Um bate-papo exclusivo com Joe Bennett

Joe Bennett

Depois de quase 4 anos, o Multiverso DC consegue conversar com o desenhista brasileiro Joe Bennett. Bené, como é chamado pelos amigos, já trabalha há mais de 20 anos com produção de quadrinhos, e recentemente tem participado, desde que entrou para a DC Comics, de alguns dos mais memoráveis trabalhos da editora.

Graças ao Tarcisio Aquino (da Torre Titã), que começou o Multiverso DC junto com este redator e conduziu toda a entrevista, o site tem mais uma vez o prazer de trocar ideias com este grande talento nacional. Confiram, com exclusividade, um bate-papo bem-humorado e muito divertido com Bené, feito ontem à noite.

Promo de Terror Titans

Multiverso DC: A última vez que conversamos foi em 2008, quando o Multiverso DC estava começando e você estava assumindo a minissérie Terror Titans. O que mudou na sua carreira desde então?
Bené:
Pra ser específico, nada. Continuo trabalhando bastante, e logo depois de Terror Titans veio uma passagem pelo próprio título mensal dos jovens heróis. Atualmente tenho gostado bastante de trabalhar com Deathstroke [Nota: Exterminador, que ganhou uma mensal própria após o DC Relaunch].

MDC: E do que você mais gosta no Deathstroke? Você costuma sugerir coisas para Kyle Higgins? [Nota: Escritor da mensal]

Divulgação de Deathstroke #1

Bené: Gosto do personagem como um todo. A atitude arrogante e sua forma quase suicida de abordar as coisas me chamam muito a atenção. Sobre sugestões, geralmente ofereço ideias a nível de ação – coloco coisas nos layouts e, se aprovados, executo as páginas.

MDC: Então o trabalho de vocês fica bem interativo mesmo. Ainda falando destes personagens, você chegou a trabalhar com os Novos Titãs, como dito acima, e agora está fazendo a primeira mensal que o Exterminador tem em anos. Há uma ligação especial entre você e o universo titânico?
Bené:
(Risos) Não sei. Gosto muito dos Novos Titãs e trabalhar com eles me deixou muito orgulhoso. Agora estou no Exterminador, que também é ótimo. Talvez eu seja o Ciborgue e ainda não sei (risos).

MDC: Tanto Gavião Negro como o Exterminador são conhecidos por serem personagens “badass“. Você prefere personagens assim pra trabalhar? Como seu traço se encaixa em histórias deste tipo?
Bené:
Gosto sim, adoro desenhar cenas violentas e fazer caras com ares de poucos amigos. Talvez assim eu descarregue alguma coisa da minha personalidade também (risos).

Rosto do Exterminador em Deathstroke #1

MDC: Em Deathstroke #1 há um grande splash com o rosto de Slade Wilson, mostrando as feições dele como nunca havia sido feito antes. Isto lhe foi pedido ou foi um momento de “inspiração e liberdade” da sua parte? Os detalhes são fantásticos, eles conseguem passar o sentimento do personagem naquele momento.
Bené:
Poxa, valeu! Fiz por conta do momento da trama, mesmo. O desenhista é também um diretor de cinema, e eu sempre tento fazer cinema – tanto que o Slade que desenho é uma homenagem ao próprio Clint Eastwood. Peguei o rosto dele e dei uma “anabolizada”, acabou caindo muito bem com o personagem.

MDC: Você trabalhou na minissérie Justice League: Generation Lost recentemente, revezando as edições quinzenais com Aaron Lopresti. O prazo foi muito pesado? Como foi a aceitação do público?

Página de Justice League: Generation Lost #22

Bené: O prazo não foi muito diferente do que costuma ser pra outros projetos. Foi algo muito bacana de fazer, pois era grande fã da Liga Internacional de Giffen e DeMatteis.

MDC: Há algum personagem na LJI com quem você mais se identificou?
Bené:
Sim, gosto muito do Capitão Átomo, mas também adoro as trapalhadas do Gladiador Dourado.

MDC: Aqueles personagens sã otimos interagindo juntos, foi uma fórmula que deu muito certo no passado. A Fogo é brasileira, portanto houve alguma inspiração tupiniquim na composição da personagem?
Bené:
A bunda (gargalhadas). Tentei fazê-la bem gostosa­ (risos), mas os americanos são um tanto pudicos em relação a isso, então tive que tomar alguns cuidados.

MDC: Certa vez o Eddy [Barrows] teve que redesenhar a bunda da Cassie (Moça-Maravilha) em uma edição dos Novos Titãs
Bené:
E olha que o Edu é quase um monge hein (gargalhadas).

MDC: Fazendo um paralelo de todos os seus trabalhos, há tanto personagens solo como grupos de super-heróis. Há uma preferência para um dos dois tipos ou você gosta das duas coisas? Por quê?
Bené:
Prefiro solo, é menos complicado de fazer. Além disso, gosto de caras que resolvem tudo sozinho, bem ao estilo dos filmes pra macho dos anos 1980 (risos).

MDC: Sabemos que Garcia Lopez é sua maior inspiração. Ainda traz consigo esta influência em meio a esta onda de retorno aos anos 1990?
Bené:
Sim, tenho Garcia e Jack Kirby na veia, sempre. E tento também dar um certo ar moderno a estes estilos, mesmo em meio a esta onda noventista toda.

Quadro em Exposição no VI FIQ, em 2009, por Fabrizio Andriani e Bennett

MDC: Em 2009, no VI FIQ, você teve um problema de saúde e acabou não indo ao evento, não presenciando uma exposição sobre sua carreira. Antes de mais nada, você está totalmente recuperado? Como aconteceu essa exposição e qual foi o feedback que você recebeu?
Bené:
Pois é, peguei a maldita gripe do porco (risos). Fiquei realmente triste por não ter ido, perdi uma grande chance de ficar mais uma vez perto das pessoas que gostam do meu trabalho. Foi muito gratificante saber que rolou esta exposição. Uma pena que para o FIQ do ano passado acabou não rolando convite, mas tive o prazer de ir à Gibicon, em Curitiba, e foi ótimo.

MDC: Recentemente soubemos que você não daria mais entrevista no Pará, sua terra natal. Por quê?
Bené:
É verdade. O problema aqui é que não se dá o mínimo valor para a cultura, não importa em que âmbito seja. Toda vez que vou fazer uma entrevista me perguntam como comecei minha carreira e se desenho bichinhos (gargalhadas).

MDC: Recentemente tem havido uma movimentação forte no que já pode ser chamada de indústria nacional. Você pretende lançar um trabalho autoral também em território nacional, ou algo nesse sentido? Ainda tem planos para a Família Titã?
Bené:
Ainda tenho muitos sonhos em relação a isso, e acredito que neste ano alguns deles vão se realizar. Infelizmente, quanto á Família Titã, talvez este projeto nunca saia.

Hawkman #41, por Bennett e Ruy Jose

MDC: Nesta semana soubemos que você está migrando para a revista The Savage Hawkman, a nova mensal do Gavião Negro, personagem com o qual você começou na DC. Como aconteceu isso, e como você se sente voltando a ele?
Bené:
Estou muito feliz. Além de gostar muito do personagem, faço-o em memória do meu pai, que também era grande fã do herói. Acabei sabendo na semana passada que estava pra rolar, e então a minha editora, Rachel, confirmou que estavam me transferindo para este título mesmo. Ela ficou um pouco brava por eu ter divulgado no Facebook antes deles (risos), mas foi bom, pois percebi que muita gente queria ver isto acontecendo também.

MDC: Pra finar, Bené, gostaria de deixar um comentário, tem algo que queira compartilhar com seus fãs?
Bené:
Antes de mais nada quero agradecer a estes anos todos de nossa amizade, e em seguida peço que todos deem uma olhadinha no meu trabalho com o Exterminador e depois com o Gavião Negro. Tenho certeza que vocês não vão se decepcionar. Ainda não sei se minha equipe toda migrará para a revista, mas posso garantir que vou detonar em Hawkman!

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