angeli… minha coleção tem de tudo um pouco. Também gosto muito de mangá, porém sou bastante seletivo.

Sobre Marvel e DC, gosto mais quando lançam algum especial interessante ou alguma coletânea de histórias antigas. Não sou de acompanhar a cronologia atual, porém me mantenho informado através de sites especializados. Tento me manter como colecionador moderado, compro apenas o que realmente acho interessante – se acho que não vale a pena, simplesmente não compro ou paro de comprar.

No que diz respeito a Spawn sou um colecionador voraz. Tenho uma coleção bem grande de vários títulos que são inéditos no Brasil. Na época do auge do personagem tentei comprar quase tudo que saia lá fora.

2) Desde quando você coleciona histórias do personagem? Você diria que ele é seu herói favorito?
Leandro:
Sou colecionador do personagem desde que ele saiu no Brasil em 1996. Na verdade, já tinha ouvido falar dele um pouco antes através de alguns programas de TV voltados à cultura pop, e como eu gostava do McFarlane quando na época do Hulk e do Homem-Aranha fiquei esperando a hora que o material visse ao nosso país. Não deu outra: virei fã na primeira história.

Na época, eu colecionava outros materiais da Marvel, mas como as histórias começaram a perder a qualidade, larguei tudo para me dedicar apenas ao Spawn, que se tornou meu personagem favorito. Porém, com o passar do tempo comecei a admirar outros personagens das HQs, então posso colocar também John Constantine ao lado de Spawn, embora o material que eu tenha seja bem menor.

Spawn #200 por Greg Capullo
Spawn #200 por Greg Capullo

3) Conte como surgiu o movimento de volta das revistas do Spawn ao Brasil.
Leandro:
O movimento surgiu logo depois que Spawn deixou de ser publicado pela Pixel. Na época eu fazia algumas matérias que eram publicadas na revista e então o [editor] Cassius Medauar me informou que a Ediouro estava mudando o foco da Pixel, eles estavam com outros planos. Até então imaginei que a Pixel iria continuar com a revista, pois escrevi para eles perguntando quais eram os rumos a serem tomados e recebi uma resposta dizendo que Spawn iria continuar a sair normalmente.

Todavia, passaram-se alguns meses e não obtive mais novidades. Entrei então em contato com eles diversas vezes e nunca obtive respostas satisfatórias. Na comunidade da Ediouro no Orkut deixei várias mensagens (às quais ninguém me respondeu). Foi então que fiz uma convocação aos membros da comunidade para que pudesse escrever à Ediouro solicitando a volta da revista, e mesmo assm ninguém nos atendeu. Como o contrato tinha acabado de ser renovado, não tinha como fazer com que as editoras pegassem o material. Tive que aguardar a data de expiração do contrato a fim de organizar o movimento.

4) O apoio da campanha foi grande? Você acha que a internet é crucial para este tipo de movimentação?
Leandro:
No início foi um pouco tímido pois não tinha muita ideia de como poderia fazer com que alguma editora pudesse me ouvir. Comecei escrevendo para cada uma delas perguntando sobre a possibilidade de trazer Spawn de volta, mas poucas me responderam. As que me retornaram ou foi através de resposta automática ou dizia que não tinha interesse no momento. O próximo passo foi fazer com que cada membro pudesse escrever para as editoras pedindo o retorno de Spawn, porém a adesão foi muito pequena.

Em seguida quis organizar um formulário que seria repassado às editoras com o nome de todos os fãs desejando ver a revista mais uma vez nas bancas. Neste manifesto, que foi divulgado na comunidade Spawn Brasil e no blog Spawn Alley, o leitor acessava um endereço onde preenchia um formulário com seus dados pessoais. Aí sim começou a dar certo, mas com o tempo percebi que o manifesto estava começando a cair no esquecimento. Pedi que cada membro da comunidade Spawn Brasil pudesse fazer o tipo de divulgação que achasse melhor. Alguns entraram em contato com outros membros, outros imprimiram cartazes que foram colocados em comic-shops.

Teve alguém que fez um vídeo e colocou no YouTube e até tentaram fazer campanha em um sistema de TV em ônibus. Ou seja, cada um contribui com a melhor forma possível. Logo tive a grande ideia de entrar em contato com os maiores sites voltados aos quadrinhos do Brasil e praticamente todos publicaram uma notícia sobre o Manifesto Spawn e logo depois outros sites que eu nem conhecia também estavam publicando a mesma notícia. Aí sim o manifesto se fez conhecido em todos os meios, mostrando que a Internet realmente pode ajudar quando os fãs querem que um determinado material seja publicado. Fiquei muito feliz que todo o esforço tenha dado certo.

5) Com quais editoras você conversou aqui no Brasil? E lá fora, houve contato direto com Todd McFarlane?
Leandro:
Com todas as editoras possíveis, desde as grandes (como Panini e Abril), até as menores ou que publicam quadrinhos mais alternativos. Eu e alguns outros tentamos entrar em contato com o Todd falando sobre o abandono do Spawn no Brasil, mas não obtive retorno, infelizmente.

6) Vocês tiveram alguma influência na escolha da HQM ou a partir do início da negociação vocês ficaram de fora?
Leandro:
Eu tinha certa preferência pela HQM pois a editora já tinha publicado algum material da Image por aqui, como Savage Dragon e The Walking Dead. Conforme esperado, ela foi única editora que demonstrou interesse real em publicar Spawn. Desde então o Carlos Costa (editor da HQM) e eu tivemos várias conversas sobre os rumos que a revista tomará a partir de agora. Aliás, eu já sabia que ele estava a ponto de assinar o contrato muito antes de ter sido feita a divulgação, porém achamos melhor evitar de falar isto até que chegasse o momento oportuno.

Spawn #200 por David Finch e Todd McFarlane
Spawn #200 por David Finch e Todd McFarlane

7) Você está contente com a divulgação dos lançamentos? Acredita que agora não haverá mais interrupções na publicação brasileira?
Leandro:
Muito contente, afinal o fruto do esfoço está se apresentando agora. Eu percebo que a HQM tem a boa vontade de ser a nova casa de Spawn no Brasil, mas para evitar interrupções os fãs devem dar total apoio à editora. Já conversei com o Carlos sobre a possibilidade de trazer outros títulos, mas tudo vai depender do quanto o personagem vender por aqui. É por isso que peço aos fãs que comprem os encadernados assim como compravam a revista antes pois só assim poderemos ter Spawn por bastante tempo por aqui.

8) Leandro, deixe uma mensagem para fãs que também querem ver seus materiais favoritos publicados por aqui.
Leandro:
Não desistam do seu personagem! A Internet é uma ferramenta poderosa se souber usá-la adequadamente, então utilize-a da mesma forma que fiz para que sua revista favorita possa ser publicada ou republicada por aqui. Muitos viram que o movimento deu certo e me enviaram e-mails de felicitações e até de apoio para que outras revistas possam voltar a ser publicadas. Portanto, não tenham medo de tentar nem de desanimar quando alguém disser que não vai dar certo. Se comigo funcionou, por que com os outros não funcionaria? Um grande abraço a todos!

Leandro “Leo Vioaldor” Cruz

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